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JUSTIÇA SOCIAL BÍBLICA. Resumo de livro.

"A justiça na Bíblia tem pelo menos três aspectos: o legal, o moral e o social. (...) E a justiça social, conforme aprendemos na lei e nos profetas, refere-se à busca pela libertação do homem da opressão, junto com a promoção dos direitos civis, da justiça nos tribunais, da integridade nos negócios e da honra no lar e nos relacionamentos familiares. Assim, os cristãos estão empenhados em sentir fome de justiça em toda a comunidade humana para agradar a um Deus justo." (JOHN STOTT, p. 35 - *citação do autor do resumo). O texto a seguir contém citações e um breve resumo parcial do livro, "Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social", de Scott David Allen, 2022. O propósito deste resumo surge da seguinte citação, da contracapa do livro: "Cristãos não apenas têm o dever de denunciar uma cosmovisão falsa, mas também de oferecer uma alternativa melhor: a incomparável cosmovisão bíblica, que concebe a cultura como marcada por justiça genuína, misericórdia, perdão, harmonia social e dignidade humana". Seguem algumas frase retiradas de citações diversas do prefácio do livro: "Somos hoje uma nação dilacerada (EUA), e cabe aos cristãos curar as feridas em vez de abrir feridas novas... É importante que saibamos distinguir, entre os bons programas, quais os que incentivam os antagonismos de classe, de raça e de cultura. Se não formos capazes de resgatar o sentido bíblico de justiça, não se fará justiça" (Marvin Olasky, revista World); "Somente a verdade bíblica é amor verdadeiro. Recomendo a leitura e o compartilhamento imediato deste livro com o maior número possível de pessoas" (Kelly Kullberg, Veritas Forum); "Allen distingue os pressupostos éticos por trás da teoria da justiça social e nos dá uma alternativa bíblica e cristã acompanhada de explicações" (Jon Harris, Conversations that Matter); "O livro de Scott Allen lida com a ideologia do movimento de justiça social... Scott, que tem dedicado a vida a combater a pobreza, a fome e a injustiça, prestou-nos um serviço ao refletir sobre o conceito bíblico de justiça em comparação com a ideologia de justiça social" (Darrow Miller, Disciple Nations Alliance); "Recomendo a presente obra para os que estão no ministério. Ela os ajudará a refletir profundamente sobre o que é a verdadeira justiça e como a justiça social secular nos desvia do evangelho" (Rev. Ernest B. Manges, School of Theology Filipinas); "Scott analisou profundamente essa questão crucial de um modo sensível, exaustivo e, no entanto, acessível ao público não acadêmico" (Bob Moffitt, Harvest Foundantion). CONCEITOS BÁSICOS. Para o autor, a Justiça Bíblica surge do padrão moral essencial dado nas Escrituras, "Ama o teu próximo como a ti mesmo", gerando uma Justiça comunitária de relacionamentos corretos diante do outro, ao prestar o respeito devido a todas as pessoas, como seres criados à imagem de Deus, observando ainda, uma Justiça distributiva que promove correção debaixo das mãos das autoridades ordenadas por Deus, "como pais no lar, presbíteros na igreja, professores na escola e autoridades civis no estado". Em pensamento contrário, a atual Justiça Social que cresce como valor em todo o mundo, deseja a "desconstrução dos sistemas e estruturas tradicionais tidos como opressoras e a redistribuição de poder e de recursos dos opressores para suas vítimas na busca de igualdade de resultado." (p. 11, 2022). INTRODUÇÃO GERAL. "De acordo com a cosmovisão bíblica, as pessoas "são filhas de Deus, conformes à sua imagem divina. (De acordo com) a justiça social, somos filhos da sociedade, conformes às suas construções sociais e à dinâmica de poder que mantém". (James Lindsay e Mike Naya, p. 17, 2022). O autor anota que uma forte ideologia de "justiça social" tem penetrado a igreja evangélica, especialmente porque as palavras "igualdade, diversidade e inclusão" tem aproximado os cristãos deste movimento secular. Porém, faz o importante destaque para a diferença entre