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LIVRO, DEVOCIONAL. Trabalho e Caridade. 2026.

50 DIAS COM DEUS NA SOCIEDADE! O CRISTÃO no Trabalho e PROFISSÃO O CRISTÃO na Ação Social e CARIDADE Devocionais bíblicas e Meditações históricas do Cristianismo • Conteúdo para Capelanias: Empresarial e Social. • Orientação de Estudos para Pequenos Grupos.   CAPELANIA E PEQUENOS GRUPOS: Orientação • Orientação para CAPELANIAS, Empresarial e Social: • 1. Leitura da devocional no ambiente de trabalho e/ou compartilhar da Mensagem aos colegas. 2. Leitura motivacional para grupos e funcionários de instituições de caridade e ação social. • • Orientação de Estudos para PEQUENOS GRUPOS: • Você pode utilizar duas ou três devocionais diárias como conteúdo de uma só reunião de pequeno grupo, aproveitando a sequência do livro, já que os temas estão dispostos em assuntos próximos um dia após o outro. Por exemplo: utilizar devocionais dos dias um e três para um estudo de caridade e ação social bíblicas, e devocionais dos dias dois e quatro para um estudo sobre o trabalho e vida profissional do cristão. • REUNIÃO: 1. Leitura e meditação no texto bíblico base. 2. Qual é o ensino do texto bíblico? 3. Leitura da devocional do dia e tempo de compartilhar em grupo a aplicação proposta no livro. 4. Aplicação pessoal: para a vida profissional e para atividades de caridade: individuais, de grupos da igreja e comunidade. • • O valor indicado para este e-book digital é de R$ 14,90 (quatorze reais e noventa centavos).   APRESENTAÇÃO O TRABALHO E A CARIDADE NA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ! “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos." (Evangelho de Mateus: cap. 22, versos 37-38) “Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens”. (Carta aos Colossenses: capítulo 3, verso 23) Assim como o anúncio do Evangelho de Jesus e o auxílio aos necessitados devem seguir juntos no estilo de vida do cristão que busca Amar a Deus completamente, da mesma forma, o Trabalho e a Caridade são vivências cristãs integradas de modo profundo e espiritual no ensino dos textos bíblicos. Todos já ouvimos falar do Maior mandamento bíblico, que unifica o Amor a Deus e o Amor ao próximo, pois como ensina Jesus de Nazaré, “o segundo é igualmente importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos." (Evangelho de Mateus: 22, 37-38). Neste sentido, os cristãos aprendem logo cedo que o desafio cotidiano de ser um discípulo de Cristo é amar a Deus e amar o próximo. Agora, vamos descobrir nos textos devocionais deste livro, como as Escrituras têm diversos versículos anunciando que algumas das atividades que vão gerar boas oportunidades de amar o próximo são exatamente as que praticamos através do trabalho e da profissão. Verdade! Tudo começa quando Deus chama os seres humanos para a vocação de assumir papéis e responsabilidades em nossos dias aqui na Terra, de modo que o Senhor vai nos fazer amadurecer pessoalmente como cristãos enquanto também vai abençoar toda a sociedade, logo que abraçamos uma função na história da comunidade de que somos parte. Desta forma, o cristão deve trabalhar na sua profissão e nas funções familiares e comunitárias com todo interesse, honestidade e dignidade, pois todas as suas atividades de trabalho devem ser realizadas diante do Senhor. E agora, ao dedicar a Deus tudo o que faz e desenvolve, o cristão vai oferecer igualmente as realizações e frutos de seu trabalho aos propósitos do Senhor. Assim, os cristãos poderão contribuir para a prosperidade da sociedade e também para amar o próximo, seja através do auxílio e atendimento direto, e mediante atividades organizadas de caridade e ação social. Pois, enquanto o trabalho e a profissão honesta geram dinheiro e bens para cuidar de nossa família, estes frutos se tornam igualmente recursos para o atendimento dos pobres. A partir disto, a própria comunidade de que somos parte vai atender os necessitados de maneira organizada, de forma que as atividades cristãs mais básicas serão estabelecidas como um valor na sociedade em que vivemos. Uma ética cristã social que vai render um bom testemunho da Pessoa de Deus a todos. O próprio amadurecimento e santificação dos cristãos estão integrados às atividades de trabalho e caridade que praticamos na vida. Afinal, o amor ao próximo que se faz realidade através da caridade é um fruto básico daquela fé verdadeira do cristão que já foi salvo pela Graça de Deus. E assim, quando a bondade e a misericórdia que nascem de forma espontânea em nosso novo coração geram boas obras cristãs para abençoar o mundo, isto faz com que a nossa jornada como discípulos de Cristo jamais se torne vazia ou sem frutos, bem ao contrário, crescemos na santidade do Espírito Santo. Neste sentido, o propósito das devocionais bíblicas e meditações históricas do cristianismo deste livro é propiciar conhecimento e gerar atitudes de modo que sejamos capazes de trabalhar profissionalmente na sociedade e praticar caridade diante do próximo, para a Glória de Deus, numa resposta de fé ao chamado feito pelo Senhor a cada um de nós. “Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus”. (1 Carta aos Coríntios: capítulo 10, verso 31).   SUMÁRIO - ÍNDICE   Dia 01. Caridade. AMAR A DEUS E AMAR O PRÓXIMO! “Jesus respondeu: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente. Este é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é igualmente importante: “Ame o seu próximo como a si mesmo. Toda a lei e todas as exigências dos profetas se baseiam nesses dois mandamentos." (Evangelho de Mateus: cap. 22, versos 37-38). APRESENTAÇÃO: Jesus de Nazaré convoca as pessoas para construir um estilo de vida baseado na virtude cristã do Amor diante da Pessoa de Deus e perante toda a humanidade. Um amor que os seres humanos não têm em si mesmos, mas que Deus Pai está derramando sobre os cristãos através de Jesus Cristo, o sacerdote da nova aliança no Espírito Santo! MEDITAÇÃO: E para fazer isto, os tradicionais 10 Mandamentos são as virtudes amplas e profundas de Deus para que a humanidade inicie a sua jornada de aprendizado espiritual buscando Amar de verdade, desde agora e para sempre. Os primeiros quatro mandamentos orientam os seres humanos a se relacionar com Deus de maneira sincera. Somos desafiados a crer em Deus e a saber que Ele é Deus Pai Todo Poderoso, Criador dos céus e da terra. O mandamento de praticar o sábado religioso estabelece um período definido a cada semana para que possamos meditar nas Escrituras e adorar ao Senhor, pois é impossível crer em Deus sem dedicar um tempo para buscar a sua face e aprender as suas palavras. Para hoje, a nossa crença é guardar no coração a palavra essencial de Deus ensinada por Jesus de Nazaré, quando o Messias afirma que o Maior mandamento está descrito em dois inseparáveis: amar a Deus e amar o próximo! Sim, este é nosso primeiro desafio: crer e confiar! Pois vamos avançar no conhecimento da vontade de Deus ao dedicar maior atenção aos ensinos de Jesus, sendo que aqui, há uma ênfase para que consigamos olhar conjuntamente para Deus e para a humanidade. Desta forma, os nossos olhos vão refletir a luz dos mandamentos escritos em nossos corações, possibilitando que o amor implantado na nossa personalidade pelos frutos do Espírito Santo, seja o nosso novo estilo de vida diante de Deus e das pessoas. PENSE NISSO! Devemos desenvolver a fé cristã a partir das palavras ensinadas por Jesus, vindo a guardar na mente e semear no coração a verdade bíblica de que praticar ações amorosas de atendimento e ajuda aos seres humanos é uma virtude fundamental do Cristianismo!   Dia 02. Trabalho. DEUS CUIDA DE SEUS AMADOS ENQUANTO ELES DORMEM. “Se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos construtores é vão. Se o Senhor não protege a cidade, de nada adianta guardá-la com sentinelas. É inútil trabalhar tanto desde a madrugada até tarde da noite, e se preocupar em conseguir o alimento, pois Deus cuida de seus amados enquanto dormem”. (Salmo 127, versos 1-2). APRESENTAÇÃO. As meditações sobre o ‘Pão Nosso’ de cada dia dado por Deus aos homens originam de promessas e princípios revelados no propósito de que o nosso trabalho e atividades profissionais sejam ricamente abençoados pelo Senhor. MEDITAÇÃO. Ao prestar atenção no cântico de oração ministrado pelo Rei Salomão no Salmo 127, somos chamados a entender que a ‘casa’ edificada na bênção divina se refere tanto ao Templo de Adoração como trata também da própria Família do fiel, a partir da maneira como cada um de nós vive a nossa história diante da face de Deus. O desafio de fé é direto e simples: “Se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos construtores é vão.”; o que significa que todo o esforço desenvolvido pela humanidade na busca de suas realizações jamais irão alcançar o propósito que almejamos, se estivermos afastados da presença de Deus. O temor a Deus que é o princípio da sabedoria existencial dos homens surge nas mais diversas mensagens bíblicas sobre o ‘pão nosso’ de cada dia, sendo um princípio que nos desafia a conhecer, receber e experimentar os cuidados de Deus para conosco em nossa vida profissional e necessidades materiais. PENSE NISSO! O Senhor Deus faz prosperar a vida e lar dos seres humanos que buscam a sua presença e confiam no seu cuidado em todas as áreas da existência! Ao meditar nas devocionais sobre as situações nas quais o Senhor deseja estender a sua mão para cuidar de nossas famílias e empresas, iremos conhecer as bênçãos e promessas de Deus para as nossas atividades de trabalho. Pois Deus cuida dos seus, enquanto dormem!   Dia 03. Caridade. AMANDO O PRÓXIMO! “Qual destes três você diria que foi o próximo do homem atacado pelos bandidos?”, perguntou Jesus. O especialista da lei respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele”. Então Jesus disse: “Vá e faça o mesmo”. (Evangelho de Lucas: cap. 10, versos 36-37). APRESENTAÇÃO: Jesus de Nazaré definiu na Parábola do Bom Samaritano que praticar atitudes de misericórdia diante de pessoas necessitadas de qualquer tipo de ajuda é a perfeita obediência da lei descrita no mandamento de amar o próximo. MEDITAÇÃO: Muitas vezes, para aprender corretamente o que Jesus ensina para a humanidade sobre as verdades de Deus, bem, nós devemos prestar atenção nas perguntas que são feitas para Jesus. Pois essas situações revelam as dúvidas da população daquela época, ao mesmo tempo em que se tornam oportunidades para Jesus esclarecer o significado mais importante do assunto da conversa. Então, vamos meditar no encontro de Jesus com um homem que era especialista nas leis bíblicas. Para começar, o homem perguntou o que ele devia fazer para receber a vida eterna, e Jesus devolveu a pergunta, pedindo ao homem que lembrasse os ensinos de Moisés sobre o assunto. O homem respondeu que ele deveria amar a Deus de todo o coração, alma e mente, e também, que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Jesus disse ao homem: “Está correto!”. Nesse momento, surgiu a dúvida. Afinal, quem era o ‘próximo’ que o especialista nas leis deveria amar? Então, Jesus contou a famosa parábola do samaritano, sobre um homem que foi assaltado, espancado e abandonado quando seguia pelo caminho entre Jerusalém e Jericó. O homem foi largado na beira da estrada e dois religiosos importantes, um sacerdote e um levita passaram por ele e nada fizeram para ajudar. Finalmente, um homem desprezado e considerado inimigo de Israel por ser da região de Samaria também passou pela estrada. E ajudou o homem. Pois o bom samaritano teve compaixão do homem machucado quando o viu, tratou seus ferimentos e o carregou até uma hospedaria, pedindo que fosse ajudado, vindo a deixar um valor para arcar com os custos de qualquer atendimento necessário. PENSE NISSO: Então, Jesus perguntou ao especialista das leis bíblicas: “Qual desses três você diria que foi o próximo do homem atacado pelos bandidos?” (...) O especialista da lei respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele”. Então Jesus disse: “Vá e faça o mesmo”. (Evangelho de Lucas: cap. 10, versos 36-37). Dia 04. Trabalho. O DIA DO DESCANSO. "Então Jesus disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Portanto, o Filho do Homem é o Senhor até mesmo do sábado”. (Marcos: cap. 2, 27-28). APRESENTAÇÃO. O dia semanal de descanso foi dado aos homens no propósito de renovar e orientar a nossa personalidade inteira diante de Deus. MEDITAÇÃO. O 'Sábado' religioso cristão ocorre no Domingo porque Jesus, o Messias ressuscitou neste dia, libertando a humanidade da condenação dos pecados e oferecendo um 'descanso' completo para os homens, na presença de Deus. Daí a razão para que os cristãos se reúnam como Igreja exatamente no Domingo, para iniciar a semana aprendendo a descansar em Deus. E assim, renovam e fortalecem a vida para mais uma semana de trabalho. Observe que o Dia de Descanso Religioso Cristão é um período especial de relacionamento entre os homens e o Senhor. Assim, este encontro de adoração, conhecimento e comunhão com Deus é a vivência religiosa que oferece verdadeiro descanso e bom restabelecimento físico, mental e espiritual ao ser humano. Dessa forma, aprendemos que todo o conhecimento que viermos a receber na Bíblia e neste caderno somente irão se tornar uma bênção em nossos ambientes profissionais se for algo vivenciado na Presença de Deus. Por isto mesmo, somos desafiados a praticar uma experiência de adoração semanal diante do Senhor, o que nos convoca a buscar uma congregação religiosa para a vivência do ‘sábado’. Ao mesmo tempo, a ordenança do 'Sábado' tem alcançado todos os homens, pois a vivência social de um dia de 'descanso' a cada semana se tornou um dia de descanso físico para diversas nações e sociedades no decorrer da história. PENSE NISSO! Um dia de descanso para todos os trabalhadores, que pode se tornar um período de renovo espiritual integral para os seres humanos, sendo um princípio do modo como Deus deseja abençoar as atividades laborais da humanidade.   Dia 05. Caridade. SEJAM IGUAIS A SEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS. “Portanto, sejam perfeitos, como perfeito é seu Pai celestial”. (Evangelho de Mateus: cap. 5, verso 48). APRESENTAÇÃO: Jesus de Nazaré explica no Sermão do Monte que Deus é uma Pessoa completa! Por isto mesmo, as pessoas que desejam crescer espiritualmente devem abraçar as virtudes divinas para se tornarem seres humanos amadurecidos em sua personalidade, avançando numa completude do conhecimento de Deus. MEDITAÇÃO: Então, é preciso preencher as lacunas e cuidar dos espaços vazios que existem em nosso caráter, se temos o desejo de amadurecer como seres humanos nesta existência. Neste sentido, os dez mandamentos foram dados para que saibamos como nos aproximar de Deus e como nos relacionar com a humanidade de uma maneira bendita e amorosa; que é o jeito de Deus viver a vida! Por isto, estes mandamentos são a ética que devemos desenvolver para preencher a nossa mente, coração e alma com os valores da vida de Deus. Ora, sabemos que os primeiros quatro mandamentos ensinam como podemos nos tornar seres humanos completos em nossa relação-religião diante de Deus. E logo após, nós aprendemos do quinto até o décimo mandamento o modo como seremos pessoas completas diante do próximo. São seis mandamentos convocando a humanidade para não fazer mal ao próximo, e desta forma, Deus vai preparar o nosso coração para que consigamos amar o próximo. Está entendendo? PENSE NISSO: Estes mandamentos para respeitar as autoridades da família e não mentir e não roubar, não matar e não caluniar, e não adulterar com a mulher do próximo são leis divinas mais importantes do que podemos imaginar. Pois primeiro Deus precisa frear a vaidade e egoísmo humano para depois, então, capacitar a gente para amar o próximo. Primeiro é preciso parar de fazer o mal, para então criar a oportunidade de começar a fazer o bem!   