John Stott foi um dos maiores estudiosos e conferencistas cristãos do séc. 20, sendo reconhecido pela sua fidelidade ao texto bíblico e profundidade de entendimento teológico.
Esse texto traz breve resumo de citações do comentário bíblico de John Stott sobre o Sermão do Monte, em que o virtuoso comentarista biblico apresenta o entendimento das bem-aventuranças e especialmente o desafio aos cristãos para que sejam "sal da terra e luz do mundo"; com um destaque para as boas obras da generosidade através da caridade - a justiça religiosa cristã.
MATEUS 5. 13-16. A INFLUÊNCIA DO CRISTÃO: O SAL E A LUZ. "As bem-aventuranças descrevem o caráter essencial dos discípulos de Jesus; o sal e a luz são metáforas que denotam a sua influência para o bem do mundo." (p. 48). Afinal, que tipo de influência tranformadora poderiam causar neste mundo irado e violento, a mansidão e humildade, misericórdia e sede por justiça dos cristãos? Embora possamos ter perdido a fé, Jesus certamente não a perdeu, pois declarou que os judeus camponeses palestinos que o seguiam pela Judéia iriam atuar com grande influência em todo o planeta Terra. Jesus utilizou duas metáforas, sendo que "sal e luz são utilidades domésticas indispensáveis", tendo a luz por uma necessidade fundamental e inegável, e o sal com importância diversa, tanto para o sabor dos alimentos, como especialmente para preserva-los à época de Jesus, em que não havia refrigeração. A partir disto, Stott esclarece a verdade fundamental da relação feita por Jesus: "a Igreja e o mundo são comunidades separadas. De um lado está "a terra"; de outro, "vós" que sois o sal da terra. De um lado está "o mundo"; de outro, "vós" que sois a luz do mundo." (p. 49). O destaque surge no fato de que a relação que Jesus faz das duas comunidades "depende da sua diferença". Ainda que o mundo esteja sempre declarando seu brilho, na verdade trata-se de um lugar e ambiente escuro. Além disso, "o mundo manifesta também uma tendência constante à deterioração". (p. 50). Desta forma, enquanto o mundo somente irá deteriorar, os cristãos são a comunidade de fora que pode trazer o sabor que irá frear tal degradação. Assim, "a Igreja... foi colocada no mundo com duplo papel: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar, o processo de corrupção social; e, como luz, para desfazer as trevas." Daí a gravidade do desafio e oportunidade aos cristãos, pois "o sal para nada serve se perder sua salinidade; a luz torna-se inútil, se for escondida." (p. 50). Quando Jesus define que a comunidade da Igreja é o sal da terra, também está afirmando que a comunidade do mundo "se deteriora como o peixe ou carne estragada", cabendo à Igreja tratar essa doença. "É claro que Deus estabeleceu outras influências restringentes na comunidade. Em sua graça comum, ele mesmo estabeleceu certas instituições, que controlam as tendências egóistas do homem e evitam que a sociedade acabe na anarquia. A principal delas é o Estado (com a sua autoridade de estruturar e executar leis) e o lar (incluindo o casamento e a vida em família). Estes exercem uma influência sadia sobre a comunidade." Porém, a maior capacidade de influência benigna no mundo está sobre os ombros dos cristãos, conforme R. V. G. Tasker, para quem os discípulos de Jesus são "chamados a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo inexistentes." (p. 51). E como o sal somente irá "salgar" se mantiver sua essência de condimento, assim igualmente "o cristão precisa conservar a sua semelhança com Cristo", sendo que "a influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade", conforme Dr. Lloyd-Jones: "a glória do Evangelho é que, quando a igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie." (p. 52). A segunda metáfora utilizada por Jesus define os cristãos como "luz do mundo", sendo que Jesus afirmou ser Ele mesmo a "luz do mundo", de modo que seus discípulos e seguidores devem brilhar com "a luz de Cristo no mundo" para serem eficazes e benditos. "Jesus esclarece que essa luz são as nossas "boas obras". Que os homens vejam as vossas boas obras, disse, e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." (p. 52). John Stott entende que as "boas obras" dos cristãos carregam em si tudo que o cristão diz e faz enquanto discípulo de Jesus ao manifestar sua fé diante de todo o mundo, cumprindo a profecia de que o Servo do Senhor seria "luz para os gentios", assim como seus seguidores. Neste sentido, "a evangelização deve ser considerada como uma das "boas obras" pelas quais a nossa luz brilha e o nosso Pai é glorificado." (p. 52). A partir disso, o cristão deve ampliar segundo os valores bíblicos cristãos, o entendimento de que as "boas obras" são obras também do amor, além da fé. Elas expressam não só a nossa lealdade a Deus, mas também o nosso interesse pelos nossos semelhantes. Na verdade, o significado primário de "obras" tem de ser atos práticos e visíveis gerados pela compaixão." (p. 53). No destaque e propósito dados por Jesus, a cada vez que a humanidade enxerga essas boas obras na vida e atitudes dos cristãos, eles irão glorificar a Deus, "pois elas encarnam