o uso comum das palavras, quando o seu significado é diferente para os que as abraçam. Pois o uso destas palavras pelos seguidores da justiça social é "completamente diferente" do que definem as Escrituras e de seu entendimento comum histórico no ocidente. Para Dallas Willard, as ideias dos homens é que promovem os seus valores entre a humanidade, sendo que as ideias sempre serão comunicadas pelas palavras, surgindo daí o imperativo para que as "poderosas palavras de Deus, que dão vida, (sejam anunciadas) conforme registradas na Escritura - palavras como liberdade, amor, compaixão e justiça". (p. 18). Pois a "Bíblia é muito mais do que uma mensagem de salvação, por mais decididamente vital que isso seja. Ela é uma cosmovisão abrangente que define e modela todos os aspectos da realidade e da existência humana. Ela é a "História Transformadora" de Deus, mas, diferentemente de outras cosmovisões, ela é verdadeira." (p. 19). Portanto, não se deve menosprezar o fato da igreja evangélica substituir a orientação bíblica sobre "justiça", assumindo em seu lugar um conceito de justiça social que se deve reconhecer como sendo uma "falsificação". "A falsificação tem origem em "filosofias e sutilezas vazias" (Cl. 2.8) surgidas na Europa nos anos 1700. Sua linhagem remonta a filósofos célebres e a ativistas como Immanuel Kant, Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Antonio Gramsci e Michel Foucault." (p. 19). O pensamento destes autores está estabelecido na cultura ocidental e sua ideologia recebe o conceito acadêmico de "teoria crítica", sendo conhecida ainda, como "política identitária, interseccionalidade ou marxismo cultural", de modo que será indicada nesta obra pelo termo "justiça social ideológica". (p. 20). A importância dessa constatação do valor das ideias e das palavras que as comunicam, e ainda, da ética movida pela cosmovisão que estas desenvolvem surge do fato de que "nossas cosmovisões determinam não apenas como pensamos, mas também como agimos. Elas direcionam as escolhas que fazemos... Tragicamente, essa falsa cosmovisão tem feito incursões profundas na igreja evangélica, que corre o sério risco de abandonar a verdadeira justiça por uma justiça impostora". (p. 20). Deste modo, a justiça social ideológica saiu das universidades até tomar as artes e a mídia, vindo a atingir a vivência religiosa das igrejas evangélicas e seus membros. Cristãos evangélicos tem recebido o conteúdo desta "justiça" de maneira ingênua e pura, "afinal de contas, ela recorre a termos da Bíblia e a conceitos como justiça, opressão, antirracismo e igualdade, embora os redefina a todos furtivamente". (p. 21). JUSTIÇA BÍBLICA E JUSTIÇA IDEOLÓGICA. Agora, "começarei este livro explicando o que é justiça bíblica antes de analisar a justiça social ideológica". (p. 21). Em 1988 o autor anota que foi trabalhar na org. cristã de socorro e desenvolvimento, Food for the Hungry. Era um momento histórico de divisão entre os evangélicos acerca de como promover justiça na sociedade, colocando de um lado os que investiam em missões somente como "a proclamação do evangelho e a plantação de igrejas", e de outro lado, os que entendiam que a missão requer igualmente uma atenção e atuação diante dos "pobres e marginalizados"; o que também gerava divisões devido a estes últimos serem definidos como agentes do "grupo herético" do "evangelho social". (p. 22). Conforme relata Scott Allen sobre os 20 anos de trabalho na Food for the Hungry, "durante esse tempo, aprofundei meu conhecimento acerca das causas e das soluções para a pobreza e, quanto mais aprendia, menos entusiasmado ficava com minhas crenças anteriores". Na época, embora não fosse marxista, entendia que "a riqueza e os recursos de um eram o prejuízo do outro, e vice-versa (o que se chama de soma zero, em que a vitória de um lado deve corresponder necessariamente a derrota do outro)...". (p. 22). No passar dos anos e a partir de estudos e busca de mentoria para melhor entendimento desta realidade, percebi que minha visão estava baseada menos