Dia 06. Trabalho. CUIDANDO DO MUNDO NA SEGUNDA-FEIRA. “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo e tomar conta dele”. (Livro de Gênesis: cap. 2, verso 15). APRESENTAÇÃO. A cada nova segunda-feira a humanidade tem a condição de transformar o caos em civilização, também através do trabalho. MEDITAÇÃO. Deus criou os seres humanos como pessoas conscientes e morais. Isto significa que podemos compreender a realidade ao nosso redor e agir para transformá-la, buscando benefícios para toda a comunidade humana. Neste sentido, a humanidade vai progredir como sociedade e evoluir como espécie ao se dedicar ao 'trabalho' diante de toda a realidade da criação. Ao utilizarmos a nossa racionalidade consciente envolta numa moralidade social, atuaremos diante das pessoas e na sociedade numa perspectiva de transformação e melhoria das condições de vida no planeta. O que seria de nossas vidas se a cada nova segunda-feira, os motoristas e enfermeiros, os professores e feirantes, os cozinheiros e lixeiros, os comerciantes e servidores públicos e tantos outros trabalhadores não estivessem praticando as suas profissões e fossem direto 'ao trabalho'? Você consegue imaginar a importância de todos estes trabalhadores anônimos que passam por nós a cada início de semana? Eles abraçam o desafio e a oportunidade de não somente ganhar o pão nosso de cada dia em suas vidas, mas especialmente, encaram a responsabilidade de cuidar um pouco de tudo que há no planeta, certo? Eles cuidam de pessoas a animais, de plantações e rebanhos, de lavouras e flores, de empresas e instituições. Cuidam, enfim, da natureza e mundo para promover também as boas relações trabalhistas comunitárias que transformam ajuntamentos em sociedades saudáveis. Ora, se não fosse por cada um deles, bem, o caos iria tomar conta de toda a nossa sociedade e logo iriamos perder toda civilidade, até nos tornarmos bárbaros. Neste sentido, vemos o bendito valor existencial de sermos vocacionados ao trabalho na história para o propósito de promover a prosperidade e as benesses da civilização. PENSE NISSO! Toda semana e a cada novo dia em que estivermos realizando qualquer trabalho e profissão será sempre um tempo dedicado a cuidar do mundo e toda humanidade. Feliz segunda-feira!   Dia 07. Caridade. OS VERDADEIROS DISCÍPULOS DE JESUS! "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: `Venham, vocês que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o reino que ele lhes preparou desde a criação do mundo. Pois tive fome e vocês me deram de comer. Tive sede e me deram de beber. Era estrangeiro e me convidaram para a sua casa. Estava nu e me vestiram. Estava doente e cuidaram de mim. Estava na prisão e me visitaram." (Evangelho de Mateus: cap. 25, versos 34-36). APRESENTAÇÃO: Jesus afirma que a capacidade dos seres humanos para agir com compaixão diante de uma pessoa necessitada é a verdadeira demonstração de que conhecem a Deus e são verdadeiros discípulos do Messias. MEDITAÇÃO: Ao ensinar sobre o Dia do Juízo da humanidade, Jesus de Nazaré falou dos famintos e sedentos de água, dos estrangeiros e dos miseráveis, dos presos e desprezados como aquelas pessoas que serão contadas por Deus para conhecer o coração e fé dos homens. Parece que Jesus está sempre renovando os princípios fundamentais da religião cristã, pois ele sabe que rapidamente esquecemos deles. Por isso, aprendemos de novo que Amar a Deus e Amar o próximo é o Maior Mandamento! E também, somos ensinados que os necessitados de receber misericórdia são todas as pessoas que se encontram em situação de solidão ou de fragilidade, como ocorre com os que passam fome e sede, são estrangeiros ou estão presos. Sim, não importa para Jesus se alguém está faminto porque não foi trabalhar, ou se alguém saiu de seu país porque queria viajar, e nem mesmo se alguém está preso e afastado da sociedade por algum crime cometido. PENSE NISSO! Para Jesus, mesmo que o motivo de alguém estar solitário e frágil sejam as suas próprias escolhas, isto não é uma boa razão para que essa pessoa não seja respeitada em suas necessidades. Portanto, dar um copo de água ou fazer uma visita ao solitário são atitudes cristãs fundamentais para quem deseja começar a aprender a amar o próximo! Dia 08. Trabalho. UMA ALIANÇA COM DEUS PARA TRANSFORMAR O MUNDO. “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cultivá-lo (...) O Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu. Trouxe-os ao homem para ver como os chamaria, e o homem escolheu um nome para cada um deles”. (Livro de Gênesis, cap. 2, versos 15 e 19). APRESENTAÇÃO. O trabalho profissional é uma atividade cultural abençoada por Deus para os homens atuarem no desenvolvimento da natureza e criação. MEDITAÇÃO. Deus nos criou com capacidade para perceber a realidade e com um raciocínio capaz de vislumbrar transformações para o ambiente em que vivemos. Algo que ocorre de modo objetivo através de nossas atividades de trabalho e nas funções profissionais. Além da capacidade racional, Deus também deu autoridade aos homens para que assumam o bom governo e trato de toda a criação. Sendo algo desenvolvido de modo bendito assim que os seres humanos se dedicam a organizar uma utilização harmoniosa de toda a natureza do planeta. Esse conhecimento foi esclarecido de modo valioso pelo teólogo e pensador protestante, John Stott: "a natureza é uma criação divina; a cultura é fruto do cultivo humano. Deus nos convida a partilharmos de seu trabalho. De fato, nosso trabalho passa a ser um privilégio quando entendemos que estamos colaborando com Deus." (p. 23, 2007). Observe o modo como Deus plantou um grande jardim de possibilidades em nosso mundo. Assim, nós somos vocacionados para abraçar ao lado de Deus o chamado para cultivar neste planeta a construção de sociedades que avançam no conhecimento, enquanto desenvolvem a edificação de uma vida próspera. Tudo isto pela graça e bondade de Deus. PENSE NISSO! Ao assumir atividades de trabalho nas mais diversas situações e lugares, fazemos aliança com Deus para promover bênçãos por toda a Terra, no cultivo das transformações necessárias no mundo.   Dia 09. Caridade. A RELIGIÃO CRISTÃ CUIDA DE ÓRFÃOS E VIÚVAS. “A religião pura e verdadeira aos olhos de Deus, o Pai, é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo”. (Carta de Tiago: cap. 1, verso 27). APRESENTAÇÃO. O mundo dos humanos pode se esquecer de Deus, mas Deus Pai jamais esquece os seres humanos deste mundo, afinal, ”o necessitado, porém, não será esquecido para sempre; a esperança dos pobres nunca mais será frustrada”. (Salmo 9, verso 18). MEDITAÇÃO. Crianças e adolescentes órfãos abandonados e mulheres viúvas fragilizadas brotam aos milhares durante as guerras e quando há conflitos sociais graves nas nações. Infelizmente, parece que além das guerras entre países, também há ‘guerras’ familiares e sociais que fazem crescer muito perto de nós, o número de viúvas abandonadas e de órfãos desamparados. Essa realidade sempre foi comum na história da humanidade e acontecia também na época dos profetas e apóstolos, como vemos nos textos bíblicos. Mas Deus utiliza exatamente estes profetas e apóstolos para falar diretamente sobre a importância essencial de – sempre, darmos atenção e cuidado aos que se encontram sem ninguém em suas vidas: especialmente, órfãos e viúvas. Algumas das mais importantes e necessárias instituições cristãs de ações sociais que conheço são aquelas que foram organizadas para prestar atendimento a estes desamparados e abusados, que são os órfãos e as viúvas. E também, podemos incluir neste grupo um número cada vez maior de mulheres mães que se encontram abandonadas com filhos pequenos, o que requer cada vez mais, que surjam instituições de ação social capazes de oferecer casas lares e ambientes com espaço adequado para receber mães com bebês e crianças. PENSE NISSO! Por isto mesmo, os cristãos não podem ignorar nem ficar distantes destas boas ações de amor ao próximo, já que o coração de Deus sofre com eles: “pois o Senhor, seu Deus, é Deus dos deuses e Senhor dos senhores... Ele faz justiça aos órfãos e às viúvas...”. (Livro de Deuteronômio: cap. 10: versos 17-18). Dia 10. Trabalho. TRABALHO: UMA BÊNÇÃO PARA TODA A HUMANIDADE. “A terra e tudo que nela há são do Senhor; o mundo e todos os seus habitantes lhe pertencem. Pois sobre os mares ele edificou os alicerces da terra e sobre as profundezas do oceano ele a estabeleceu”. (Salmo 24, versos 1-2). APRESENTAÇÃO. Deus abençoa a vida no planeta Terra através de atos soberanos que Ele derrama sobre todas as pessoas, em todo o tempo: uma Graça Comum oferecida para a humanidade. MEDITAÇÃO. Após um fim de semana de descanso ou poucas atividades, o início da semana traz consigo a correria e as tensões do trabalho. A revelação bíblica de que a Queda da Humanidade diante de Deus pelo pecado causaria dificuldades para a realização das atividades de trabalho, como explicado em Gênesis: cap. 3, versos 17-19; parece apoiar a ideia de que após o final de semana, a vida passa por um período de cinco dias de cansaço e dores. Isto não é verdade! A separação entre Deus e a humanidade ocorrida na ‘Queda’ não impede o Senhor de continuar abençoando a nossa existência. Deus Pai segue buscando os seres humanos para uma religião-religação visando um novo relacionamento espiritual valioso para conosco, em Jesus Cristo. Observe que o princípio definido por Deus na criação para que os homens fossem responsáveis pelo cuidado de todo o planeta é anterior à queda, e permanece assim sobre toda a nossa história. Desta forma, a bênção de toda a criação que o Senhor continua derramando sobre a humanidade para que possamos desenvolver a natureza em favor de nossa existência pessoal e comunitária, segue sendo uma oportunidade bendita para todos os seres humanos. PENSE NISSO! Esta oportunidade e privilégio é uma bênção divina denominada de ‘Graça Comum’, que Deus continua derramando sobre a humanidade no decorrer de toda a história. Portanto, aproveite a oportunidade do trabalho a cada nova semana em todos os dias da vida.   Dia 11. Caridade. A ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE CARIDADE DA IGREJA. “Nós, apóstolos, devemos nos dedicar ao ensino da palavra de Deus... Sendo assim, irmãos, escolham sete homens respeitados, cheios do Espírito e de sabedoria e nós os encarregaremos desse serviço”. (Livro de Atos: cap. 6, versos 2-3). APRESENTAÇÃO. O início histórico formal da Igreja dos Cristãos contava com dois tipos de líderes: os apóstolos, mestres que iriam pregar o evangelho e assumir o ministério da Palavra; e os diáconos, homens tementes a Deus chamados para organizar o ministério de Caridade e Ação social da igreja primitiva. MEDITAÇÃO. Nos primeiros anos de ajuntamento dos cristãos em igrejas e comunidades, as viúvas se tornaram o grupo que deveria receber os cuidados necessários e um atendimento especifico através do auxílio de alimentos. A narrativa histórica no capítulo seis do livro de Atos traz o testemunho do Apóstolo Lucas de que este atendimento precisava de uma gestão organizada, já que as viúvas dos judeus que falavam o idioma grego estavam sendo esquecidas, até em razão de algum tipo de preconceito. A partir disto, os Apóstolos de Jesus fizeram uma reunião e decidiram que sete homens respeitáveis deveriam ser escolhidos para assumir este serviço de caridade. Foi assim que os apóstolos criaram o primeiro projeto de ação social da igreja, sendo denominado de ministério de diáconos. Os primeiros diáconos da igreja foram Estevão e Filipe, Prócoro e Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau. Conforme o apóstolo Lucas: “Esses sete foram apresentados aos apóstolos, que oraram por eles e lhes impuseram as mãos. Assim a mensagem de Deus continuou a se espalhar. O número de discípulos se multiplicava em Jerusalém, e muitos sacerdotes também se converteram." (Livro de Atos: cap. 6, versos 6-7). PENSE NISSO! A Igreja de Jesus Cristo organizou logo em seu início um ministério de atendimento aos necessitados, sendo uma tarefa assumida pelos diáconos; título oriundo do termo grego ‘diakoneo’, que significa ‘servir’.   Dia 12. Trabalho. MUITAS CONQUISTAS. POUCA SATISFAÇÃO! “Por isso, concluí que a melhor coisa a fazer é desfrutar a comida e a bebida e encontrar satisfação no trabalho. Percebi, então, que esses prazeres vêm da mão de Deus (...) Deus concede sabedoria, conhecimento e alegria àqueles que lhe agradam”. (Livro de Eclesiastes: cap. 2, versos 24-26). APRESENTAÇÃO. Somente Deus pode propiciar satisfação no uso e gozo dos bens que adquirimos em nossas atividades de trabalho. MEDITAÇÃO. Salomão é o maior escritor de textos de sabedoria bíblica, e seu livro chamado ‘Eclesiastes’ inicia com uma das declarações mais icônicas sobre esse tipo de conteúdo: “Nada faz sentido”, diz o Mestre. “Tudo é vaidade”. (Livro de Eclesiastes: cap. 1, verso 2). Após anotar a triste realidade humana de que não fazia sentido e nem trazia significado algum, o fato dos homens trabalharem a vida toda somente para conquistar bens, que também não conseguiriam usufruir ou manter consigo após a morte. E junto ainda, da possibilidade de que os filhos viessem a desperdiçar os bens alcançados pelos pais, então, o Sábio Salomão apresentou um princípio valioso sobre o valor das atividades de trabalho na vida: o temor a Deus! Neste sentido, agir com Temor a Deus em todas as áreas da vida significa estar atento para a presença e para os mandamentos do Senhor em todas as coisas que realizamos. Significa valorizar os bons propósitos de Deus para o cotidiano simples e necessário da vida humana. De modo que, algumas das situações que consideramos sem utilidade e as realizações que percebemos como inúteis no decorrer do tempo, ainda assim, serão momentos de vida dignos e apreciados pela humanidade, se forem vivenciados no devido temor diante de Deus! PENSE NISSO! Somente Deus tem o poder bendito de estender a mão sobre o ser humano para que possamos vivenciar de forma abençoada as atividades mais básicas da existência, como beber, comer e também, trabalhar.   Dia 13. Caridade. DESENVOLVENDO A CARIDADE NA IGREJA. "Cuidem que ninguém retribua o mal com o mal, mas procurem fazer o bem uns aos outros e a todos." (1 Carta aos Tessalonicenses: cap. 5, verso 15). APRESENTAÇÃO. O Apóstolo Paulo recordava continuamente a importância de amar o próximo nas relações vivenciadas pelos cristãos em comunidade, vindo a ministrar o aprendizado espiritual da caridade em seus corações e mentes. MEDITAÇÃO. Logo entre os anos 50 e 51, o Apóstolo Paulo destacou na primeira carta aos Tessalonicenses o princípio fundamental de que os cristãos deveriam se ocupar de fazer o bem uns aos outros. Anos mais tarde, Paulo estava saindo de Éfeso e enviou ainda no ano 55 a sua segunda carta aos Coríntios. São dois capítulos inteiros em que Paulo trata da caridade cristã movida pela generosidade que nasce de um coração cheio de misericórdia. Paulo estava confirmando que o amor que os cristãos dedicam ao próximo faz parte do modo como eles desenvolvem um relacionamento espiritual verdadeiro diante de Deus, o Pai. O apóstolo entende teologicamente que a caridade na comunidade religiosa é uma atitude cristã virtuosa que deve ser incorporada ao estilo de vida dos discípulos de Jesus. Pois, assim como se devem buscar os frutos da bondade e da compaixão dados pelo Espírito Santo para formar um novo coração, o cristão deverá igualmente se dedicar de forma semelhante a fazer a caridade até criar um novo caráter na sua personalidade. Neste propósito, o apóstolo Paulo ensina que a contribuição ao necessitado é uma prática do reino dos céus que os cristãos devem semear em suas vidas. Dá uma olhada: "visto que vocês se destacam em alguns aspectos - na fé, nos discursos eloquentes, no conhecimento, no entusiasmo e no amor que receberam de nós - queríamos que também se destacassem no generoso ato de contribuir”. (2 Carta aos Coríntios: cap. 8, verso 7). PENSE NISSO! Ao concluir essa reflexão doutrinária sobre a experiência da caridade na igreja cristã, Paulo evoca a palavra dada por Jesus no sermão do monte, quando o Messias afirmou que as boas obras dos filhos de Deus praticadas no mundo iriam fazer as pessoas reconhecer a Deus Pai, que está nos céus: “Como resultado do serviço de vocês, eles darão glória a Deus. Pois sua generosidade com eles e com todos os que creem mostrará que vocês são obedientes às boas-novas de Cristo." (2 Carta aos Coríntios: cap. 9.13).   Dia 14. Trabalho. O PÃO NOSSO E O TRABALHO DE CADA DIA. "Jesus disse: 'Orem da seguinte forma: "Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Dá-nos hoje o pão para este dia, e perdoa nossos pecados, assim como perdoamos aqueles que pecam contra nós...". (Evangelho de Lucas: cap. 11, versos 1-4). APRESENTAÇÃO. A Oração em que pedimos o ‘pão nosso de cada dia’ é muito mais que uma intercessão por bênçãos e cuidados materiais. Pois a oração do ‘Pai Nosso’ revela o cuidado pessoal de Deus com as nossas vidas no Reino dos céus. MEDITAÇÃO. A Oração fundamental dos cristãos em seu relacionamento religioso com o Deus Todo Poderoso aborda vários temas essenciais da existência humana no planeta Terra. E também para a nossa vida na eternidade. Jesus orienta os fiéis cristãos a descobrir como se relacionar com Deus de modo adequado e bendito nesta oração, e assim, somos chamados a exalta-lo através do ensino para Santificar o seu Nome, além de clamar para que Deus reine e faça cumprir a sua vontade em nossas vidas. Jesus recorda especialmente a importância de descobrirmos que Deus é Pai! Por isto mesmo, ele explica que as nossas necessidades diárias mais básicas são um pedido valioso e oportuno diante do Senhor. E porque Deus é realmente o nosso Pai, Jesus logo ensina a petição que melhor esclarece esse cuidado amoroso do Senhor para conosco: o pedido para receber o ‘pão nosso’ para cada dia. O importante é perceber que o Senhor está sempre mais interessado no conjunto da 'obra' em nossas vidas, do que somente cuidar de nossos pedidos imediatos. Devemos entender o modo como o Senhor deseja fazer prosperar o nosso trabalho e profissão, para nos abençoar como filhos fiéis, trazer progresso a toda sociedade e também, para que saibamos quem é Deus! Daí a importância de refletir como a petição do ‘pão nosso’ contém todas as bênçãos que precisamos para o atendimento de nossas necessidades básicas e essenciais, como o alimento e a bebida, as vestimentas e a saúde, a segurança e a moradia, e a própria oportunidade do trabalho etc. A partir disto, também entendemos o valor do nosso trabalho, posto que Deus governa o mundo utilizando todas as situações e meios, pessoas e instituições que Ele mesmo criou e organiza na história, exatamente para atender as nossas necessidades. PENSE NISSO! Não perca a oportunidade de buscar a atenção e o cuidado de Deus para seus projetos e atividades profissionais, intercedendo igualmente por seus colegas e empresa. Pois a petição do 'pão nosso' foi ensinada para nos abençoar materialmente, junto ao amadurecimento de nossa fé! Deus abençoa a nossa vivência profissional e as oportunidades de trabalho, que se tornam meios diretos utilizados por Ele para cuidar de nós e de nossa jornada espiritual. Oremos!   