as boas novas do seu amor que nós encarnamos." (p. 53). Daí o chamado imperativo de Jesus para que os cristãos pratiquem suas boas obras diante e junto dos homens, porque é sobre eles e sua escuridão que as "obras" de Deus precisam brilhar, ao invés de serem colocadas como uma vela debaixo de um balde. O desafio aos cristãos é não esconder nem negar a verdade que conhecemos ou que "somos", desejando sim, que "o nosso Cristianismo seja visível a todos." (p. 54). Todo cristão autêntico que pratica as bem-aventuranças diante do mundo está vivendo de um jeito que fará a humanidade reconhecer que somente pela graça de Deus pode algo assim ocorrer, vindo a saber "que a nossa luz é a luz dele." (p. 53). John Stott destaca três lições neste ensino de Jesus acerca da influência dos cristãos no mundo a partir da prática das bem-aventuranças e da ética do sermão do monte: - "há uma diferença fundamental entre os cristãos e os não cristãos, entre a igreja e o mundo." Quando o cristão nega essa diferença e deixa de pratica-la, então ele acaba não servindo nem a Deus, nem a si e muito menos ao mundo. "O Sermão (do monte) foi elaborado na pressuposição de que os cristãos são por natureza diferentes, e convoca-nos a sermos diferentes na prática." (p. 55). - "temos de aceitar a responsabilidade que esta diferença coloca sobre nós." Os cristãos devem abraçar o desafio de ser quem realmente são, sendo que essa vocação existencial virtuosa é também um desafio valioso e necessário aos jovens, posto que estão em busca de satisfação e sentido para suas vidas. Todos que se sentem oprimidos pelos poderes sociais, políticos e econômicos devem voltar-se para esse desafio e oportunidade dados por Jesus, crentes de que irão influenciar grandemente o mundo. - "temos de considerar a nossa responsabilidade cristã como sendo dupla." No destaque dado por John Stott, "o sal e a luz tem uma coisa em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religiosidade egocentralizada." (p. 56). A virtude cristã oriunda das bem-aventuranças deverá tanto evitar a degradação do mundo, sendo sal, como igualmente deverá agir positivamente, sendo a luz que ilumina as trevas. "Reunindo as duas metáforas, parece-nos legítimo discernir nelas a relação correta entre a evangelização e a ação social, na totalidade da missão de Cristo no mundo, uma relação que deixa perplexos muitos crentes hoje em dia. Somos chamados a ser as duas coisas, sal e luz, na comunidade secular." (p. 56). Para que sejamos sal da terra, devemos ser mais atuantes e corajosos na "condenação do mal", especialmente diante dos padrões rasos e degradantes com que vemos serem formatadas as ideologias das sociedades dos homens. "E ao lado desta condenação do que é falso e mau, deveríamos com ousadia apoiar o que é verdadeiro, bom e decente... O sal cristão faz efeito através de atos e também de palavras. Já vimos que Deus criou a ambos, o Estado e a família, como estruturas sociais para reprimir o mal e incentivar o bem. E os cristãos tem a responsabilidade de verificar se essas estruturas estão sendo preservadas, e também se estão operando com justiça." (p. 58). Conforme afirmou Sir Frederick Catherwood, "tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mundanismo." (p. 59). No entanto, esclarece prontamente John Stott, "os seres humanos decaídos precisam de mais do que barricadas que os impeçam de se tornarem tão maus quanto possível. Precisam de regeneração, vida nova através do Evangelho. Por isso, nossa segunda vocação é para sermos "a luz do mundo". (p. 59). Portanto, os cristãos não deveriam jamais escolher em separar as suas duas responsabilidades, nem entende-las como distintas e contrárias uma da outra. "Não podemos exagerar uma delas, nem desacreditar uma às expensas da outra. Uma não pode substituir a outra. O mundo precisa de ambas. Ele está em decomposição e precisa de sal; ele é trevas e precisa de luz. Nossa vocação cristã é para sermos ambas. Jesus Cristo o declarou, e isso basta." (p. 59). Na conclusão deste tópico, John Stott enumera comunidades e igrejas cristãs norte-americanas que tem abraçado no título e nas atividades o desafio conjunto de ser tanto "sal" como "luz" da terra, atuando com obras sociais enquanto também oferece conhecimento bíblico às pessoas com quem se relaciona. Pois o cristão não deve sentir vergonha da vocação bíblica de ser tanto sal como igualmente luz, pra não cometer o pecado de "separar o que Jesus uniu". (p. 60). Finalizando, saibamos que "o caráter dos cristãos, conforme descrito nas bem-aventuranças, e a influência do cristão, conforme definida nas metáforas do sal e da luz, estão organicamente relacionados um com o outro. Nossa influência depende de nosso caráter." (p. 60). Ao abraçar e praticar estas boas obras no mundo, os cristãos serão abençoados em suas próprias vidas e personalidade, irão proporcionar pra humanidade um mundo melhor pra existir, e ainda irão fazer o nome de Deus ser glorificado entre os homens. A contracultura cristã de Jesus "produz bênção para nós mesmos, salvação para os outros e, finalmente, glória para Deus." (p. 61).
