A Igreja de Cristo começa a se mover em Solidariedade diante da tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul.
Oremos para que o amor ao próximo cristão seja derramado sobre o povo de Deus, para que possamos glorificar a Deus atendendo todos os necessitados em meio às grandiosas dores e dificuldades que acometem os desabrigados do sul de nosso país.
O texto a seguir contém citações e breve resumo do conteúdo; "O cristianismo como rede de solidariedade", de Gustavo A. Leal Brandão, em que esse autor apresenta o modo como a solidariedade cristã transformou a história do império romano nas epidemias dos séculos 2 e 3.
“A igreja cristã primitiva foi um dos primeiros movimentos de alcance social abrangente e organizado, baseado na reciprocidade, redistribuição e no núcleo familiar." (p. 63). Não há como negar o crescimento extraordinário do cristianismo por todo o império romano a partir do século 3.
O professor Rodney Stark estudou as razões sociológicas que oportunizaram a conversão de milhões de cidadãos do império, na ação do Espírito Santo, concluindo que, “a generosidade cristã e a ênfase na reciprocidade transformaram o movimento inicial em um eficiente sistema de apoio e ajuda, focado numa rede de bem-estar social de alto impacto, principalmente nas vidas de pessoas idosas, viúvas e órfãos. (...) O cristianismo primitivo trazia em seu bojo um conteúdo de inclusão e partilha que as religiões pagãs não podiam oferecer”. (p. 64).
O cristianismo entendia que a vontade de Deus era estabelecida através de uma relação integral - tanto vertical diante do Senhor como horizontal diante do próximo, e assim houve uma distinta valorização tanto do ser individual, como da vivência comunitária. O hoje estabelecido valor moderno e pós-moderno da individualidade foi confrontado pelo cristianismo desde o ínicio, por “um novo paradigma de sociedade baseada numa rede de relações solidárias”. (p. 65).
A sociedade pagã greco-romana havia sido estabelecida numa ordem oriunda da devoção às divindades místicas e políticas, além dos compromissos parentais, de forma que, alguém somente conseguiria influenciar a realidade da vida em comunidade a partir de atividades práticas, e assim, “o cristianismo surgiu como uma religião abrangente, aberta a todas as classes: a Bíblia fala de escravos e livres, homens e mulheres, ricos e pobres, de uma forma onde todos são tratados de maneira igual”, conforme lemos em Romanos 10.12: “Isso vale para todos, pois não existe nenhuma diferença entre judeus e não judeus. Deus é o mesmo Senhor de todos e abençoa generosamente todos os que pedem a sua ajuda”. (p. 65).
Os cristãos partilhavam e ensinavam uma religião de relacionamento direto com Deus, sem sacerdotes intermediários, sendo desnecessário entregar ofertas para afastar a ira de Deus, já que o único sacrifício requerido era “o amor demonstrado através de ações de caridade e solidariedade para com o próximo e os necessitados”. Conforme Tiago, “para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (1.27). (p. 66).
Dessa forma, “ser cristão era, em essência, estabelecer um relacionamento com Deus construindo relacionamentos com as pessoas, com o próximo, e principal e prioritariamente, com o próximo mais necessitado”. (p. 66).
Nesse contexto, "no exercício do amor cristão direcionado às pessoas esteve a chave do crescimento do cristianismo e de seu tremendo impacto na sociedade do Império Romano”. (p. 67).
Ao final do século 2, ano de 180, o imperador Marcus Aurelius e praticamente 1/3 da população veio a falecer devido à epidemia de varíola. No século 3, em 251, uma nova epidemia, agora de sarampo, produziu grande mortandade nas regiões rurais e municipais do império, atingindo toda uma população que desconhecia essas doenças e sua gravidade. Neste sentido, a fragilidade e desestruturação do império romano nestes períodos tem sido percebida tanto por questões morais e invasões à região, como por uma realista “questão de saúde pública: estas duas epidemias”. (p. 68).
Embora historiadores não incluam no estudo inicial do avanço do cristianismo essas epidemias, “os pais da Igreja (Cipriano, Dionísio, Eusébio, dentre outros), afirmam que as epidemias contribuíram mais para a causa cristã do que provavelmente qualquer outra coisa”. (p. .68). Análises sociológicas observam que quando ocorre um grande número de mortes em determinada sociedade, isto afeta e arruína os laços sociais que agregavam os cidadãos, de modo que a população pagã do império veio a sofrer gravemente durante as epidemias, devido à perda de seus vínculos de relacionamentos. Enquanto isso, “a rede de solidariedade, amizade e ajuda dos cristãos, baseada nos pequenos grupos” ofereceu tanto novos vínculos pessoais aos que perdiam familiares, como apoio nas necessidades, e desta forma, “os pagãos foram sendo convertidos à nova religião de uma maneira muito natural”. (p. 69).
Nesse contexto, os cristãos entendiam que a melhor resposta era dedicar-se à boa prática dos mandamentos de Deus, no caso, desenvolvendo uma ética relacional cristã de adorar a Deus junto de amar o próximo. “A igreja cristã incipiente demonstrou que a convicção da salvação deve ser expressa por meio de ações de solidariedade e ajuda ao próximo, conforme determinava o centro de sua fé: amar a Deus amando o próximo”. (p. 70).