Dia 15. Caridade. DEUS GOVERNA AS BÊNÇÃOS MATERIAIS DA IGREJA NA CARIDADE. “E esse mesmo Deus que cuida de mim lhes suprirá todas as necessidades por meio das riquezas gloriosas que nos foram dadas em Cristo Jesus." (Carta aos Filipenses: cap. 4, verso 19). APRESENTAÇÃO. O amor ao dinheiro pode se tornar a razão de muitos problemas, mas é possível utilizar os bens materiais para atender o próximo, gerando uma administração valiosa dos bens disponibilizados por Deus em nossas vidas. MEDITAÇÃO. Nesta carta aos filipenses e na segunda carta aos coríntios, o Apóstolo Paulo revela o modo como Deus é a fonte dos recursos materiais e espirituais que os cristãos recebem em suas vidas, sendo uma graça de Deus para suprir as nossas necessidades. A obediência e visão bendita no uso destes bens materiais recebidos do Senhor, também vai honrar o governo de Deus sobre o modo como Ele cuida das necessidades da igreja nas mais diversas situações e necessidades de seu povo. Ao redor do ano 61 d.C., Paulo escreve direto da prisão em Roma para os cristãos filipenses. O apóstolo revela a sua gratidão pelas ofertas enviadas lá da Igreja de Filipos, sendo uma atitude que demonstra a força da generosidade cristã comunitária diante das dificuldades individuais vivenciadas por alguns irmãos: "Como eu me alegro no Senhor por vocês terem voltado a se preocupar comigo... Posso todas as coisas por meio de Cristo, que me dá forças. Mesmo assim, vocês fizeram bem em me ajudar na dificuldade pela qual estou passando...". (Carta aos Filipenses: cap. 4, versos 10-19). Na década de 60, entre os anos em que saiu da prisão em Roma até para lá voltar e ser martirizado em 68 d.C., o Apóstolo Paulo escreve novamente sobre a importância do mandamento da caridade aos cristãos, orientando a Timóteo entre os anos de 62 a 64. Nesta ocasião, Paulo chama a atenção dos familiares das viúvas, enquanto também orienta algo fundamental aos ricos: "Cuide das viúvas que não tem ninguém para ajuda-las. Mas, se elas tiverem filhos ou netos, a primeira responsabilidade deles é mostrar devoção no lar e retribuir aos pais o cuidado recebido. Isso é algo que agrada a Deus (...) Ensine aos ricos deste mundo que não se orgulhem nem confiem em seu dinheiro, que é incerto. Sua confiança deve estar em Deus, que provê ricamente tudo de que necessitamos para nossa satisfação. Diga-lhes que usem seu dinheiro para fazer o bem. Devem ser ricos em boas obras e generosos com os necessitados, sempre prontos a repartir. Desse modo, acumularão tesouros para si como um alicerce firme para o futuro, a fim de experimentarem a verdadeira vida." (1 Carta a Timóteo: cap. 5.3 - 6.19). Aprendemos aqui que a caridade é uma bondade que inicia dentro da nossa casa e junto de nossos parentes, além de ser um aprendizado constante sobre o modo como lidamos com os nossos bens materiais para agradar a Deus. PENSE NISSO! Deus também nos abençoa com bens materiais para que sejamos seus braços e mãos no atendimento aos necessitados. O Senhor utiliza os princípios da sua Palavra para que o dinheiro não venha a dominar os nossos corações, fazendo-nos aprender a governar os bens materiais para realizar o bem.   DIA 16. Trabalho. A BÊNÇÃO DA COMIDA, BEBIDA E ROUPAS. “Busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas”. (Evangelho de Mateus: cap. 6, verso 33). APRESENTAÇÃO. Quanto mais próximos de Deus e das verdades de seu Reino, mais perto estamos de ser abençoados com o suprimento de nossas necessidades. MEDITAÇÃO. Vimos como a petição do ‘Pão Nosso’ é uma oração apropriada para Deus nos abençoar a fim de recebermos as benesses oriundas do trabalho. Agora, veremos como Deus promete mais uma vez, que irá cuidar de nosso sustento. O texto bíblico acima trata precisamente da bebida, comida e vestimenta de todos nós, como sendo “todas essas coisas”, que nos serão dadas se buscarmos em primeiro lugar o Reino dos Céus. Bem, o Reino dos Céus trata da Pessoa e atos mediadores do Rei Jesus na história, quando Ele chama a humanidade para uma redenção religiosa que vai oportunizar a todos a condição de conhecer a Deus Pai - pela salvação de nossos pecados. E a Justiça divina tem relação tanto com o fato de Jesus ser o Justo, como também, sobre o fato de que Deus deseja que haja justiça e integridade no mundo. O destaque é a união entre a promessa de que Deus irá abençoar nossas vidas até suprir as nossas necessidades – e a integração dessa promessa com o valor que devemos dar para o Reino e a Justiça de Deus. Aprendemos como profissionais de uma empresa ou como proprietários de negócios, que devem-se respeitar o valor da religião e do nome de Deus no ambiente de trabalho. E que as virtudes da justiça e da integridade sejam ali promovidas. PENSE NISSO! Desta forma, o nosso ambiente profissional estará preparado para receber as bênçãos de Deus enquanto perseguimos os nossos objetivos de prosperidade, a cada novo dia de trabalho.   Dia 17. Caridade. A CARIDADE É PRATICADA PRIMEIRO DIANTE DE DEUS. “Deem sua ajuda em segredo, e seu Pai, que observa em segredo, os recompensará”. (Evangelho de Mateus: cap. 6, verso 4). APRESENTAÇÃO. A religião do Cristianismo ensina três atividades devocionais que os cristãos devem praticar diante da Pessoa de Deus: a oração, o jejum e a caridade. Assim, a caridade humanitária se torna uma prática religiosa que Deus recebe pessoalmente, de você direto para com Ele! MEDITAÇÃO. Jesus esclarece no Sermão do Monte que há dois tipos de boas obras que os cristãos devem praticar: as boas obras sociais e as boas obras religiosas. As boas obras sociais são aquelas que a gente pratica ao se relacionar diretamente com as pessoas e na sociedade em geral, cumprindo os mandamentos morais e éticos dados por Deus. Enquanto isto, as boas obras religiosas e piedosas são aquelas que fazemos perante a face de Deus, sendo que Jesus define o valor essencial dessa prática piedosa no Evangelho de Mateus, cap. 6, versos 1 a 4: "Tenham cuidado! Não pratiquem suas boas ações em público, para serem admirados por outros... E seu Pai, que observa em segredo, os recompensará." Sim, as boas obras religiosas são atividades piedosas que tem seu valor espiritual baseado no conhecimento que Deus tem delas. Agora, observe que interessante, pois a Caridade é uma boa obra religiosa cristã diante de Deus em primeiro lugar, mas que devemos praticar objetivamente para servir a outros seres humanos. Desta forma, a prática da justiça religiosa da caridade se torna uma virtude piedosa que exemplifica o próprio resumo da lei divina, de Amar a Deus e Amar o próximo. Este ensino de Jesus dado no Sermão do Monte significa uma verdade celestial do reino de Deus que devemos abraçar grandemente em nosso coração para que consigamos amadurecer como pessoas espirituais diante de Deus. PENSE NISSO! A prática da caridade coloca eu e você diretamente diante da Pessoa de Deus enquanto fazemos o bem ao próximo, sendo uma vivência relacional de íntima proximidade junto do Senhor enquanto abraçamos outros seres humanos em suas necessidades. Uma virtude religiosa cristã admirável e espiritual!   Dia 18. Trabalho. BENS TERRENOS E DORES ETERNAS. “Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam. Ajuntem seus tesouros no céu (...) Onde seu tesouro estiver, ali também estará seu coração”. (Evangelho de Mateus: cap. 6, versos 19-21). APRESENTAÇÃO. O coração do homem segue seus olhos e mãos na conquista e uso do dinheiro, daí a importância de administrar corretamente os nossos bens. MEDITAÇÃO. Os ganhos financeiros que adquirimos neste mundo vivendo junto aos homens podem corroer e ser roubados. Enquanto isto, os tesouros e conquistas de 'bens' celestiais que vivenciarmos na sociedade dos homens não serão corroídos pelas traças e nem roubados pelos ladrões. Daí a importância de saber o que significa buscar primeiro o Reino de Deus através de nossa atividade profissional - algo que irá fazer com que alcancemos ‘bens celestiais’, enquanto também geramos prosperidade ao trabalhar em sociedade. De modo geral, os princípios bíblicos para agir profissionalmente com integridade pessoal, consciência social e temor a Deus são aqueles que também irão nos conduzir a levar a sério o Reino de Deus no ambiente de trabalho. Mas, há um destaque nesse texto bíblico que devemos prestar atenção: o nosso trabalho pode se tornar uma atividade geradora de muitas angústias e dores. E não devemos ignorar que um grande motivo de sofrimento, ansiedade e tensão profissional ocorre não somente porque os 'bens terrenos' são perdidos e roubados; mas sim, porque "onde está o teu tesouro, aí estará também o seu coração". PENSE NISSO! Toda perda ou prejuízo de bens não será somente material, mas pessoal e profundamente espiritual em nossa personalidade, se nosso coração estiver ancorado em tesouros terrenos. Tenha cuidado!   Dia 19. Caridade. A MISERICÓRDIA É UM SACRIFÍCIO AGRADÁVEL. "Quero que demonstrem misericórdia, e não que ofereçam sacrifícios. Pois não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores”. (Evangelho de Mateus: cap. 9, verso 13). APRESENTAÇÃO. A religião do cristianismo oferece primeiro a experiência de um relacionamento novo com Deus, para somente depois aguardar o modo como Deus vai renovar o nosso coração, até capacitar a gente para fazer boas obras cristãs de caridade. Somente após receber o atendimento divino para tratar as nossas necessidades espirituais é que iremos ganhar um coração de valores cristãos para nos dedicar ao próximo. MEDITAÇÃO. Jesus revelou essa verdade espiritual do Evangelho Cristão aos fiéis religiosos mais dedicados do primeiro século, quando eles reclamaram que ele estava "andando" demais com "pecadores". Mas, os encontros de Jesus Cristo junto aos homens e mulheres de sua época terminavam quase sempre numa atitude de arrependimento e humildade daqueles que se encontravam com ele. Pois os olhares e palavras misericordiosos de Jesus moviam mudanças no interior espiritual das pessoas. Ao mesmo tempo, as lideranças religiosas comuns da época buscavam mudar as pessoas numa perspectiva mais exterior e legalista, pois anunciavam as leis divinas enquanto afirmavam que as pessoas seriam condenadas se fossem desobedientes. Atitude que também pode gerar uma jornada religiosa natural e falha na religiosidade, sem a busca do poder e presença de Deus. São maneiras diferentes de se entender a natureza pecaminosa da humanidade para então se relacionar com as pessoas. Jesus se dedica a esclarecer as dificuldades morais dos seres humanos, e por isso nos chama de "doentes que precisam de médicos". No entanto, aqueles que colocam a religiosidade antes da misericórdia, ficam mais interessados em condenar as fraquezas morais das pessoas, definindo que estas eram "pecadores" contumazes, de quem Jesus deveria se distanciar. No entanto, Jesus veio como emissário das Boas Novas do Evangelho para oferecer perdão e oportunidade ao invés de condenação e juízo! Como destaca o comentarista bíblico inglês John Stott, Jesus acolhe somente os pecadores, pois se não fosse assim, nenhuma de nós teria esperança. Quando colocamos as expectativas da religiosidade legalista acima do sentimento de misericórdia cristão diante da humanidade, nós valorizamos a administração eclesiástica dos homens em detrimento da graciosa governança do Evangelho sobre a existência humana. PENSE NISSO! Jesus trata a doença do pecado na humanidade afirmando que a religião cristã apresenta uma espiritualidade de Misericórdia, exatamente para que sejamos capazes de oferecer tanto misericórdia religiosa como misericórdia caridosa ao próximo.   Dia 20. Trabalho. E DEUS CRIOU O TRABALHO. "Então Caim fundou uma cidade (...) Lameque (seu quinto descendente) se casou com duas mulheres. (...) Ada deu à luz Jabal; ele foi o precursor dos que criam rebanhos e moram em tendas. Seu irmão se chamava Jubal, o precursor dos que tocam harpa e flauta. Zilá, a outra mulher de Lameque, deu à luz um filho chamado Tubalcaim, que se tornou mestre em criar ferramentas de bronze e ferro." (Livro de Gênesis: cap 4, versos 17-22). APRESENTAÇÃO. Toda atividade de trabalho é uma possibilidade valiosa dada por Deus aos homens, sendo uma oportunidade de desenvolvermos as nossas aptidões e talentos como seres humanos. MEDITAÇÃO. O mesmo Deus Pai Todo Poderoso Criador dos céus e da terra que trouxe luz ao planeta, dando início aos atos de organização de nosso mundo celeste e terreno, também preparou este mundo para vivermos nossas vidas de forma bendita. Ele fez isto gerando sementes e árvores, frutos e uma boa vegetação, e finalmente o Senhor criou a humanidade à sua imagem e semelhança, com a capacidade bendita de realizar tudo que é importante para a nossa existência. E tudo que os seres humanos desenvolvem no mundo utilizando a nossa potencialidade racional pode ser definido em uma única palavra: cultura. Deus criou o planeta, toda a natureza e realidade que vemos, e o homem pode transforma-la, desenvolvendo assim a cultura dos seres humanos. Pois cultura é tudo aquilo que os Seres humanos promovem para transformar toda a natureza e as riquezas existentes no mundo. O texto bíblico acima avança no conhecimento do modo como Deus nos abençoa e capacita para a cultura do trabalho. Pois observamos que Deus deu talentos e aptidões aos homens nas áreas mais diversas e necessárias ao bom desenvolvimento de nossas vidas e sociedades, desde a agropecuária e artes, até o uso dos minerais e tecnologias. Desta forma, quando os homens se dedicam a cultivar a terra, então criam a agricultura e quando se interessam em contar histórias e pintar telas, então criam as artes. Ao prestar serviços ou adquirir alguma coisa do outro, os seres criam e movem a economia, que também gera empregos e distribui riquezas na sociedade. Nessa perspectiva cristã sobre a criação do mundo, para que haja uma interação bendita entre as capacidades humanas diante de toda a natureza e da realidade social, então, toda profissão e trabalho devem ser vistos como uma oportunidade pessoal e comunitária para todos. PENSE NISSO! Tudo isto foi planejado e distribuído por Deus nas mentes e personalidade dos homens. Pois foi Ele que capacitou a raça humana para projetar comunidades e avançar como sociedade ordenada nas mais diversas áreas da vida, a partir de suas atividades laborais. Pois toda a natureza foi dada ao cuidado dos homens para que nela viéssemos a promover uma sociedade que agrada a Deus e prospera a existência humana.   Dia 21. Trabalho. A PROSPERIDADE DA GENEROSIDADE. "Compartilha generosamente com os necessitados... Pois é Deus quem supre a semente para o que semeia e depois o pão para seu alimento. Da mesma forma, ele proverá e multiplicará sua semente e produzirá por meio de vocês muitos frutos de justiça." (2 Carta aos Coríntios: cap. 9, 9-10). APRESENTAÇÃO. A generosidade do cristão promove a prosperidade de Deus. MEDITAÇÃO. Desde que ouvimos falar que o 'Pão Nosso de Cada Dia' é um pedido de oração correto daqueles que desejam receber bênçãos na vida profissional, então, nós também começamos a pensar sobre o significado do trabalho do homem, de uma forma mais ampla diante de Deus. Um princípio importante para levar aos nossos ambientes e atividades profissionais é perceber como a generosidade movimenta a prosperidade da humanidade no mundo espiritual; conforme lemos no princípio bíblico acima, que orienta a caridade. Portanto, as conquistas financeiras de nossas empresas e oriundas de nossa profissão também devem ser utilizadas para atender as necessidades do próximo. Neste sentido, observe que há diversas maneiras de criar um movimento de generosidade nas suas atividades profissionais e na empresa de que você faz parte, como, por exemplo: ações de responsabilidade social junto da Sociedade e em colaboração com o Estado e também, participação em voluntariados e campanhas junto de instituições de ação social. É possível que na própria região em que sua empresa está localizada haja uma atividade de assistência social importante e necessária para a comunidade, sendo algo que a condição econômica de sua empresa e funcionários poderá atender de modo valioso. PENSE NISSO! Todo o cuidado oferecido para a comunidade e até para os funcionários será importante para que sejamos parte de uma estrutura econômica mais generosa, assumindo valores existenciais que agradam a Deus. Seja generoso!   