na bíblia e mais no manifesto comunista. Eis a minha questão: "eu estava mais interessado nas disparidades da riqueza e da redistribuição de renda ou em fazer o que comprovadamente dá resultado e capacita as pessoas, permitindo-lhes que saiam da pobreza?" (p. 23). No destaque do autor, "com o tempo, percebi que os pressupostos da cosmovisão marxista mais prejudicam do que ajudam os pobres", pois ao invés de serem vistos como pessoas criadas à imagem de Deus, com dignidade e capacidade de viver novas oportunidades, eram declaradas como "vítimas indefesas, dependentes de ações de ocidentais benevolentes para vencer a pobreza. Isso gerava um sentimento destrutivo de paternalismo e de culpa de um lado e, do outro, um sentimento nocivo de dependência e de direitos individuais." (p. 23). Neste contexto, ao estudar a história da igreja, percebi como antes da Reforma Protestante as nações da Europa eram tão pobres como as da África, até que a leitura da bíblia e um novo entendimento da realidade fez estes povos europeus edificarem uma cosmovisão bíblica de responsabilidade e educação que lhes permitiu transformar a sociedade. Com esse entendimento, criei junto de Darrow Miller e Bob Moffitt a Disciple Nations Alliance, em 1997. "Nossa missão consistia em catalisar um movimento cristão que chamasse a igreja de volta a uma ampla cosmovisão bíblica, proclamando e demonstrando o poder da verdade bíblica por meios que resultassem numa mudança positiva, particularmente entre os pobres" (p. 24). O autor define quais princípios e argumentos utilizou no propósito de agregar cristãos evangélicos com visões distintas sobre a Missão da Igreja de Cristo a partir de uma Justiça Social Bíblica. "Para a ala conservadora da igreja evangélica, nossa mensagem era a seguinte: sua paixão pelo evangelho é boa e digna de louvor! Contudo, a proclamação do evangelho é apenas o começo da missão cristã genuína, e não o fim." O autor anota alguns aspectos deste entendimento, de forma que, o cristão deve ser discipulado para perceber valores culturais falsos enquanto é instrúido nos princípios verdadeiros da cosmovisão bíblica, na busca de uma redenção cristã que alcance a criação e sociedade no poder e grandeza reais oriunfos da chegada do Reino de Deus, de modo que "não deveria haver divisão alguma entre proclamação do evangelho, discipulado, plantação de igrejas e transformação social e cultural". (p. 24). Numa outra vertente, "para a ala da justiça social da igreja evangélica, nossa mensagem era a seguinte: se você quiser realmente capacitar o pobre para que ele prospere, a ferramenta mais poderosa à sua disposição é a verdade e a compaixão bíblicas... quando ricos e pobres começarem a substituir as mentiras culturais pela verdade bíblica, virá a transformação. Essa transformação nunca é completa, ou uniforme, ou indefinida, mas é real, poderosa, dignifica a Deus e é importante." (p. 25). A partir destes princípios e do desenvolvimento destes valores junto de líderes da Igreja Evangélica, o autor entende que muitos sinais positivos foram colhidos, com o lado conservador da igreja abrindo sua visão para um ministério mais integral junto da sociedade, no entendimento de que um profundo discipulado cristão realiza verdadeira transformação nas comunidades mais pobres. Assim, parecia diminuir a distância e distanciamento entre as duas visões evangélicas acerca de atuação cristã na sociedade, no entanto, no destaque do autor, no século 21, "os pressupostos marxistas voltaram com tudo, influenciando uma nova geração de líderes evangélicos sob novo disfarce e ameaçando destruir uma unidade que era cada vez maior. Nos círculos evangélicos, falava-se por toda parte em "justiça social". No entanto, diferentemente da década de 1980, enfatizava-se menos a pobreza e mais a raça, o sexo, o gênero e a orientação sexual." (p. 25). Especialmente nos últimos 5 anos percebi como diversos líderes evangélicos assumiram uma teologia bíblica integrada junto aos fundamentos da teoria crítica acadêmica, tendo por resultado