A JUSTIÇA DO CRISTÃO. "Até então, Jesus falara sobre o caráter cristão e sobre a influência que este teria no mundo... Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos tem fome (Mt 5.6) e por cuja causa eles sofrem (v. 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As "boas obras" são obras da obediência." (p. 62). (...) A RELIGIÃO DO CRISTÃO; NÃO HIPÓCRITA, MAS REAL. "Jesus começou a falar no monte, descrevendo nas bem-aventuranças os elementos essenciais do caráter cristão, e prosseguiu indicando, através das metáforas do sal e da luz, a influência para o bem que os cristãos exercerão na comunidade, se possuírem esse caráter. (...) Depois, Jesus continuou a ensinar sobre a "justiça"... Mas muito embora a palavra seja a mesma, a ênfase mudou de lugar. Antes, a "justiça" estava relacionada com a bondade, a pureza, a honestidade e o amor; agora, relaciona-se com práticas tais como esmolas, oração e jejum. Assim, Jesus passa da justiça moral do cristão para a sua justiça "religiosa". (p. 126). A ESMOLA CRISTÃ. Mateus 6.2-4. O sentimento de compaixão é valioso no Antigo Testamento, e a expressão grega que se traduz "esmola" no verso 2 significa misericórdia e piedade, de modo que assim como Deus é misericordioso, de igual forma os cristãos devem praticar essa mesma virtude. Jesus condena a avareza enquanto elogia a generosidade em seus discípulos, ao mesmo tempo em que destaca a importância das "motivações" - "dos pensamentos escondidos no coração". "A questão não é tanto sobre o que a mão está fazendo (passando algum dinheiro ou um cheque), mas o que o coração está pensando enquanto a mão age." (p. 130). Aqueles que praticam a caridade buscando a glória dos homens para se tornar importantes entre eles promovem uma exibição de suas boas obras que faz Jesus defini-los como hipócritas - um orador e então um ator que utiliza o mundo como um palco para suas representações. Estes hipócritas se preocupam em enganar as pessoas e, segundo Jesus, quando agem neste objetivo diante dos homens, eles já receberam a sua recompensa, que é serem exaltados e receber aplausos. Para revelar tal perversidade e tratar tão grave pecado, Jesus ensina que a mão direita da atividade não deve ser vista pela mão esquerda, de tal modo que não somente os outros, mas especialmente nós mesmos devemos ignorar a feitura de obras de caridade, pois "tão sutil é a injustiça do coração que é possível tomarmos passos deliberados para manter nossa esmola em segredo, e simultaneamente ficarmos pensando nisso com um espírito de autogratificação." (p. 132). Bonhoeffer entende que a declaração para que a mão esquerda ignore o que realiza a mão direita expressa a "morte do velho homem", de personalidade egoísta e que deve perecer para que uma nova pessoa generosa em Cristo possa nascer. Assim, "o que deveríamos procurar, quando damos aos necessitados, não é o louvor dos homens, nem um alicerce para a nossa autoaprovação mas, antes, a aprovação de Deus." (p. 133). Calvino esclarece que o discípulo cristão deveria estar satisfeito em ter somente Deus por testemunha de suas obras de caridade e generosidade. Conforme John Stott, "provavelmente a única recompensa que o verdadeiro amor deseja quando dá ao necessitado é ver o alívio deste... Esse amor (que é o próprio amor de Deus expresso através do homem) traz consigo as suas próprias alegrias secretas e não espera outra recompensa." Portanto, as boas obras generosas de caridade cristã não devem ocorrer nem perante os homens e nem diante de nós mesmos, mas "diante de Deus", "que vê o íntimo de nosso coração e nos recompensa." (p. 134).
REFERÊNCIAS. STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU EDITORA S/C. 1981.
Autor. Ivan S Rüppell Jr é professor, advogado e ministro da Igreja Presbiteriana, atuando na gestão de ações sociais das igrejas.
APRESENTAÇÃO. Esse texto contém Seis Devocionais de Capelania Empresarial para motivar os cristãos a conversarem sobre a bênção cristã do Trabalho, em seus ambientes profissionais. O propósito é de que nossos colegas e parceiros de negócios venham a conhecer o modo bendito como Deus Pai Todo Poderoso tem abençoado e desenvolvido as atividades laborais dos seres humanos, para que toda a sociedade seja próspera e harmônica. Bom trabalho! 1. DEUS CUIDA DE SEUS AMADOS ENQUANTO DORMEM. “Se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos construtores é vão... É inútil trabalhar tanto desde a madrugada até tarde da noite, e se preocupar em conseguir o alimento, pois Deus cuida de seus amados enquanto dormem.” (Salmo 127. 1-2). O Senhor Deus faz prosperar a vida dos seres humanos que buscam a sua presença e confiam no seu cuidado e poder! As meditações sobre o ‘Pão Nosso’ de cada dia neste caderno trazem promessas e conselhos benditos, princípios e verdades bíblicas valiosos entregues por De...
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