As tragédias epidêmicas ocorridas no império romano nos primeiros séculos d.C., se tornaram uma situação real para os cristãos reagirem conforme sua fé, pois tanto os cristãos como os pagãos deveriam buscar sobreviver diante da grave realidade. A fuga das cidades não significava salvação pois nem sempre havia para onde ir, sendo que as explicações místicas e filosóficas diziam que as tragédias eram oriundas da ´sorte`, enquanto também não davam qualquer sentido e significado para o que acontecia, gerando um “sentimento geral de desesperança, frustração e ressentimento. Os cristãos, apesar de suas tristezas, conseguiam pensar e agir de forma diferente. Eles criam que havia sentido e significado para tudo. Eles se confortavam crendo na vida após a morte e que Deus estava no controle de todas as coisas, mesmo que não tivessem explicações”. O Bispo Cipriano de Cartago, ensinou aos cristãos que era um momento de avaliação da vida e valores, enquanto também não deveriam ter medo da morte, mas estar convictos de que a “coroa da vida os aguardava”. (p. 71).
Líderes cristãos pregavam fé e esperança, vendo a situação como uma oportunidade de provação da fé genuína em Jesus Cristo, de modo que o cristianismo, mais do que explicar as tragédias, se dedicava a tratar as dores do ser humano, “trazendo objetividade e sentido no meio do caos, da desordem e da completa anomia social. As ações cristãs foram a face mais evidente do espírito que eles possuíam, e da sua crença acerca do mal e de salvação”. (p. 72). Dionísio destaca que durante o ano 260 d.C., os cristãos serviam corajosamente realizando tarefas como o enterro de mortos, tratamento de enfermos, alimentação de famintos e testemunho de fé a todos. Os cristãos atendiam tanto os irmãos da fé como a toda a população a seu redor. “O resultado de tamanha piedade e fé foi um impacto social muito grande... a resposta cristã forneceu a base para uma explosão de crescimento”. (p. 72).
Aspectos de reflexão: - A quantidade de mortos na população esteve ao redor de 15 a 20 milhões de pessoas, de modo que “os sobreviventes encontraram na rede social cristã uma alternativa viável ao Estado desmontado”. Ao demonstrar amor e anunciar sua fé baseada no amor salvador de Deus e ao próximo, os cristãos agiram de modo diferente do paganismo, que idolatrava divindades sanguinárias e egoístas. - “Aliada à pregação estava a prática de caridade, amor sacrifical, cuidados inclusivos e uma ação social baseada em princípios que foram estabelecidos pelo fundador dessa nova forma de crença, Jesus Cristo: a base era um forte conteúdo moral, um novo ethos que respondia aos anseios de uma população cansada e desencantada”. (p. 73). - Os cristãos corriam riscos e atendiam ao próximo, ofertando uma solidariedade e amizade a todos em meio às ocorrências dolorosas das epidemias, dando atendimento e cuidado aos sobreviventes esquecidos pelas ruas das cidades. Enquanto o paganismo orientava a fuga das cidades diante da enfermidade e doentes, os cristãos socorriam os enfermos, conseguindo gerar maior sobrevivência aos irmãos na fé. - “Ao final dessas duas epidemias, por causa desse diferencial de mortalidade, os cristãos, que antes conviviam na proporção de um para cada cinquenta pagãos (1:50), passaram a um para cada quatro (1:4) e logo depois um para cada um (1:1). No final do ano 350, eles eram a maioria da população do império”. (p. 74). (Brito, org. p. 63-75, 2008).
"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. (...) Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus." (Evangelho de Mateus, cap. 5. 13-16).
Que Deus Pai assim edifique a Igreja de Cristo no Brasil para amar grandemente os desabrigados do RGSul nestes tristes dias de abril e maio de 2024, de forma que o Povo de Deus renove o fundamental Amor ao próximo como um mandamento cotidiano da Igreja que Adora ao Senhor, como bem ensinara Jesus ao definir que destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas!
REFERÊNCIAS. Jardim da cooperação: evangelho, redes sociais e economia solidária / Paulo Roberto Borges Brito, org. – Viçosa, MG : Ultimato, 2008. (p. 63-75). Capítulo e artigo: Parte 2 – Exemplos históricos de “Redes Sociais Cristãs”. 4. O cristianismo como rede de solidariedade, de Gustavo A. Leal Brandão.
Autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor, advogado e ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, atuando como capelão da Repas e na gestão de ações sociais de igrejas.
APRESENTAÇÃO. Esse texto contém Seis Devocionais de Capelania Empresarial para motivar os cristãos a conversarem sobre a bênção cristã do Trabalho, em seus ambientes profissionais. O propósito é de que nossos colegas e parceiros de negócios venham a conhecer o modo bendito como Deus Pai Todo Poderoso tem abençoado e desenvolvido as atividades laborais dos seres humanos, para que toda a sociedade seja próspera e harmônica. Bom trabalho! 1. DEUS CUIDA DE SEUS AMADOS ENQUANTO DORMEM. “Se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos construtores é vão... É inútil trabalhar tanto desde a madrugada até tarde da noite, e se preocupar em conseguir o alimento, pois Deus cuida de seus amados enquanto dormem.” (Salmo 127. 1-2). O Senhor Deus faz prosperar a vida dos seres humanos que buscam a sua presença e confiam no seu cuidado e poder! As meditações sobre o ‘Pão Nosso’ de cada dia neste caderno trazem promessas e conselhos benditos, princípios e verdades bíblicas valiosos entregues por De...
Comentários
Postar um comentário