a cobrança aos cristãos sobre o modo como nós estavamos desprezando a realidade do "racismo estrutural" nos EUA e sua opressão permanente. A partir disto, no entendimento do autor, "a persistirem as tendências atuais, a igreja evangélica sucumbirá rapidamente a um sincretismo profundamente destrutivo e a uma ideologia nâo bíblica que causarão um mal incalculável a sua missão e seu testemunho neste mundo. Justiça é uma das palavras mais importantes na Bíblia... Se a igreja que crê na Bíblia abandonar a justiça genuína em favor de uma falsidade cultural destrutiva, quem sobrará para resistir e defender a verdade? Os riscos são altos demais." (p. 26). JUSTIÇA BIBLICA. No capítulo dois do livro o autor desenvolve temas e princípios no objetivo de apresentar e estabelecer os fundamentos de uma justiça social bíblica. "A palavra latina justus... significa "reto ou próximo". Como um fio e prumo, justus remete a um padrâo ou a uma base para a moralidade. A justiça se alinha a um padrão de bondade. Na verdade, bondade, ou retidâo, é sinônimo de justiça". (p. 37). É comum buscar a justiça pela guarda da lei e cometer a injustiça pela desobediência à lei, no entanto, a justiça é um fundamento superior a simplesmente seguir a lei dos homens. A partir daí, como iremos saber se uma lei humana é justa ou não? O Reverendo Martin Luther King Jr foi preso na década de 1960 por descumprir leis, sendo criticado até por líderes religiosos. A resposta de Luther King citava Santo Agostinho, "uma lei injusta não é lei de jeito nenhum", e a diferença para o líder religioso e ativista social era de que "uma lei justa é um código criado pelo homem que está de acordo com a lei moral, ou a lei de Deus"; sendo que "uma lei injusta é um código em descompasso com a lei moral". (p. 38). De acordo com o teólogo reformador protestante João Calvino, a lei anuncia o próprio caráter de Deus, sendo o guia moral absoluto que conduz a humanidade em todas as eras e lugares ao que é "bom e certo". E para iniciar nosso conhecimento sobre a lei de Deus, o autor recorda que toda humanidade recebeu um valor moral dado por Deus no interior do ser humano, algo que C S Lewis disse ser uma "certa maneira" de agir que todos consideram correta, e que Paulo explicou ser algo escrito no coração humano, na consciência e pensamentos do homem, por Deus mesmo. (Rm. 2. 14,15). Ao desenvolver esse contexto, o Apóstolo Paulo clarifica o modo em que os 10 mandamentos são a lei objetiva e escrita de Deus, sendo dados a Moisés e ao povo judeu, e a partir deles pra toda humanidade. Esse padrão moral que expressa a justiça de Deus se torna um comportamento de "justiça na vida cotidiana": "Ó homem, ele te declarou o que é bom. Por acaso o Senhor exige de ti alguma coisa além disto: que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes em humildade com o teu Deus?" (Miquéias 6.8). Segue-se o significado do termo hebraico tsedek (justiça): "Uma vida em que todos os relacionamentos - de um ser humano com outro, do homem com Deus e do homem com a criação são bem ordenados e harmoniosos". (Gary Breshears, prof de Teologia). (p. 43). Neste entendimento, Justiça é Shalom, uma experiência de harmonia e paz oriundas de uma convivência e realidade desenvolvidas a partir do "padrão moral perfeito de Deus"; sendo que tais atitudes eram requeridas como o padrão de arrependimento para que os homens pudessem ser batizados por João Batista no jordão. "Em suma, justiça é viver os Dez Mandamentos em nossos relacionamentos diários". (p. 43). Segundo Tim Keller, "fazemos justiça quando damos aos seres humanos o que lhes é devido como criações de Deus". JUSTIÇA DISTRIBUTIVA. Um outro elemento da justiça surge a partir da denominada "justiça distributiva", a qual é "reservada para as autoridades ordenadas por Deus, entre elas os pais no lar, o pastor na igreja e as autoridades civis no estado". (p. 44). A justiça distributiva orienta que todos sejam tratados iguais diante da lei, sendo julgados sem parcialidade, posto que Deus da mesma maneira trata