Dia 22. Caridade. A SOLIDARIEDADE CRISTÃ NO IMPÉRIO ROMANO. Introdução e Fundamentos. “É da vontade de Deus que, pela prática do bem, vocês calem os ignorantes que os acusam falsamente. Pois vocês são livres e, no entanto, são escravos de Deus; não usem sua liberdade como desculpa para fazer o mal. Tratem todos com respeito e amem seus irmãos em Cristo. Temam a Deus e respeitem o rei”. (1 Carta de Pedro: cap. 2, versos 15-17). Esta meditação histórica traz citações e desenvolve o conteúdo do texto, "o cristianismo como rede de solidariedade", de Gustavo A. Leal Brandão. APRESENTAÇÃO. “A igreja cristã primitiva foi um dos primeiros movimentos de alcance social abrangente e organizado, baseado na reciprocidade, redistribuição e no núcleo familiar." (p. 63). MEDITAÇÃO. O cristianismo entendia que a vontade de Deus era estabelecida através de uma religião integral, que deveria ocorrer tanto numa relação vertical diante do Senhor como horizontal diante do próximo. Esta compreensão valorizou a maneira como os cristãos deveriam viver em sociedade a partir de sua fé religiosa. Este valor da religiosidade cristã se tornou um princípio essencial da Igreja durante o Império Romano, que perseguiu os cristãos durante dois séculos, até que a partir do início do ano 300 d.C., autoridades e a maior parte da população se converteram ao cristianismo em toda a região. Sendo que o símbolo dessa transformação foi a conversão do Imperador Constantino entre os anos 313 a 320. Neste contexto histórico, o professor Rodney Stark estudou algumas das razões sociais que oportunizaram a conversão de milhões de cidadãos do império pelo conhecimento do Evangelho, pela ação sobrenatural do Espírito Santo. Ele concluiu que “a generosidade cristã e a ênfase na reciprocidade transformaram o movimento inicial em um eficiente sistema de apoio e ajuda, focado numa rede de bem-estar social de alto impacto, principalmente nas vidas de pessoas idosas, viúvas e órfãos”. (p. 64). O Cristianismo se organizou como uma religião social atenta aos cidadãos de todas as classes, de modo que os fiéis cristãos praticavam uma religiosidade de relacionamento direto com Deus e sem sacerdotes intermediários. Sendo desnecessário entregar ofertas para afastar a ira de Deus, já que o único sacrifício requerido era “o amor demonstrado através de ações de caridade e solidariedade para com o próximo e os necessitados”. (p. 66). Ser cristão tornou-se uma atividade religiosa pela qual os fiéis deveriam estabelecer relacionamentos benditos com Deus e com as pessoas, dedicando especial atenção aos necessitados. PENSE NISSO! Nessa perspectiva religiosa e contexto histórico, é possível entender que a prática do amor cristão ao próximo foi um fator valioso no impacto e desenvolvimento do cristianismo no império romano. Amar a Deus e amar o próximo é o resumo da lei cristã em todo tempo e lugar da história. (p. 67).   Dia 23. Caridade. A SOLIDARIEDADE CRISTÃ NA IGREJA PRIMITIVA. Obras de Misericórdia. “Não se limitem, porém, a ouvir a palavra; ponham-na em prática. (...) De que adianta, meus irmãos, dizerem que têm fé se não a demonstram por meio de suas ações? (Carta de Tiago: cap. 1, 22 e 2, 14). Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo do texto, "o cristianismo como rede de solidariedade", de Gustavo A. Leal Brandão. APRESENTAÇÃO. Os cristãos atendiam tanto os irmãos da fé como toda a população a seu redor, assumindo de maneira bendita que Amar a Deus para o fiel religioso é também Amar o próximo. MEDITAÇÃO. Duas graves epidemias vieram a causar grande mortandade no Império Romano nos séculos 2 e 3 d.C. Ao redor do ano de 180 o Imperador e quase 1/3 da população morreram ao serem acometidos de uma epidemia de varíola. Enquanto que no ano de 251 uma epidemia de sarampo causou grande número de mortes aos cidadãos residentes nas cidades e também regiões do interior. Nesta realidade, a sociedade romana deste período histórico sofreu gravemente com invasores e especialmente pelas aflições oriundas das epidemias. (p. 68). Diante destes fatos históricos, os Pais da Igreja Cipriano, Dionísio e Eusébio vieram a declarar que as dores humanas e dificuldades sociais vivenciadas nas epidemias se tornaram uma ocasião importante para o desenvolvimento do Cristianismo no Império Romano. A organização social e as relações humanas no império enfraqueceram e geraram o abandono de milhares de cidadãos, sendo que a vivência da solidariedade cristã através de pequenos grupos de apoio junto da sociedade romana gerou situações de cuidado e atenção aos necessitados, o que fez crescer o conhecimento da religião e o número de conversões à fé cristã. (p. 68-69). Os cristãos entendiam que a melhor resposta era dedicar-se à boa prática dos mandamentos bíblicos básicos, vindo a desenvolver uma ética relacional cristã de adoração ao Senhor: “A igreja cristã incipiente demonstrou que a convicção da salvação deve ser expressa por meio de ações de solidariedade e ajuda ao próximo, conforme determinava o centro de sua fé: amar a Deus amando o próximo”. (p. 70). Assim, aquelas tragédias epidêmicas ocorridas no império romano nos primeiros séculos se tornaram uma situação real para os cristãos reagirem conforme a sua fé mais verdadeira, pois tanto os cristãos como os pagãos buscavam sobreviver diante da grave realidade que dominava a sociedade. A fuga das cidades não significava salvação de doenças, pois nem sempre havia um local adequado para buscar sobrevivência e segurança, enquanto que as explicações místicas e filosóficas orientavam que as tragédias eram oriundas da ´sorte`, e por isto não davam qualquer sentido existencial para o que ocorria, deixando uma sensação de desesperança. A comunidade de cristãos sofria como toda a população, mas conseguia enfrentar a calamidade a partir de verdades da sua fé, buscando significado diante da realidade e conforto na mensagem da vida após a morte pela ressurreição de Jesus Cristo. O Bispo Cipriano de Cartago ensinava aos cristãos que era um momento de avaliação da vida e de valores, sendo que nenhum deles deveria ter medo da morte, mas que era necessário confiar nas palavras de Jesus de que a “coroa da vida os aguardava”. (p. 71). PENSE NISSO! Líderes cristãos pregavam fé e esperança, enxergando a situação como uma oportunidade de provação da fé em Jesus. Desse modo, o cristianismo não tentava explicar as tragédias, mas buscava tratar as dores do ser humano. Dionísio destaca que durante o ano 260 d.C., os cristãos serviam corajosamente junto da sociedade, realizando tarefas como o enterro de mortos e tratamento de enfermos, alimentação de famintos e um testemunho da fé a todos.   Dia 24. Trabalho. A PROVIDÊNCIA DE DEUS E O TRABALHO DOS HOMENS. “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos. Como disseram alguns de seus próprios poetas: ‘somos descendência dele’.” (Livro de Atos: cap. 17, verso 28). APRESENTAÇÃO. Ao trabalhar, assumimos com dignidade a direção e movimentos de Deus sobre as nossas vidas. MEDITAÇÃO. O apóstolo Paulo ministrou uma palestra ao povo de Atenas no primeiro século, utilizando citações dos poetas gregos para apresentar o modo como Deus é soberano e atuante na vida cotidiana da humanidade. Pois Deus não somente criou o mundo e os seres humanos, mas também, Ele governa a nossa história com propósitos e direcionamento benditos. Ao meditar no fato bíblico de que fomos todos criados à imagem e semelhança de Deus, vimos que recebemos a condição de sermos pessoas racionais e sensíveis. A partir disto, Deus também derramou dons e talentos sobre a humanidade para que possamos transformar e melhorar a nossa realidade, seja nas áreas da agropecuária e artes, das ciências e tecnologia. Tudo isto para darmos conta de toda a criação e do próximo. Somos chamados para cultivar e cuidar do mundo junto de Deus! A razão de sermos chamados por Deus com a vocação de cuidar do planeta através do trabalho decorre de princípios do texto bíblico acima. O apóstolo Paulo esclarece que somos ‘descendência de Deus’ e criados à sua imagem e semelhança. Pois Deus tem propósitos benditos para as nossas vidas – especialmente, para que possamos participar do ‘trabalho’ que o próprio Deus realiza para desenvolver a trajetória da humanidade na história. PENSE NISSO! O teólogo João Calvino explica que Deus opera através das nossas vidas para cumprir na história os seus propósitos benditos diante da humanidade.   Dia 25. Caridade. AS MÃES SOCIAIS E A FAMÍLIA ESPIRITUAL DE DEUS. "Vendo Jesus, a sua mãe, e junto dela o discípulo amado, ele disse: Mulher, eis aí o seu filho. Depois, disse ao discípulo. Eis aí a sua mãe." (Evangelho de João: cap. 19, versos 26-27). APRESENTAÇÃO. A religião do cristianismo ensina que pela fé nós somos filhos de Deus pela graça para nos tornamos ‘família’ de Deus. Essa nova experiência existencial diante de Deus deve se tornar também um valor humanitário para que assumamos relacionamentos familiares espirituais diante de órfãos e viúvas, homens e mulheres. MEDITAÇÃO. Enquanto entregava o seu espírito a Deus Pai na cruz, Jesus entregava um filho para a sua mãe Maria cuidar, enquanto também entregava uma mãe para que fosse cuidada por João. É certo que Maria de Nazaré não é a primeira Mãe Social da história, mas não há dúvida de que ela é a mais conhecida e bendita. Sendo que essa experiência de maternidade social espiritual geradora de uma aliança familiar cristã entre uma mulher e um jovem deve servir de inspiração a todos nós. Dá uma olhada nas palavras de Jesus: "Mulher, eis aí o seu filho. Depois, disse ao discípulo. Eis aí a sua mãe." Esse modelo de relacionamento familiar espiritual é visível na vida de um grande número de mães sociais que são aquelas mulheres que assumem a função de mães em casas lares de instituições de ação social que acolhem órfãos. No destaque de uma reportagem sobre o tema, anota-se que as qualidades destas mães devem ser o "cuidado, proteção, educação, limites e muito amor", que deverão ser amplamente dedicados a crianças e jovens necessitados de uma família, que assim irão receber finalmente “o direito que nunca deveriam ter perdido: o de ter um colo de mãe." A reportagem sobre as ‘Mães Sociais’ foi escrita como homenagem às Mulheres que se dedicam como mães às crianças e jovens que não são seus filhos naturais, tendo o objetivo de informar a toda sociedade sobre a existência das Instituições de casas lares que promovem este acolhimento social orientado. Neste sentido, as mulheres que assumem o papel familiar de mães sociais encaram o desafio espiritual de abraçar órfãos como seus próprios filhos diante de Deus, se tornando pessoas valiosas para Jesus e toda sociedade, afinal, tendo como referência o ano de 1984, já haviam 32 mil crianças acolhidas em todo o Brasil, sendo que mais de 90% destes atendimentos foram realizados por instituições sociais organizadas como casas lares de acolhimento de crianças e adolescentes. PENSE NISSO! Fica o desafio para que os Cristãos e Igrejas possam enxergar, atender e apoiar tanto as Crianças e Adolescentes vulneráveis, como igualmente, as Mulheres "Mães Sociais" de nossa sociedade, que assim como Maria de Nazaré diante da palavra de Jesus tem se dedicado a assumir como filhos as crianças nascidas em outros lares e famílias. O segredo do sucesso da maternidade social surge nas palavras de uma mulher bendita que assumiu a vivência espiritual de ser ‘mãe social” para órfãos vulneráveis: "Conforme fui mostrando para eles o meu carinho, a minha atenção, o meu cuidado, vi que eles começaram a se sentir seguros comigo". É isso!   Dia 26. Trabalho. A SANTIFICAÇÃO DO CRISTÃO ATRAVÉS DO TRABALHO. “Não estou dizendo que já obtive tudo isso, que já alcancei a perfeição. Mas prossigo a fim de conquistar essa perfeição para a qual Jesus Cristo me conquistou”. (Carta aos Filipenses: cap. 3, verso 12). APRESENTAÇÃO. O trabalho é uma atividade espiritual santificadora da personalidade do cristão em sua jornada como discípulo de Jesus. MEDITAÇÃO. Algumas religiões consideram o ‘trabalho’ como sendo uma condenação ou até de forma neutra, como se fora somente uma atividade necessária para que a humanidade não venha a morrer de fome. De forma diferente, o pensamento bíblico entende que o trabalho é tanto uma oportunidade dada por Deus aos homens, como também, se torna uma experiência religiosa valiosa para o desenvolvimento do fiel cristão na sua caminhada diante de Deus. Neste contexto, o teólogo João Calvino ensinava que Deus estava chamando os fiéis para servir o Senhor em todas as situações e funções da vida secular, sendo que este entendimento bíblico oferecia responsabilidade e dignidade, oportunidade e respeito aos cristãos para andar com Deus em todas as áreas da existência. Assim, enquanto no período medieval somente a experiência sacerdotal era considerada uma vivência nobre para o cristão, a partir do século 16 e reforma protestante, houve um novo entendimento religioso acerca do valor do trabalho. Quando os cristãos entenderam que o ‘trabalho de Deus’ em toda a história compreende tanto o anúncio das Boas Novas do Evangelho de Jesus Cristo, como igualmente, as atividades laborais divinas de ‘cuidar’ do planeta, da humanidade e da história; então, os discípulos de Jesus começaram a abraçar as áreas de trabalho e profissões como oportunidades de estar perto de Deus e de servir ao Senhor neste mundo. PENSE NISSO! O trabalho do homem e toda atividade profissional é uma oportunidade de amadurecimento e santificação religiosos, pois nos aproxima da vontade e desígnios de Deus para o ser humano.   Dia 27. Caridade. OS CRISTÃOS SÃO O SAL DA TERRA. “Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o sabor, para que servirá? É possível torna-lo salgado outra vez? Será jogado fora e pisado pelos que passam, pois já não serve para nada”. (Evangelho de Mateus: cap. 5, verso 13). Esta devocional traz citações e desenvolve o pensamento do teólogo e escritor John Stott, a partir do comentário bíblico do Sermão do Monte, Evangelho de Mateus, cap. 5. APRESENTAÇÃO: Jesus utilizou duas metáforas para apresentar a maneira como Ele estava capacitando os cristãos para transformar o mundo, servindo-se de dois itens domésticos essenciais. Utilizou a luz por ser uma necessidade fundamental e inegável diante da noite e para lugares escuros, e destacou o sal por sua variada importância, tanto para dar sabor aos alimentos, como para preserva-los à época de Jesus, em que não havia refrigeração. "As bem-aventuranças descrevem o caráter essencial dos discípulos de Jesus; o sal e a luz são metáforas que denotam a sua influência para o bem do mundo." (p. 48). MEDITAÇÃO. Quando refletimos um pouco no chamado de Jesus para os cristãos serem sal da terra e luz do mundo, também ficamos pensativos: afinal, que tipo de influência transformadora poderiam causar a mansidão e a humildade, a misericórdia e a pureza dos cristãos diante deste mundo cada vez mais irado e violento? Embora possamos ter perdido a fé, Jesus certamente não a perdeu, pois declarou que os cidadãos do primeiro século que o seguiam pela Judéia iriam atuar com grande influência em todo o planeta Terra através dos séculos. Ao meditar nos elementos do sal e luz a partir de suas características, o pensador cristão John Stott esclarece a verdade fundamental da relação feita por Jesus. E o destaque surge pelo fato de que a relação entre as duas comunidades origina da diferença entre elas, pois ainda que o mundo esteja sempre declarando o seu brilho, na verdade, trata-se de um lugar e ambiente obscuro muitas vezes, pois se move no vazio e engano existenciais. Além disso, as sociedades acabam se deteriorando moralmente de forma grave e constante, sendo que, somente algo dado por Deus poderá impedir tal degradação. Eis a razão da existência da Igreja no mundo, que é exatamente interromper, diminuir e retardar a corrupção das trevas na vida da humanidade. Quando Jesus define que a comunidade da Igreja é o sal da terra, também afirma que a comunidade do mundo "se deteriora como o peixe ou carne estragada", cabendo à Igreja tratar essa doença. Deus é muito bondoso com a humanidade e o planeta, e por isso Ele também criou a instituição da família para ordenar o lar pelo casamento, além das Autoridades civis, que tem a função de regular a justiça para a proteção do inocente e culpabilidade correta do criminoso. Porém, a maior capacidade de influência benigna no mundo está sobre os ombros dos cristãos, conforme define R. V. G. Tasker, para quem os discípulos de Jesus são "chamados a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo inexistentes”. (p. 51). PENSE NISSO! O sal somente vai "salgar" o alimento se mantiver a sua essência de condimento transformador. Sendo que a essência do cristão é a sua semelhança com Jesus. Por isto mesmo, "a influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade", conforme foi explicado pelo Teólogo, Dr. Lloyd-Jones: "a glória do Evangelho é que, quando a igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie." (p. 52).   