toda humanidade, pois o Senhor Deus "recompensa o bem e pune o mal. Ele não ignora os pecados de ninguém. Não aceita suborno." (Dt. 10.17). (p. 44). No destaque dado pelo autor: "A justiça exige que a injustiça seja punida. Se o mal permanece impune, a injustiça se multiplica". (p. 44). No estado atual do mundo e da humanidade em que vivemos uma realidade de "queda" diante da justiça de Deus e de rebeldia diante de seu padrão moral, sabe-se que "a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens" (Rm 1.18); de modo que Deus não está "indiferente à injustiça". (p. 48). E, "Deus se levanta em sua ira contra os que oprimem os fracos, os marginalizados e os pobres. Todo opressor será responsabilizado. (...) A Bíblia de Gênesis 3 até Apocalipse, conta o drama arrebatador do plano histórico divino de restaurar a justiça num mundo decaído e repleto de injustiça e de mal". (p. 49). A integração da justiça e da ira de Deus contra a maldade em aliança com sua misericórdia e bondade está descrita e realizada no "ápice da história extraordinária da redenção divina: a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo." "Daquele que não tinha pecado, Deus fez um sacrifício pelo pecado em nosso favor, para que nele fossemos feitos justiça de Deus" (2. Coríntios 5.21). (p. 51). A realização completa da Justiça de Deus surgirá no Dia do Juízo, em que as vidas de todos os seres humanos serão descobertas, anunciando toda injustiça da história humana; ao mesmo tempo em que será aberto também o livro da vida - e assim todos os culpados ali anotados serão cobertos com a misericórdia de Deus, conforme sua ira caiu sobre o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus de Nazaré. O autor destaca também, um fundamento essencial da Justiça Bíblica, ao apresentar os princípios contidos nos capítulos 12 e 13 de Romanos, que podem ser resumidos da seguinte forma: No cap. treze os cristãos são ensinados a deixar que Deus traga ordem e disciplina nas relações sociais em comunidade através das mais diversas autoridades que devem penalizar os criminosos e proteger os inocentes. Enquanto isso, nas relações pessoais aprende-se no cap. doze a orientação pra afastar a vingança e abençoar os que nos perseguem, procurando viver em paz no que depender de nós, o que gera a oportunidade de praticar misericórdia na busca de um eficaz tratamento dos conflitos da vida; em conformidade aos parâmetros da justiça divina bíblica para a humanidade na atualidade. Ainda, o autor anotou alguns FUNDAMENTOS essenciais da Justiça Bíblica Social: - o respeito pelo Estado de Direito; - o valor fundamental da dignidade humana e os direitos humanos concedidos por Deus; - a luta contra toda corrupção; - prover o devido processo legal aos homens, com juiz e justiça imparciais, e amplas possibilidades de defesa ao acusado, tendo toda possibilidade de se defender e contar com um representante jurídico neste propósito. Nesse contexto, observamos nestes últimos itens acima, os fundamentos e aspectos em que a Justiça Social Bíblica surge na realidade da existência humana, sendo algo que busca tratar toda injustiça ao mesmo tempo em que observa a igualdade de valor e dignidade para com todos os seres humanos. E como já anotado, o padrão de justiça da denominada "justiça social IDEOLÓGICA" tem outros fundamentos e orientações, pois "caracteriza-se pelo esfacelamento das estruturas tradicionais considerados opressores e pela redistribuição de poder e de recursos dos opressores às vítimas em busca de igualdade de renda." (p. 67). ENGANOS DA JUSTIÇA SOCIAL IDEOLÓGICA. No capitulo oito do livro, o autor anota conceitos e características dos temas e conteúdos da justiça social, conforme estes tem sido propagados pela visão da justiça social ideológica. O autor apresenta duas histórias de jovens que vieram a se engajar na justiça social ideológica, até que acabaram cancelados por não aderir completamente ou por apontar dúvidas sobre algumas questões. "Os dogmas da interseccionalidade, do socialismo, da teoria de gênero e