Dia 28. Caridade. OS CRISTÃOS SÃO A LUZ DO MUNDO. “Vocês são a luz do mundo. É impossível esconder uma cidade construída no alto de um monte. (...) Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu”. (Evangelho de Mateus: cap. 5, versos 14-16). Esta devocional traz citações e desenvolve o pensamento do teólogo e escritor John Stott, a partir do comentário bíblico do Sermão do Monte, Evangelho de Mateus, cap. 5. APRESENTAÇÃO. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo". E agora, os seus discípulos devem igualmente brilhar neste mundo, exatamente com a luz de Cristo que recebem e carregam consigo, para serem benditos diante da humanidade. MEDITAÇÃO. Jesus é a luz do mundo porque é o Messias enviado por Deus para reconciliar terra e céus, e dar vida aos homens através da ressurreição. A partir disto é que Jesus orienta os cristãos para que ocupem espaço na escuridão de nosso planeta através de boas obras cristãs. E assim, o cristão deve viver os valores éticos e morais divinos até que a humanidade veja suas obras e possa dar glórias a Deus. John Stott entende que as "boas obras" dos cristãos carregam em si tudo que o cristão diz e faz enquanto discípulo de Jesus. Isto ocorre quando o cristão manifesta a Palavra do Evangelho ao mundo, fazendo cumprir a profecia de que o Servo do Senhor seria uma "luz para os gentios". Portanto, os seguidores de Jesus iluminados pela graça de Deus oferecem ao próximo a luz de Cristo assim que anunciam o amor de Deus descrito no Evangelho! (p. 52). Porém, os cristãos devem ampliar o seu entendimento de que as boas obras são tanto a manifestação da fé, como também a realização do amor de Deus ao mundo. Pois as boas obras cristãs expressam não somente a nossa lealdade a Deus, mas também, o nosso interesse pelos nossos semelhantes. Um bom entendimento de como se faz boas obras é de que a sua prática ocorre através de atividades objetivas para a humanidade, geradas pela misericórdia e compaixão cristãos. (p. 53). Cada boa obra praticada por um cristão que abraça o desafio de encarnar em sua vida os mandamentos divinos diante da humanidade vai tanto revelar o caráter bondoso e santo de Deus ao mundo, como igualmente vai revelar as próprias trevas e fragilidade moral em que os seres humanos vivem no planeta, sem Deus. Algo que só irão descobrir assim que visualizarem um estilo de vida baseado na luz celestial de Jesus. O desafio dos cristãos é não esconder e nem negar a verdade em que acreditam, tendo o real desejo de que o Cristianismo seja enxergado pela humanidade. (p. 54). PENSE NISSO! Conforme afirmou Sir Frederick Catherwood, "tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mundanismo." Por isto mesmo, os cristãos não deveriam escolher e nem separar as suas responsabilidades de serem sal e também luz do mundo, pois não são distintas e contrárias uma da outra. "O mundo precisa de ambas. Ele está em decomposição e precisa de sal; ele é trevas e precisa de luz. Nossa vocação cristã é para sermos ambas. Jesus Cristo o declarou, e isso basta." (John Stott). (p. 59).   Dia 29. Caridade. A MOTIVAÇÃO CRISTÃ PARA A CARIDADE! “Quando pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. (Evangelho de Mateus: cap. 6, versos 2-4). Esta devocional traz citações e desenvolve o pensamento do teólogo e escritor John Stott, a partir do comentário bíblico do Sermão do Monte, Evangelho de Mateus, cap. 5. APRESENTAÇÃO. A palavra do texto bíblico base que traduzimos na expressão “esmola” significa piedade e misericórdia, no grego. Por isto, entendemos que a caridade descreve a boa atitude bíblica do cristão dedicado e piedoso diante de Deus, que demonstra compaixão cristã ao praticar a esmola diante do próximo. MEDITAÇÃO. Jesus elogia a generosidade da misericórdia e critica a avareza do egoísmo enquanto trata de forma profunda sobre o que passa no espírito humano neste ensino bíblico. Pois o importante não é a atitude que enxergamos ao observar o que a mão está fazendo, mas sim, o valor que somente Deus enxerga em nosso coração enquanto buscamos realizar a boa obra da esmola. (p. 130). Aqueles que praticam a caridade buscando o aplauso dos homens para se tornar importantes entre eles promovem uma exibição de suas boas obras, como se fossem artistas utilizando o mundo como palco para suas apresentações. São chamados de hipócritas, pois estão interessados em enganar as pessoas. Para Jesus, quando agem assim diante dos homens, então já receberam a recompensa que realmente buscam, ao serem exaltados e receber aplausos. Mas, Jesus ensina como curar este pecado de vaidade em nosso coração, orientando um tratamento profundo da nossa consciência: a mão direita não deve ser vista pela mão esquerda durante a prática da esmola. E então, tanto o público, como especialmente nós mesmos seremos conduzidos a ignorar a feitura das nossas obras de caridade. (p. 132). O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer entende que a declaração para que a mão esquerda ignore o que realiza a mão direita expressa a "morte do velho homem", pois a personalidade egoísta deve perecer para que uma nova pessoa generosa possa nascer em nossa personalidade. O teólogo João Calvino orienta que o discípulo cristão deve estar satisfeito em ter somente Deus por testemunha de suas obras de caridade e generosidade. (p. 133). PENSE NISSO! John Stott explica que a recompensa de uma esmola cristã deveria ser somente a sensação de alívio do necessitado que foi atendido, pois este sentimento nos aproxima do modo como Deus se alegra em abençoar os homens. Neste sentido, as boas obras generosas de caridade cristã não devem ocorrer nem perante os homens e nem diante de nós mesmos, mas sempre perante Deus, o único "que vê o íntimo de nosso coração e nos recompensa." (p. 134).   Dia 30. Trabalho. A SOLIDARIEDADE SOCIAL DO TRABALHO. “Ordenamos e insistimos em nome do Senhor Jesus Cristo que sosseguem e trabalhem para obter o próprio sustento. Quanto a vocês, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem”. (1 Carta a Timóteo: cap. 3, versos 12-13). APRESENTAÇÃO. As conquistas e bens do trabalho também tem o propósito de atender a todos aqueles que não podem cuidar de si mesmos. Deus criou o mundo com uma natureza diversa e abundante, para que a ordem da economia primitiva viesse a garantir aos homens uma boa e aprazível medida. O pecado do orgulho que ocasionou a separação da humanidade diante de Deus, e o egoísmo que hoje desenvolve a competição entre os homens tem desorganizado a ordem e providência de Deus. MEDITAÇÃO. A partir da Igreja e de seus mandamentos, Deus atua na sociedade para edificar uma solidariedade social capaz de superar as desigualdades e conflitos oriundos do pecado humano. Assim, a ordenança cristã para que os homens adquiram o próprio sustento define a atividade profissional de todos nós como uma prática significativa dentro do plano bendito do Senhor. Deus utiliza o trabalho profissional de cada um de nós para promover a devida conquista e a boa distribuição das riquezas no ambiente comercial da sociedade. Ao mesmo tempo, Ele orienta o modo em que os cristãos devem utilizar seus bens e salários para assumir o cuidado dos órfãos e viúvas, especialmente os de suas próprias famílias. PENSE NISSO! A Igreja e a sociedade devem abraçar os necessitados sem familiares, desenvolvendo uma ordem solidária para a humanidade. O cuidado prestado na realização de atos de caridade e de ações sociais comunitárias deve envolver a todos, a partir de nossos rendimentos profissionais, também.   Dia 31. Caridade. JUSTIÇA SOCIAL BÍBLICA. Introdução e fundamentos. “Todos devem sujeitar-se às autoridades, pois toda autoridade vem de Deus, e aqueles que ocupam cargos de autoridade foram ali colocados por ele. Portanto, quem se rebela contra a autoridade se rebela contra o Deus que a instituiu e será punido (...) As autoridades estão a serviço de Deus, para o seu bem. (...) Pois elas têm o poder de puni-lo, pois estão a serviço de Deus para castigar os que praticam o mal. (Carta aos Romanos: cap. 13, versos 1-4). Esta devocional traz citações e desenvolve o conteúdo do livro: "Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social", de Scott David Allen. APRESENTAÇÃO. A Justiça que Deus derrama sobre a humanidade no planeta Terra tem três elementos: social, moral e legal; conforme define o teólogo John Stott. Os Profetas da lei do Senhor ensinavam que a Justiça Social bíblica se preocupa em livrar os homens da opressão enquanto fortalece os seus direitos civis, buscando promover a dignidade na família e ambientes profissionais, e a fundamental justiça dos tribunais humanos. (p. 35). MEDITAÇÃO. O momento histórico da humanidade neste século 21 necessita que os cristãos reflitam sobre as diferenças entre a justiça social bíblica e a justiça social pós-moderna, conforme esta última tem sido formatada pelos pensadores e lideranças iluministas. Nesse contexto, o autor Scott David Allen publicou livro valioso sobre o tema, convocando os discípulos de Cristo a promoverem na sociedade a verdadeira justiça social que agrada a Deus, buscando oferecer para a humanidade uma vivência cultural que produza “justiça genuína, misericórdia, perdão, harmonia social e dignidade humana”. A necessidade de refletir sobre a diferença de valores entre a justiça social bíblica e a justiça social pós-moderna surge pelo fato de que igrejas cristãs têm assumido, certas vezes, os ideais de uma cultura contrária aos mandamentos bíblicos. Isto ocorre porque as palavras igualdade, inclusão e diversidade tem propostas e significados diferentes entre o que ensina a cosmovisão cristã, diante do que a cosmovisão secular desenvolve na sociedade. Scott Allen destaca que “Amar o próximo como a si mesmo” é o padrão moral essencial da Bíblia, sendo um princípio de promoção de justiça comunitária desenvolvido através de relacionamentos corretos e respeitosos entre os seres humanos, pois fomos todos criados à imagem de Deus. Assim, a justiça social bíblica é estabelecida na sociedade através das autoridades instituídas por Deus, que são pais e professores, autoridades religiosas na igreja e civis no Estado. Enquanto isto, a justiça social pós-moderna tem derrubado o valor destas instituições e suas autoridades, criando situações de conflitos através de ideologia de gerar igualdade através de revoluções sociais. (p. 11). PENSE NISSO! As ideias dos homens promovem os seus valores entre a humanidade, sendo que as ideias são comunicadas através de palavras. Portanto, é preciso conhecer e praticar junto da sociedade as "poderosas palavras de Deus, que dão vida, conforme registradas na Escritura - palavras como liberdade, amor, compaixão e justiça", como destaca o pensador cristão, Dallas Willard. (p. 18).   Dia 32. Caridade. JUSTIÇA SOCIAL BÍBLICA. Valores e unidade. “Quem ama seu próximo cumpre os requisitos da lei de Deus. Pois os mandamentos dizem: “Não cometa adultério. Não mate. Não roube. Não cobice”. Esses e outros mandamentos semelhantes se resumem num só: “Ame o seu próximo como a si mesmo. O amor não faz o mal ao próximo, portanto o amor cumpre todas as exigências da lei de Deus”. (Carta aos Romanos: cap. 13, versos 8-10). Esta devocional traz citações e desenvolve o conteúdo do livro: "Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social", de Scott David Allen. APRESENTAÇÃO. Scott David Allen assumiu uma função na organização cristã de socorro e desenvolvimento, ‘Food for the Hungry”, em 1988. Era um período de grande divisão entre líderes cristãos evangélicos acerca de qual seria a melhor maneira de promover justiça social. O propósito de sua reflexão era aproximar líderes cristãos através do conhecimento da Palavra de Deus. MEDITAÇÃO. Havia um grupo que defendia a Missão Cristã como sendo o anúncio do Evangelho e a organização de igrejas, enquanto outro grupo orientava a necessidade de que a missão da Igreja deveria assumir o atendimento dos pobres e marginalizados da sociedade. Um princípio gerador de conflitos entre os grupos tratava do modo em que a justiça social somente seria promovida a partir da temática do acúmulo e da administração de riquezas na sociedade, pois se entendia que a prosperidade de alguns ocorria somente devido às perdas de outros. Nessa temática, o autor entende que os valores ideológicos da economia estavam causando mais males do que benesses aos pobres, pois estes não estavam sendo valorizados como seres criados à imagem de Deus, e assim, capazes de serem educados ao desenvolvimento e transformação. Ao contrário, os pobres e necessitados eram definidos como pessoas frágeis e incapazes, que deveriam receber atenção paternal através de projetos que também geravam uma dependência deles para com a sociedade. (p. 22-23). Nesse contexto, Allen refletiu princípios de aproximação entre os diversos líderes cristãos. Os líderes cristãos conservadores foram convidados a refletir que a paixão pelo Evangelho e a edificação de igrejas eram o fundamento de uma obra ainda mais ampla do Senhor, que também buscava uma redenção moral da sociedade, a partir de valores de uma justiça social bíblica. Ao falar aos líderes das igrejas que promoviam justiça social, o autor os convocou a assumir que uma real prosperidade do pobre e necessitado somente iria ocorrer através de uma transformação social definida pela verdade bíblica e a compaixão cristã, pois “essa transformação nunca é completa, ou uniforme, ou indefinida, mas é real, poderosa, dignifica a Deus e é importante." (p. 24-25). PENSE NISSO! O Reverendo Martin Luther King Jr se tornou um exemplo como líder religioso ao propor na década de 1960 que os cristãos deveriam promover regras sociais oriundas da moral descrita na lei de Deus. Pois estas leis eram justas, sim, sendo algo que não se encontra no padrão de pensamento de um líder e ativista social. Conforme ensina o teólogo protestante João Calvino, a lei bíblica anuncia o próprio caráter de Deus, devendo ser o guia moral absoluto que conduz a humanidade em todas as eras e lugares ao que é "bom e certo". (p. 34-43).   Dia 33. Trabalho. O TRABALHO E A ORDEM ORGÂNICA DA SOCIEDADE. “Trabalhem com entusiasmo, como se servissem ao Senhor, e não a homens”. (Carta aos Efésios: cap. 6, verso 7). APRESENTAÇÃO. Os seres humanos podem construir um ambiente harmônico e saudável na sociedade através do trabalho. O Apóstolo Paulo revela a maneira como Deus conduz a sociedade na história, oferecendo um sentido existencial valoroso para todas as pessoas a partir de seus papéis sociais, como são as funções de patrões e empregados. MEDITAÇÃO. Desta forma, visualizamos o modo como Deus define a importância de nossas relações familiares e parentais, sociais e trabalhistas para que possamos compreender a nossa utilidade comunitária e também o rumo profissional que devemos tomar para alcançar satisfação nesta vida. O apóstolo anota nos capítulos 5 e 6 da carta aos Efésios, alguns princípios essenciais para que nos tornemos pessoas maduras na sociedade, com as esposas devendo respeitar o marido na condução da família, enquanto que o marido deve amar a esposa em todas as decisões. Os filhos devem honrar os pais, enquanto que os pais não devem irritar os filhos, mas sim, educa-los de modo agradável a Deus. Após tratar da ordem orgânica da família, Paulo observa as relações trabalhistas também, convocando os empregados a servirem bem no ambiente profissional, entendendo que toda atividade de trabalho deve ser praticada com dedicação, pois é uma função social dada por Deus aos homens. Da mesma maneira, os patrões e chefes devem agir corretamente junto a seus empregados e colegas, respeitando as suas diferentes capacidades e personalidades, gerando uma experiência profissional próspera para todas as pessoas. PENSE NISSO! Deus ensina que o respeito e a dedicação mútua entre trabalhadores e funcionários junto de empresários e empreendedores são os valores profissionais iniciais da prosperidade da sociedade.   Dia 34. Caridade. A PRÁTICA DA CARIDADE RELIGIOSA ENRIQUECE O CRISTÃO. “Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir”. (1 Carta a Timóteo: cap. 6, verso 18). APRESENTAÇÃO. Todo mundo é rico diante de alguém, e todos que são considerados ricos podem guardar tesouros nos céus a partir da boa administração dos bens que tem conquistado nesta vida. MEDITAÇÃO. O Apóstolo Paulo desenvolve no capítulo seis da primeira carta a Timóteo uma aula incrível sobre um dos temas mais controversos e complexos da vivência religiosa da humanidade: afinal, como as pessoas ricas podem utilizar o seu dinheiro para enriquecer no reino dos céus? Paulo inicia a sua aula apontando que há muitos líderes maus e professores ruins propagando ensinos falsos e distorções da mensagem do evangelho, sendo que eles fazem isto utilizando a religião como uma fonte de lucro monetário para si próprios. Alguns homens estavam criando controvérsias e dúvidas sobre a religião para angariar fiéis e seguidores, e assim iriam receber valores e alcançar poder. Isto gerava uma espécie de negócio religioso que também tornava a piedade numa fonte de lucro, sendo algo desonesto e falso diante de Deus. Ao invés de gastar mais tempo e pensamentos para expor esta prática desonesta, Paulo rapidamente anota que a cobiça e o desejo intenso por dinheiro podem criar graves problemas para os seres humanos. Especialmente quando as pessoas unem o desejo da conquista de bens com a oportunidade de serem líderes da igreja através do ensino da Palavra de Deus. Nestas situações, os homens serão tentados para cair em uma grave destruição, vindo a se desviar da própria fé enquanto amam o dinheiro, algo que se torna para eles na raiz de muitos males. A única maneira dos líderes e fiéis cristãos escaparem disto é buscar “a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a humildade”, como virtudes e atividades de desenvolvimento e crescimento da sua fé em Cristo. E no momento e situação em que forem tentados a ficar ricos de qualquer jeito e sem limites, tanto utilizando a religião, como conquistando bens através de negócios, a ordem dada pelo apóstolo para resguardar os ‘ricos’ é simples e direta: “que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos a repartir”. (I Timóteo, capítulo 6, verso 18). Pois o resultado de obedecer ao mandamento de amar o próximo utilizando nosso dinheiro e bens é valioso e eterno. Desta forma, vamos guardar tesouros para a eternidade junto de Deus, exatamente porque nos dedicamos a semear as riquezas celestiais que estão relacionadas com a religião cristã. PENSE NISSO! A caridade e a ação social cristãs também são atividades que devemos organizar para fazer bom uso dos bens recebidos e conquistados em nossa história, de maneira que estaremos continuamente envolvidos com tudo que é bom e correto na religião de Jesus.   Dia 35. Trabalho. A SABEDORIA É UMA ATITUDE. “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria”. (Carta de Tiago: cap. 3, verso 13). APRESENTAÇÃO. Sabedoria cristã é uma vivência religiosa que carrega consigo tanto os conceitos explicativos dos valores divinos, como também a experiência prática da vontade de Deus. A Sabedoria cristã é uma atitude! MEDITAÇÃO. O Apóstolo Tiago é aquele que mais desenvolve o tema da sabedoria cristã no Novo Testamento. Ele utiliza formatos literários que surgem através de declarações sábias, utilizando a repetição de ideias, ampliação de conceitos e o contraste de valores para expressar conteúdos bíblicos sapienciais, de sabedoria. Assim, Tiago apresenta diversos textos breves que surgem como provérbios e conselhos de sabedoria aos homens, a partir das verdades e inspiração dadas por Deus. Agora, a sabedoria que Deus entrega aos seres humanos para que vivam socialmente de uma maneira próspera requer o entendimento de que essa virtude cristã não é somente um princípio escrito, mas sim, uma ‘boa obra’ religiosa. Ao refletir o nosso texto bíblico para o ambiente profissional, entendemos que a humildade é uma atitude sábia dos trabalhadores, sendo algo que gera uma postura de mansidão diante do chefe e dos colegas. Este comportamento capacita o profissional a adquirir um bom aprendizado técnico de seus instrutores, e a partilhar um convívio relacional saudável junto de toda a equipe. Pois a humildade produz a mansidão que é a atitude daquele que aprende! PENSE NISSO! O comentário da Bíblia de Genebra destaca o aspecto prático da sabedoria bíblica, afirmando que o homem e a mulher cristãos somente irão possuir a virtude da sabedoria quando a praticarem com uma dedicação e temor religiosos no momento de conviverem socialmente: “assim como Tiago exorta os crentes a demonstrarem sua fé através das obras, ele também pede uma demonstração de sabedoria através de uma vida piedosa”.   Dia 36. Caridade. O TRABALHO E A OPORTUNIDADE DA CARIDADE. “Contudo, soubemos que alguns de vocês estão vivendo ociosamente, recusando-se a trabalhar e intrometendo-se em assuntos alheios. Ordenamos e insistimos em nome do Senhor Jesus Cristo que sosseguem e trabalhem para obter o próprio sustento. Quanto a vocês, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem”. (2 Carta aos Tessalonicenses: cap. 3, versos 11-13). APRESENTAÇÃO. O modelo ético para conviver em sociedade que o Apóstolo Paulo orienta aos cristãos é que se dediquem a trabalhar e fazer o bem, ao invés de viver ociosos e metendo o nariz na vida dos outros. MEDITAÇÃO. O Apóstolo Paulo repetiu nas duas cartas bíblicas escritas aos tessalonicenses um tema sobre a importância de os cristãos praticarem atividades de trabalho no convívio em sociedade. Pois as pessoas que vivem ociosas acabam se intrometendo na vida dos outros e também se tornam dependentes dos que trabalham, vindo a causar dificuldades para a comunidade. A orientação inicial convoca os cristãos a viverem com sabedoria diante da sociedade, dedicando tempo e esforço nas atividades de interesse próprio, vindo a trabalhar com as próprias mãos nas atividades sob sua responsabilidade. Assim, os cristãos irão desenvolver uma vida tranquila para si mesmos e digna diante dos outros, sem criar dependências junto da comunidade. (1 Carta aos Tessalonicenses: cap. 4. 11-12). Aqueles que escolheram uma vida ociosa e voltada a bisbilhotar a vida do próximo, ao decidir não trabalhar e buscando viver às custas dos outros estão construindo um estilo de vida desregrado, e que despreza o modelo relacional social bíblico praticado pelo próprio apóstolo. Afinal, Paulo trabalhava continuamente dia e noite na cidade para não atrapalhar e nem viver à custa do próximo, deixando um modelo cristão comunitário profissional e trabalhista aos irmãos. Após dar a orientação inicial e explicar a importância de promover na sociedade uma ética cristã social digna, o apóstolo chama a atenção dos líderes na segunda carta aos tessalonicenses, para que sejam rigorosos com os desobedientes e desregrados, estabelecendo entre eles que “se alguém não quiser trabalhar, também não coma” (cap. 3, verso 10). Paulo dá uma ordem direta e clara aos cristãos para que trabalhem com tranquilidade e se alimentem do próprio alimento, sempre que for possível. Na conclusão deste ensino bíblico em que organiza a vida social da comunidade, Paulo faz uma integração valiosa entre as atividades do trabalho profissional dos cristãos e a responsabilidade de amar o próximo, logo após ordenar que os homens trabalhem pelo sustento, estabelecendo que, “quanto a vocês, irmãos, nunca se cansem de fazer o bem”. (2 Carta aos Tessalonicenses: cap. 3, verso 13). PENSE NISSO! A vida inteira dos cristãos deve girar ao redor do maior mandamento de Amar a Deus e Amar o próximo como a si mesmo. Desta forma, quando os discípulos de Jesus se dedicam ao trabalho para desenvolver uma sociedade próspera, eles igualmente se preparam para realizar obras de caridade cristã na vida comunitária da população, fazendo o bem sem cessar. O trabalho produz a condição e a oportunidade para as boas obras da caridade!   Dia 37. Trabalho. SABEDORIA CELESTIAL PARA A VIDA PROFISSIONAL. “Mas a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura. Também é pacífica, sempre amável e disposta a ceder a outros. É cheia de misericórdia e é o fruto de boas obras. Não mostra favoritismo e é sempre sincera”. (Carta de Tiago: cap. 3, verso 17). APRESENTAÇÃO. A sabedoria cristã é uma vivência prática da Palavra de Deus que vai resultar em frutos pessoais e sociais prósperos e saudáveis a todos, também no ambiente de trabalho. MEDITAÇÃO. Após explicar as atitudes de um homem tolo, o Apóstolo Tiago desenvolve as atitudes de um homem sábio até finalizar a sua orientação acerca da virtude da sabedoria. Logo após apresentar em detalhes os elementos formativos de um conhecimento somente humano e terreno - a tolice; ele destaca no decorrer do texto bíblico aqueles aspectos éticos formativos da sabedoria divina e celestial. A sabedoria celestial cria um coração puro nos homens e por isto mesmo, faz com que os colegas sejam imparciais diante das ideias e perante as personalidades de outros no ambiente de trabalho. Também gera uma iniciativa constante de generosidade entre os colegas, sendo algo que produz uma atitude interessada e dedicada dedicação para com as necessidades e projetos da empresa. Esta ética profissional permite que os funcionários sejam capazes de aceitar boas ideias e desenvolver as atividades necessárias para a sua implementação no ambiente de trabalho. Assim, cristãos sábios se tornam trabalhadores e profissionais valiosos para a sociedade, enquanto praticam na empresa aquelas virtudes que geram relacionamentos saudáveis e promovem um bom desenvolvimento das atividades do negócio, criando prosperidade para todos. PENSE NISSO! A sabedoria celestial é uma atitude bendita que devemos vivenciar junto das pessoas ao nosso redor. E nos ambientes profissionais e de trabalho da humanidade, esta sabedoria bíblica é uma virtude relacional capaz de transformar grupos de pessoas em colegas de uma equipe. Bom trabalho!   Dia 38. Caridade. O DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO. “Sei quanto estão ansiosos para ajudar (...) Que seja, porém, uma oferta voluntária, e não entregue de má vontade. (...) Cada um deve decidir em seu coração quanto dar. Não contribuam com relutância ou por obrigação. Pois Deus ama quem dá com alegria”. (2 Carta aos Coríntios: cap. 9, versos 2-7). APRESENTAÇÃO. O Dia Internacional do Voluntariado (DIV) foi criado pela ONU em 1985 para promover e dar dignidade às atividades voluntárias dos homens em todo o mundo. A data é celebrada todo dia 5 de dezembro e deseja valorizar as pessoas que oferecem serviços e dedicam tempo em favor de grupos e comunidades, desenvolvendo tarefas sem interesse de lucro e praticando a solidariedade. MEDITAÇÃO. A criação do DIV surgiu como uma data comemorativa internacional para prestar reconhecimento às atividades e serviços voluntários dos cidadãos diante da sociedade, buscando apoiar o sentimento e o valor do voluntariado nas perspectivas locais, nacionais e internacionais. Conforme o destaque da página deste dia, “os voluntários das Nações Unidas se unem às comemorações do DIV junto com outros voluntários do mundo todo, reforçando a importância de soluções lideradas por pessoas para os nossos desafios comuns”. Neste contexto, destacamos os números grandiosos envolvidos nestas ações de solidariedade social, pois há aproximadamente 1 bilhão de pessoas atuando como voluntárias em todo o mundo, sendo 70% em atividades informais e 30% em instituições organizadas. Ao mesmo tempo, as pessoas que se dedicam ao voluntariado são vistas como perseverantes e interessadas em ajudar as situações mais diversas, vindo a se adaptar com facilidade às necessidades enquanto entregam sensibilidade e inventividade nas atividades de que participam, tanto em situações locais e internacionais, como em projetos de interação online. Os valores reconhecidos pelo programa VNU – voluntários das nações unidas, reconhecem aquelas virtudes pessoais que desenvolvem o voluntariado na sociedade: “livre-arbítrio, compromisso, equidade, engajamento, solidariedade, compaixão, empatia e respeito ao próximo”. Neste sentido, a celebração anual do DIV deseja destacar as atividades dos voluntários ao promover um momento dedicado à gratidão pelas transformações que eles realizam nas ações sociais, educacionais e de saúde. Além disto, o DIV enaltece o modo em que a ação voluntária na sociedade promove a empatia entre as pessoas e o trabalho em equipe, enquanto agrega valor às mais diferentes habilidades e talentos profissionais da humanidade. Nesta mesma perspectiva e valor, a Universidade Presbiteriana Mackenzie SP busca atuar em favor do voluntariado na sociedade, promovendo eventos e apoiando iniciativas de informação e aprendizado, além de atividades de ação social junto de instituições e igrejas. Assim, houve a criação em 2004 do programa "Mackenzie Voluntário", que "conta com cidadãos interessados na transformação do ambiente em que vivem", sendo que no ano de 2017 houve o cadastro de ações realizadas em mais de vinte Estados do país com a participação de 47 mil voluntários, o que gerou impactos e benefícios na vida de 500 mil pessoas a partir de 279 projetos. PENSE NISSO! Não perca a oportunidade de se engajar em grupos e atividades de voluntariado nas igrejas e sociedade, para utilizar seus talentos e sentimentos em ações efetivas de solidariedade e amor ao próximo.   Dia 39. Trabalho. AS AUTORIDADES E O TRABALHO. "Todos devem sujeitar-se às autoridades, pois toda autoridade vem de Deus, (...) As autoridades estão a serviço de Deus, para o seu bem...". (Carta aos Romanos: cap. 12, versos 1-4). APRESENTAÇÃO. A recuperação do valor bendito da autoridade vai gerar uma hierarquia proveitosa no ambiente de trabalho. MEDITAÇÃO. Certa vez, o filho de um mestre de obras amigo conseguiu um novo emprego num supermercado, cheio de expectativas. Os novos planos não duraram muito. Pois ele logo pediu demissão, assim que o seu supervisor lhe mandou fazer algumas tarefas diferentes das comuns, que ele se negou a cumprir, dizendo: 'quem tem chefe é índio!'. Bem, o fato é que a ignorância sobre o valor das autoridades na sociedade tem crescido bastante, sendo uma experiência vivenciada por professores e policiais, juízes e dirigentes públicos, pais e babás, técnicos esportivos e diversos outros chefes de grupos, além de diretores e gestores de empresas e instituições. Essa independência e quase desprezo dos subordinados diante das figuras de autoridade, também gera uma desordem relacional profissional e social, que tem acontecido há bom tempo. Daí a importância de anotar com atenção a orientação do primeiro pensador cristão de cultura greco-romano-judaica, Paulo de Tarso, no texto bíblico desta meditação, que descreve a instituição da autoridade como uma benção dada por Deus aos homens. Neste sentido, ao recuperar o valor e importância bíblicos das figuras de autoridade em diversos grupos sociais de que somos parte, especialmente das empresas e escritórios, nós poderemos partilhar de uma hierarquia organizacional fundamental para todos. O respeito e a atenção dados às autoridades vão promover um ambiente de crescimento profissional valioso nos ambientes de trabalho, pois os acertos serão apreciados e os erros não serão desprezados, mas tratados e corrigidos. PENSE NISSO! Quando nós abraçamos os princípios criados por Deus para ordenar a nossa vivência comum em sociedade, assumimos também o compromisso de sermos o 'sal da terra'; preservando um coleguismo sadio e freando a competição caótica, além de promover a prosperidade de todos.  Dia 40. Caridade. A RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS CRISTÃOS. “Ouçam, ó céus! Preste atenção, ó terra! Assim diz o Senhor: Os filhos que criei e dos quais cuidei, se rebelaram contra mim. (...) Aprendam a fazer o bem e busquem a justiça. Ajudem os oprimidos, defendam a causa dos órfãos, lutem pelos direitos das viúvas”. (Livro do Profeta Isaías: cap. 1, versos 1 e 17). Esta devocional desenvolve o conteúdo de palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, em 2023, pelo Prof. Dr. Héber Campos Jr. APRESENTAÇÃO. O mandato social do cristão é a sua responsabilidade religiosa para atuar eticamente diante da sociedade e nossos semelhantes. Faz parte dos três mandatos existenciais do cristão na doutrina reformada, que incluem também o mandato espiritual que trata do relacionamento com Deus e o mandato cultural que define o modo em que nos relacionamos com toda a criação. MEDITAÇÃO. O Mandato Social Cristão é um tema amplo que abrange áreas e relacionamentos diversos da vida, como o cuidado com familiares e parentes, vizinhos e cidadãos, amigos e colegas de trabalho, estando conectado ao relacionamento que os cristãos devem desenvolver diante dos que se encontram oprimidos. Trata-se de um tema importante da justiça social bíblica que volta o seu olhar para as boas obras em favor dos necessitados e pobres, excluídos e perseguidos. Neste contexto, vamos analisar o movimento de justiça social contemporâneo à luz das Escrituras e diante da perspectiva de uma cosmovisão bíblica. Pois a justiça social secular neste século 21 se tornou um tema comum a partir de proposições como a igualdade e inclusão, seja na perspectiva econômica e outros aspectos, como de raça e etnia, gênero e sexo. Este movimento secular de justiça social traz consigo uma cosmovisão que entende a redenção da sociedade a partir do princípio da sensibilidade para com certas pessoas e personalidades, junto de uma indignação perante a situação dos excluídos, sendo que a solução vai ser alcançada pela revolução até uma sociedade utópica perfeita. Sobre este assunto, faz-se importante anotar neste momento dois princípios bíblicos cristãos relacionados ao tema da justiça social. Primeiro, que a humanidade deve buscar uma existência solidária como espécie neste planeta a partir do fato de que fomos todos criados à imagem e semelhança de Deus. Por isto mesmo, deve-se amar o próximo como a si mesmo em toda situação e necessidade, pois todos nós somos humanos de Deus. O segundo princípio trata da transformação que todos desejamos para a sociedade dos homens, já que somos o povo de Deus que tem sede e fome de justiça. PENSE NISSO! Neste sentido, o cristianismo ensina a verdade do evangelho que anuncia a salvação única dos homens e a consequente redenção do mundo, como sendo uma proposição messiânica conduzida somente na vinda definitiva do Reino dos céus de Jesus Cristo. No próximo texto devocional deste livro, iremos meditar em valores de uma justiça social bíblica para estabelecer um conhecimento cristão ao tema.   Dia 41. Caridade. O MANDATO SOCIAL DOS CRISTÃOS. Valores bíblicos. “Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham as espigas nos cantos dos campos e não apanhem aquilo que cair das mãos dos ceifeiros. Deixem esses grãos para os pobres e estrangeiros que vivem entre vocês. Eu sou o Senhor, seu Deus”. (Livro de Levíticos: cap. 23, verso 22). Esta devocional desenvolve o conteúdo de palestra ministrada no Encontro da Fé Reformada, em 2023, pelo Prof. Dr. Héber Campos Jr. APRESENTAÇÃO. Cosmovisão é uma interpretação da realidade em que existimos, sendo um conhecimento que vai nortear o comportamento do ser humano em toda a sua vida. Assim, o cristão é convocado para amar a Deus de todo o coração, entendimento e alma, buscando nas Escrituras o entendimento para viver como um cristão fiel em todo tempo. MEDITAÇÃO. Ao refletir biblicamente em valores de amor ao próximo, devemos recordar o modo como os 10 mandamentos bíblicos apresentam justiça social ao proteger e resguardar valores diversos, como a família e a fidelidade, a verdade e a dignidade, o trabalho e os bens dos homens. São princípios de convivência social universais que promovem igualdade e proteção de direitos fundamentais da humanidade, e todos são oriundos da Lei de Deus. De modo específico, as Escrituras orientam princípios de cuidado com os necessitados que trazem um conhecimento correto sobre justiça social aos cristãos. No livro de Levíticos a partir do cap. 25, verso 35 em diante, vemos um princípio e valor da generosidade sendo implementado na orientação de que a sobra da colheita seja deixada pelo agricultor, a fim de que o necessitado seja atendido. Da mesma forma, o ano da remissão das terras no Jubileu trata da questão das terras perdidas em razão de dívidas, orientando que o cidadão que produziu as dívidas seja cuidado e respeitado, mesmo que ele tenha sido o causador da situação. As pessoas que se encontram em dificuldades econômicas e também os deficientes com limitações deverão ser acolhidos em suas situações particulares, no destaque do fato cotidiano de que se deve pagar o salário de um funcionário diarista no mesmo período em que trabalhou, sem atrasar o pagamento, pois ele precisa receber naquele dia para o seu sustento. Ao tratar da justiça dos tribunais, o livro de Deuteronômio traz no capítulo 16 algumas orientações que visam promover justiça correta ao povo. Uma justiça social que será alcançada através de processos justos, com a ênfase de que um processo "justo" não é o que produz resultados iguais à todas as partes da ação. A Palavra de Deus requer juízes e magistrados que “nunca distorçam a justiça nem mostrem parcialidade”, para “que a justiça verdadeira prevaleça sempre” enquanto o povo de Deus se organiza para viverem em comunidade saudável nas terras da promessa. (versos 18-20). Um princípio importante para a nossa reflexão é o modo em que o Mal deixou de ser um tema de moralidade pessoal na justiça social secular, para se tornar um resultado do sistema estrutural da sociedade. No entanto, as Escrituras revelam que o principal problema gerador de males na existência humana é o coração do homem, de onde surgem os maus desejos e as vontades corruptas, vindos lá do interior do ser. E não do exterior, pois não vêm do sistema das estruturas. Portanto, a disputa essencial que o cristão pode realizar contra o mal neste sentido é travar uma luta consigo mesmo, pois na cosmovisão bíblica de justiça social não encontramos o julgamento de um sistema para gerar a justiça, mas sim, do coração das pessoas. Pois o Mal não é impessoal, sendo que esta visão errônea tanto despersonaliza a culpa, como ainda mantém o ser humano como escravo do pecado, sendo esta uma proposição que arruína a sociedade. A cosmovisão cristã e bíblica entende que há duas orientações principais de justiça social para que as comunidades do povo de Deus venham a cuidar dos semelhantes. Primeiro, cada cristão deve se preocupar em fazer parte de uma congregação religiosa que promova socorro e acolhimento solidário, pois estes valores são fundamentais nas Escrituras. Em segundo lugar, os cristãos devem se preocupar mais em agir com misericórdia do que com justiça, pois assim como não recebemos tratamento justo de Deus, igualmente devemos oferecer ao próximo o que de Deus temos recebido; que é a misericórdia. PENSE NISSO! A misericórdia cristã corrige a justiça social que deseja promover a auto estima de meus direitos pessoais. Ao seguir este princípio bíblico, iremos Amar a Deus no mundo amando os homens assim como Deus nos amou. A Igreja de Cristo deve ser uma comunidade marcada pela Misericórdia Social!   Dia 42. Trabalho. A AUTORIDADE DO LÍDER. "Eu lhes digo a verdade: quem entra no curral das ovelhas às escondidas, por sobre a cerca, em vez de passar pela porta, é certamente ladrão e assaltante! Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro lhe abre a porta, e as ovelhas reconhecem sua voz e se aproximam”. (Evangelho de João: cap. 10, versos 1-3). APRESENTAÇÃO. O líder que valoriza os colegas da equipe, acaba promovendo uma perspectiva saudável da função da autoridade funcional no trabalho. MEDITAÇÃO. Ao meditar em princípios bíblicos de autoridade para atuar de forma correta na chefia e liderança de projetos empresariais e junto de colegas profissionais, somos desafiados em duas áreas: conhecimento ético e aprendizado relacional. O conhecimento bíblico de valores éticos é aquele descrito pelos Profetas e Apóstolos nos mandamentos, e no modo como Jesus de Nazaré os explicava e vivia. Ao mesmo tempo, devemos prestar atenção no modo como Jesus afirmava o fundamento da essência da autoridade do líder, no propósito de que seus subordinados viessem a segui-lo na caminhada. Neste contexto, o texto bíblico em que Jesus declara a sua jornada como Messias dos homens, também revela aspectos que podemos relacionar com os tipos de liderança que os homens podem desenvolver no trabalho. As lideranças impostas e que são percebidas como fraudulentas não levam em conta as pessoas com quem se relacionam no trabalho. E assim, acabam praticando atitudes que não são benéficas aos seres humanos; pois valorizam somente o objetivo negocial que desejam alcançar, deixando as pessoas de lado. PENSE NISSO! Jesus apresenta a si mesmo como aquela liderança espiritual que está atenta para a personalidade dos seres humanos diante de quem Ele atua como Senhor e Salvador. A valorização da individualidade dos colegas e o interesse sincero de uns pelos outros, surgem como virtudes capazes de promover uma boa autoridade ao líder no ambiente profissional.   Dia 43. Caridade. AÇÃO SOCIAL E CARIDADE NA HISTÓRIA DA IGREJA. Os Irmãos Wesley. “Se vocês me amam, obedeçam a meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Encorajador, que nunca os deixará. É o Espírito da verdade. (...) Jesus respondeu: “Quem me ama faz o que eu ordeno. Meu Pai o amará, e nós viremos para morar nele”. (Evangelho de João: cap. 14, versos 13-23). Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo de capítulo do livro, Jardim da cooperação, sobre o Movimento Metodista, de Welinton Pereira da Silva. APRESENTAÇÃO. O movimento Metodista surgiu no século 18 na Inglaterra, como uma experiência de renovação da espiritualidade cristã protestante, que estava desgastada pela intelectualidade e ritualismo. Os colegas e discípulos dos irmãos Wesley buscavam unir "espiritualidade e responsabilidade social", para comunicar todo o Evangelho e ser uma Igreja de Jesus junto da "gente mais simples da época". MEDITAÇÃO. João e Carlos Wesley buscaram desenvolver uma religiosidade cristã pautada numa contracultura diante da vivência religiosa secular e intelectualizada que dominava a Inglaterra no período da revolução industrial. Neste sentido, aproveitamos um destaque do texto base deste conteúdo, anotando sobre o ministério religioso cristão dos irmãos Wesley, que "seus seguidores atuavam em várias frentes de trabalho social buscando acolher e apoiar os necessitados. A luta contra o tráfico e escravidão, o apoio às crianças pobres e a busca pela reforma do sistema prisional, foram algumas das bandeiras levantadas" neste período histórico de transição da estrutura social agrária para a industrial. (p. 76). João e Carlos Wesley organizaram um grupo de estudos bíblicos e orações na Universidade inglesa de Oxford para promover um aprendizado de santificação que pudesse dar pleno conhecimento da vontade de Deus aos jovens, organizando situações em que os membros do grupo iriam se dedicar a fazer boas obras enquanto meditavam nas Escrituras. O grupo de estudantes cristãos se encontrava à noite para avaliar o que haviam feito no dia e programar as atitudes do dia seguinte, à luz dos mandamentos da bíblia e dedicados a orações e comunhão. A partir disto, alguns membros do grupo buscavam orientar novos alunos na faculdade, enquanto outros visitavam os pobres, viúvas e presos, além de contribuírem para um fundo que pudesse custear livros, remédios e até saldar dívidas que ocasionavam a prisão dos devedores. Algo que chama a atenção é o modo como os Irmãos Wesley e o movimento metodista promoveram na história ocidental o "respeito ao ser humano". Pois na transição da sociedade monárquica e agrária para a democracia em meio à revolução industrial, as pessoas se tornaram uma grande massa impessoal conduzida de um lado a outro, sem qualquer valor e dignidade. Sendo que, para o movimento cristão social destes irmãos, a atenção e respeito ao próximo eram valores essenciais a serem praticados todos os dias e a cada momento. (p. 79). PENSE NISSO! Enquanto a Igreja e cristãos da época estavam acostumados a serem ‘sal dentro do saleiro’, os irmãos Wesley defendiam que "uma vida cristã mais santa e consagrada deveria desembocar no serviço ao próximo"; conforme João Wesley refletiu ao comentar o Sermão do Monte, que está exposto no capítulo 5 do evangelho de Mateus. (p. 80).   Dia 44. Caridade. OS IRMÃOS WESLEY. Sociedades bíblicas e Pequenos Grupos. “Deus, em sua graça, nos concedeu diferentes dons. Portanto, se você tiver a capacidade de profetizar, faça-o de acordo com a proporção de fé que recebeu. Se tiver o dom de servir, sirva com dedicação. Se for mestre, ensine bem. Se seu dom consistir em encorajar pessoas, encoraje-as. Se for o dom de contribuir, dê com generosidade. Se for o de exercer liderança, lidere de forma responsável. E, se for o de demonstrar misericórdia, pratique-o com alegria. Amem as pessoas sem fingimento. Odeiem tudo que é mau. Apeguem-se firmemente ao que é bom”. (Carta aos Romanos: cap. 12, versos 6-9). Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo de capítulo do livro, Jardim da cooperação, sobre o Movimento Metodista, de Welinton Pereira da Silva. APRESENTAÇÃO. "O Evangelho de Cristo não conhece outra religião que a social nem outra santidade que a santidade social." (John Wesley). MEDITAÇÃO. Após organizar a formação das sociedades bíblicas, os Irmãos Wesley seguiram em frente e criaram pequenos grupos comunitários religiosos, com valores e regras para o desenvolvimento de atividades cristãs piedosas entre os membros. Entre outras orientações, os participantes destes pequenos grupos deveriam: - trazer toda a roupa que pudessem para ser doada; - doar o dinheiro disponível para socorrer os enfermos e pobres; - contratar mulheres para trabalharem com tecido, fornecendo um salário para o seu sustento; e ainda, deveriam criar um grupo responsável para visitar os pobres e doentes a fim de anotar as suas necessidades, para que as informações pudessem nortear as atividades da sociedade bíblica. A obra social desenvolvida pelos Irmãos Wesley atuou em diversas frentes nos anos seguintes, vindo a entregar folhetos explicativos sobre as necessidades dos mais pobres, exortando os homens sobre o erro do acúmulo de riquezas excessivo e da utilização de jogos para ganhar dinheiro. Apoiaram o projeto da abolição da escravidão junto do parlamentar metodista William Wilberforce, além de se empenhar para promover uma reforma das prisões, vindo a organizar um plano de ação social para a Inglaterra, com "casas para operários, esquema de trabalho para desempregados, bancos e escritórios para empréstimos aos pobres, consultórios médicos". (p. 82) As crianças e o período da infância foram valorizados na sociedade com orientações aos adultos para serem responsáveis na alfabetização e educação cristã dos menores, enquanto que os salões das igrejas eram destinados como ambientes escolares para os pequeninos; pois, "para Wesley e os metodistas primitivos não havia separação entre evangelização e obra social; para eles a obra de evangelização era tanto social como individual". Ao olharmos para o momento atual da sociedade brasileira, e percebendo situações semelhantes ao que ocorria no século 18 na Inglaterra, podemos abraçar alguns dos ideais bíblicos dos irmãos Wesley para nortear boas obras cristãs em nosso país neste século 21. Neste contexto, a Igreja local deve perceber seus dons e ministérios a fim de voltar-se para a comunidade em que está inserida, numa perspectiva de serviço. Deve conhecer melhor a região em que está situada, desde o bairro e a cidade, até o campo, país e mundo, entendendo como as pessoas vivem em comunidade e de que forma a nossa sociedade está organizada. Devem assumir a "necessidade de apoiar todas as iniciativas que preservem e valorizem a vida humana". (p. 88). PENSE NISSO! A meditação bíblica e os momentos de oração organizados pelos irmãos Wesley buscavam um relacionamento de comunhão constante diante de Deus, junto de uma vida na dependência do Espírito Santo, pois “do céu pediam a direção para atuar acertadamente na terra." (Bispo Barbieri). (p. 88).   Dia 45. Trabalho. EQUIPES E COLEGAS DE TRABALHO. "Nada faz sentido, e é tudo angustiante. É melhor serem dois que um, pois um ajuda o outro a alcançar o sucesso. Se um cair, o outro o ajuda a levantar-se. Mas quem cai sem ter quem o ajude está em sérios apuros...". (Livro de Eclesiastes: cap. 4, versos 9-10). APRESENTAÇÃO. Uma parceria de trabalho próspera e empreendedora requer uma caminhada conjunta e um ambiente de abertura para conversas sinceras acerca da realidade profissional da empresa. MEDITAÇÃO. Certa vez o homem mais rico do mundo convocou o mais sábio dos homens para assumir o cargo de conselheiro de suas empresas. O sábio iria trabalhar diretamente com o homem rico em todos os assuntos. O sábio pensou e disse que faria somente uma pergunta para decidir se aceitaria o cargo: 'Quem é o homem a quem o senhor presta contas?', perguntou o sábio. O rico respondeu: 'Não presto contas a ninguém! Você vai responder somente a mim.’ Então, o sábio respondeu: `Bem, se você não presta contas a ninguém, então eu não conseguirei aconselhar você em seus negócios.’ Ao observar os relacionamentos que são importantes para o nosso crescimento profissional, anotamos o princípio bíblico sobre o modo como a solidariedade gera uma parceria frutífera na caminhada de duas pessoas e de um grupo, livrando-nos da solidão institucional. O Sábio da bíblia destaca o valor do coleguismo, desenvolvendo o modo em que duas pessoas e até um grupo unido irão suportar melhor as dificuldades comuns que experimentamos ao conviver em sociedade e estar lado a lado e junto de outras pessoas, a partir dos propósitos de uma associação e empreendimento. O valor deste tipo de parceria se relaciona com a atitude do homem sábio, que se permite ser corrigido e acolhe opiniões e aconselhamentos, pois abraçou em sua personalidade uma postura interessada e disposta a caminhar com outras pessoas na vida profissional e social. PENSE NISSO! Assumir um compromisso de colegiado saudável no ambiente profissional vai gerar um companheirismo valioso e necessário em nossa vida profissional, a partir das atividades pensadas e desenvolvidas em conjunto e do estabelecimento da sinceridade diante daqueles que trabalham conosco.   Dia 46. Caridade. AÇÃO SOCIAL CRISTÃ NA REFORMA PROTESTANTE. Século 16. “Portanto, irmãos, suplico-lhes que entreguem seu corpo a Deus, por causa de tudo que ele fez por vocês. Que seja um sacrifício vivo e santo, do tipo que Deus considera agradável. Essa é a verdadeira forma de adorá-lo. Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês”. (Carta aos Romanos: cap. 12, versos 1-2). Esta meditação histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo do livro, o pensamento econômico e social de Calvino, de André Biéler. APRESENTAÇÃO. "Antes de Calvino, a Reforma havia organizado a assistência por doença, velhice e invalidez, a fiscalização parcial dos preços contra o monopólio e a especulação, a limitação da jornada de trabalho e a instrução pública obrigatória". (p. 221). MEDITAÇÃO. A Reforma Protestante foi estabelecida na comunicação pública das 95 teses de Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517. Ainda nas décadas de 20 e 30 do século 16, enquanto o luteranismo se consolidava na Alemanha, o protestantismo reformado se desenvolveu inicialmente nas regiões de Zurique e Genebra, através da liderança de Ulrico Zuínglio e João Calvino. Durante a década de 1530 a cidade de Genebra foi organizada em uma nova estrutura social baseada em princípios cristãos protestantes. As lideranças municipais atuaram nos aspectos civil e religioso da comunidade, e dedicaram especial atenção para criar um ‘plano social’ de atendimento aos cidadãos, pois o pensamento da reforma unificava a transformação social junto da renovação da religião. Sendo que uma das decisões tomadas pelos reformadores neste período foi a organização em 1535 do Hospital Geral para atendimento de enfermos, especialmente de pobres, idosos e órfãos. (p. 221). Ao perceber a grave situação social da população, foram tomadas algumas medidas comerciais para oferecer alimentos a todas as classes, com a definição de valores adequados para o pão, a carne e o vinho, além de estabelecer o domingo como um dia de feriado para todos. Em 1539, devido ao grande número de refugiados que chegavam na cidade e do crescimento das viúvas e órfãos que requeriam cuidados urgentes, as lideranças definem a obrigatoriedade do trabalho para os adultos capazes no município, além da construção de uma escola e da obrigação do ensino primário na cidade. (p. 222) No ano de 1541, o líder religioso João Calvino organiza uma ordem eclesiástica para o atendimento dos pobres e para atuar nos problemas sociais da cidade, e assim, os Diáconos se tornam um ministério oficial da Igreja em Genebra, assumindo a gestão dos bens comunitários e do atendimento aos enfermos. Neste contexto, a Igreja e o Estado abraçaram conjuntamente a edificação e administração de um órgão de ação social e caridade para a população. Os recursos monetários surgiam das doações de fiéis e do tesouro do governo, com a supervisão civil dos bens à cargo do Estado e com a organização dos atendimentos sob a responsabilidade dos diáconos. PENSE NISSO! Ao organizar ambos os ministérios da Igreja em igualdade de valor, tanto da Palavra como do Diaconato, Calvino e os reformadores atendem tanto "a vida moral de seus membros como também sua vida material”. (p. 223-224).   Dia 47. Caridade. AS SANTAS CASAS DE MISERICÓRDIA. Hospitais e Atendimentos de saúde. “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para trazer as boas-novas aos pobres. Ele me enviou para anunciar que os cativos serão soltos, os cegos verão, os oprimidos serão libertos, e que é chegado o tempo do favor do Senhor”. (Evangelho de Lucas: cap. 4, versos 18-19). Esta devocional histórica do cristianismo traz citações e desenvolve o conteúdo de artigos com informações da Igreja Católica Apostólica Romana. APRESENTAÇÃO. A missão de Jesus Cristo ao ser ungido pelo Espírito Santo incluía um chamado especial para evangelizar os pobres, conforme lemos no Evangelho de Lucas, no capítulo 4. Assim como Jesus estava pleno de misericórdia ao se colocar junto dos necessitados e desprezados da sociedade, de igual forma, os cristãos precisam semear um coração cheio de misericórdia: pois “seria uma contradição gritante seguir a Jesus Cristo e não ter um coração misericordioso”. MEDITAÇÃO. “A primeira Irmandade de Misericórdia foi fundada em Lisboa em 1498, a pedido da rainha D. Leonor, com o objetivo de cumprir as 14 obras de misericórdia que têm fundamentos na doutrina cristã. São sete obras espirituais (ensinar os simples, dar bons conselhos, castigar os que erram, consolar os tristes, perdoar as ofensas, sofrer com paciência, orar pelos vivos e pelos mortos), e sete corporais (visitar os enfermos e os presos, libertar os cativos, vestir os nus, dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, abrigar os viajantes e enterrar os mortos”). Desta forma, as Casas de Misericórdia assumiram na história do Cristianismo a organização efetiva de quatro atividades de caridade: o tratamento de enfermos, o cuidado alimentar de presos abandonados, o atendimento urgente a necessitados e a atenção e apoio aos órfãos. A Igreja de Jesus Cristo não é uma instituição de ação social ou organização não governamental do terceiro setor, mas sim, carrega na sua essência religiosa a marca de tudo que é espiritual. Desta forma, todo fiel que participar dos ministérios da igreja no propósito de agir com misericórdia para os excluídos deverá saber que mais importante do que cumprir deveres cívicos e apoiar ações políticas, o cristão deve abraçar o pobre por causa da sua fé cristã, já que enxerga nos pequeninos a face do Cristo sofredor. Neste sentido, e entendendo que toda informação do número de atos de misericórdia realizados pelos ministérios da igreja deseja principalmente motivar o cristianismo para a bendita realização de boas obras, conforme determina a CNBB, faz-se importante anotar que “as pastorais sociais realizaram, em 2014, 106,4 milhões de atendimentos. São 8,9 milhões de pessoas atendidas e 2,7 milhões de famílias. A cobertura nas dioceses do Brasil tem destaque pela presença da Pastoral da Criança na totalidade das Igrejas Particulares do Brasil”. A história e o desenvolvimento da Igreja Católica Apostólica Romana carrega consigo uma longa tradição de organizar atividades de caridade junto aos pobres, posto que se entende que a semeadura do Evangelho de Jesus Cristo é a base do ensino espiritual da Igreja. Ao mesmo tempo, o ensino social do catolicismo convoca os fiéis para atender os doentes e aflitos através de atividades reais e presenciais compreendidas como atos espirituais de misericórdia. PENSE NISSO! As instituições religiosas foram os organismos que iniciaram atividades organizadas de saúde para a população, muito antes de existirem hospitais públicos e do próprio desenvolvimento científico da medicina. Neste contexto, recordamos que as Santas Casas de Misericórdia surgiram no século 14 em Portugal, assim que foram criadas pela Igreja Católica naquele país e época, vindo a se tornar instituições fundamentais na história do Brasil, de modo que até o ano de 2018 respondiam por mais de 40% dos atendimentos de saúde do Estado, no sistema SUS.   Dia 48. Trabalho. DIREITOS HUMANOS E LIBERDADES. Servindo a Deus na sociedade. “Jeremias recebeu esta mensagem do Senhor depois que o rei Zedequias fez uma aliança com o povo para libertar os escravos. Ele havia ordenado que todo o povo libertasse suas escravas e seus escravos hebreus”. “Não há mais judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos vocês são um em Cristo Jesus. E agora que pertencem a Cristo, são verdadeiros filhos de Abraão, herdeiros dele segundo a promessa de Deus.” (Livro do Profeta Jeremias: cap. 34, versos 8-9 – Carta aos Gálatas: cap. 3, versos 28-29). Esta devocional desenvolve o conteúdo do livro, os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, de Curtis A. Kenneth e outros. APRESENTAÇÃO. O bom praticante da religião cristã busca servir a Deus e ao próximo utilizando a verdade do Senhor como uma virtude cidadã. Trata-se de um chamado para honrar a Deus enquanto se pratica valores cristãos na edificação de uma sociedade saudável a partir de todas as suas instituições. MEDITAÇÃO. A espiritualidade cristã anuncia que os seres humanos foram todos criados por Deus, e a partir disto, afirma que é preciso edificar a sociedade através de uma convivência justa e digna entre os homens. (...) Neste contexto, o Parlamento britânico votou em 1807 uma Lei que impedia o tráfico de escravos na Inglaterra, formalizando esse valor humanitário na civilização ocidental. O cristão e político inglês William Wilberforce propagou valores religiosos ao promover debates parlamentares ainda no século 18, combatendo a sociedade e lideranças políticas daquele período que não desejavam assumir as perdas econômicas do fim da escravidão. Wilberforce junto de Elizabeth Fry, George Mueller, Thomas Buxton e John Venn entendiam que uma boa devoção a Jesus Cristo requeria atuar na sociedade de maneira virtuosa em favor de uma justiça humanitária. Nesta situação, o ex-escravagista e então ministro cristão John Newton, autor do hino Amazing Grace, convocou Wilberforce para servir a Deus através de sua atuação política na sociedade. Pois o deputado carregava conflitos interiores acerca de qual seria a melhor maneira de praticar a sua fé cristã, sendo enfim, apoiado para levar até a Câmara dos Comuns inglesa os debates acerca da lei abolicionista. William Wilberforce seguiu no parlamento e adoeceu, mas viveu para ver a aprovação da lei que pôs fim à escravidão no Império Britânico em 26 de julho de 1833, o que inaugurou um novo período para os direitos humanos no Ocidente. PENSE NISSO! A verdade histórica cristã de que todos os homens foram criados por Deus desafia os religiosos a superarem as diferenças raciais e étnicas, sociais e econômicas, ideológicas e políticas em favor de uma existência mais solidária e livre para todos os seres humanos.   Dia 49. Caridade. O EXÉRCITO DA SALVAÇÃO. Inglaterra, 1865. “Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. Então sua luz virá como o amanhecer, e suas feridas sararão num instante. Sua justiça os conduzirá adiante, e a glória do Senhor os protegerá na retaguarda”. (Livro do Profeta Isaías: cap. 58, 6-8). Esta meditação histórica do cristianismo desenvolve o conteúdo do livro, os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo, de Curtis A. Kenneth e outros. APRESENTAÇÃO. A missão cristã de levar o Evangelho de Jesus, alimentos e atendimento aos necessitados fez com que o Exército da Salvação viesse a se tornar uma das maiores agências da história no atendimento de seres humanos em suas necessidades espirituais, físicas e sociais. MEDITAÇÃO. A Inglaterra vivenciou grandes transformações socioeconômicas durante o século 19, assim que o trabalho agrícola no interior perdeu força em meio ao desenvolvimento do trabalho nas fábricas, na cidade de Londres. Milhares de cidadãos ingleses e seus familiares deixaram as regiões agrárias e foram residir nas cidades, vindo a morar em condições deploráveis enquanto eram acometidos de abusos. Neste contexto, a Igreja oficial da Inglaterra não estava preparada para atuar diante das dificuldades que a nova classe trabalhadora recém-chegada à cidade enfrentava, enquanto que a Igreja Metodista atendia aos novos membros que buscavam atenção espiritual e social nas congregações, mas a população mais pobre seguia desamparada nas periferias. Diante da dor e grito dos pobres e necessitados, William Booth e a esposa Catherine criaram uma pequena missão cristã dedicada ao atendimento dos pobres. E assim, a valiosa e surpreendente Missão do Exército da Salvação iniciou atividades no ano de 1865 em East End, região da periferia da cidade de Londres, Inglaterra. William e Catherine organizaram uma missão de anúncio do Evangelho de Cristo para que as pessoas pudessem se relacionar com Deus Pai no objetivo de terem as suas vidas transformadas, e deste modo, haveria uma melhoria do respeito e bondade entre familiares, vizinhos e comunidade, que se vivenciavam situações de violência e abandono. Ao unificar de forma valiosa e realista os mandamentos de Amar e Deus e Amar o próximo, a Missão do Exército da Salvação se dedicou a encher o estômago dos famintos para que então pudessem ser abençoados com a Palavra do Amor de Deus por suas vidas; o que fez surgir o empreendimento “Comida para Milhões”, que fornecia refeições a preços baixos para as pessoas. William Booth saiu da Igreja Metodista e buscou organizar um grupo determinado e capaz para tratar das dificuldades espirituais e sociais das periferias de Londres, com regras e grupos desenvolvidos a partir de ordens militares. Até que em 1878 a missão assumiu o título de ‘Exército da Salvação’, que seguia pelas ruas com uma banda de músicas ministrando palavras bíblicas e utilizando melodias de canções populares, vindo a fazer sucesso enquanto percorria a cidade. A missão do Exército da Salvação realizou transformações na sociedade, melhorando a vida das famílias e também diminuindo o consumo de bebidas alcoólicas, enquanto apontava publicamente sobre os problemas da falta de alimentos e da insuficiência de casas para a moradia dos trabalhadores e familiares; o que gerou até perseguição aos líderes da missão. PENSE NISSO! William e Catherine Booth organizaram a Missão e seus filhos desenvolveram o Exército da Salvação junto de quase vinte mil líderes, levando o projeto da Inglaterra para o mundo, com William tendo viajado oito milhões de km e pregado sessenta mil sermões. Ele ensinou que desde o nosso quintal já deve-se atender aos necessitados, sem que seja necessário viajar pelo mundo para encontrar os pobres.   Dia 50. O TRABALHO E A CARIDADE PARA A GLÓRIA DE DEUS! “Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam para a glória de Deus”. (1 Carta aos Coríntios: capítulo 10, verso 31). APRESENTAÇÃO. Quando o Apóstolo Paulo orienta os cristãos sobre a importância de dedicar Glória a Deus em todo o tempo e situação, ele está relacionando a doutrina da liberdade cristã com a experiência de praticar um estilo de vida digno diante de Deus. Nas palavras do apóstolo, quer estejamos fazendo uma refeição ou qualquer outra atividade, Deus precisa ser honrado de forma adequada naquela experiência. MEDITAÇÃO. Assim, os cristãos aprendem que todas as atividades humanas devem ser colocadas perante o Senhor, como se perguntássemos para Deus o que Ele entende que devemos fazer de melhor em cada situação da vida. Nesta perspectiva espiritual de abraçar uma vida de adoração em toda a nossa existência, este livro trouxe devocionais e meditações sobre a maneira como Deus deseja abençoar a sociedade através das atividades de trabalho e caridade dos cristãos, assim que as dedicamos para serem vivenciadas segundo a vontade do Senhor! Neste sentido, uma mensagem bíblica impactante sobre o tema do Trabalho e Riquezas é aquela contida na ‘Parábola do rico insensato’. O protagonista da parábola contada por Jesus Cristo era um homem que ficou tão rico ao trabalhar, que somente se preocupava em guardar os bens adquiridos. O único desejo existencial que movia o seu coração era o da conquista financeira! Para ele, não haviam outros objetivos e interesses na vida. Diante disto, as devocionais deste livro acerca do valor espiritual e importância social de nossas atividades profissionais e de todo trabalho da humanidade foram escritas para guiar a nossa mente e tocar o nosso coração para que não venhamos a ganhar o mundo, enquanto perdemos a alma. De modo especial, meditamos na bíblia e na história de movimentos cristãos para tratar de um tema fundamental do Cristianismo; que é o Amor ao próximo desenvolvido através da caridade, misericórdia e ações sociais, afinal, “quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. (1 Carta de João: cap. 4, verso 7). PENSE NISSO! Devemos descobrir o modo bendito como Deus Pai Todo Poderoso tem abençoado e desenvolvido as atividades profissionais para que a nossa personalidade e toda a sociedade sejam prósperas e harmônicas, no entendimento cristão. Ainda, vamos anotar o ensino da ilustração dada na parábola do bom samaritano, que traz o entendimento realista do significado de amar o próximo para os cristãos. Pois o próprio Senhor Jesus modifica a pergunta do oficial da lei para definir não mais quem é o próximo, mas sim, quem se torna o próximo do necessitado: aquele que agiu com misericórdia para com ele. Boa leitura e que Deus Pai abençoe toda a sua vida, especialmente o seu trabalho e atos de caridade.   AUTOR. Ivan Santos Rüppell Júnior é Professor de teologia e ciências da religião, no Seminário Presbiteriano do sul – extensão Curitiba, e Uninter PR. Ministro licenciado da Igreja Presbiteriana do Brasil e Representante comercial. Outras publicações do autor: O Cristianismo e a Civilização Ocidental; Resenhas espirituais de meditações cinematográficas. Contato whatsapp: (41) 9 9119-2573, email: ruppelljr@gmail.com

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