outros conceitos de esquerda de justiça social são esforços para preencher o vazio deixado pelo declínio das igrejas, comunidades e famílias. Contudo, essas doutrinas são substitutos pobres (...) elas promovem a ira e a infelicidade, e não a paz." (Nathanael Blake, p. 220). A seguir, o autor anota alguns temas e conceitos conforme estes são desenvolvidos, bem como aponta seus erros e enganos. IDENTIDADE Humana. "o ser humano é cem por cento determinado socialmente, ele é produto de seus "grupos de identidade" baseados na raça, sexo e/ou identidade de gênero (...) Na cosmovisão bíblica, o ser humano é ao mesmo tempo um indivíduo único com capacidade de ação, de responsabilidade e de prestação de contas, além de membro da comunidade que forma sua identidade." (p. 225). TRANSFORMAÇÃO Cultural. "A justiça social ideológica é revolucionária, ela convoca os oprimidos para que se insurjam e derrubem seus opressores. Essa batalha se dá nas esferas social, cultural e política. Taticamente, os fins justificam os meios. Nada fica de fora, se ajuda na promoção da causa (...) Para a cosmovisão bíblica, este mundo é obra das mãos de Deus, e ele ama sua criação (...) Deus nos redime para que participemos com ele da reconciliação de todas as coisas consigo mesmo. Devemos interagir com a cultura como embaixadores do reino de Cristo (...) Para o revolucionário da justiça social, a mudança é externa à pessoa humana. Estruturas e sistemas sociais e culturais injustos (desiguais) devem ser substituídos. O cristão, porém, crê que a mudança deve ser primeiramente interna e espiritual antes que possa se manifestar externamente na sociedade e na cultura. (...) A mentalidade antissocial de justiça confronta a evangelização com a transformação social. A cosmovisão bíblica, porém, as une em um todo indissociável; nas palavras de John Stott: "A evangelização é o principal instrumento da mudança social. Isto porque o evangelho transforma as pessoas, e pessoas transformadas podem transformar a sociedade". (p. 226-228). RACISMO. "Para a justiça social ideológica, o racismo (e o sexismo, além da homo/transfobia) está por toda parte, é sistêmico e predominante (...) O cristão comprometido com uma cosmovisão bíblica deve rejeitar a redefinição de racismo vulgarizada pela teoria crítica da raça, isto é, "preconceito e poder que só se aplicam às pessoas brancas". Cabe-nos sustentar e defender a verdadeira definição de racismo: a crença de que a raça é o determinante primordial das capacidades e traços humanos e que as diferenças raciais produzem uma superioridade inata de uma raça específica; em seguida, empenhar-nos para que haja reconciliação racial... num esforço para extirpar o racismo de nossas igrejas, instituições e de todas as partes da sociedade." (p. 229). INJUSTIÇA ESTRUTURAL E SISTÊMICA. "... Para a justiça social ideológica a destruição e a injustiça estão enraizadas nos sistemas e estruturas sociais, e não no coração humano (...) Concordamos com os defensores da justiça social ideológica de que o mal estrutural ou sistêmico é uma realidade (...) Contudo, como cristãos, antes de qualquer coisa não ignoramos as causas dos sistemas decaídos. Nas palavras do pastor Grover Gunn: "O principal meio de transformação do mundo de que dispomos é a proclamação do evangelho (...) Não devemos hoje jamais questionar a eficácia da mensagem do evangelho como vanguarda da mudança social positiva". (p. 230). A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL e os EUA. "Para os defensores da justiça social ideológica, a civilização ocidental e os Estados Unidos estão irremediavelmente corrompidos de forma sistêmica pelo racismo, pelo sexismo, pela ganância e por praticamente todo tipo de injustiça. (...) (Porém) os americanos são beneficiários do trabalho sacrificial de muitas gerações de cristãos... Eles semearam as sementes da verdade, da bondade e da beleza na ordem política, econômica, educacional e cultural... Hoje, muitos desprezam essa herança. (...) (No entanto, há muitos que) apesar de suas falhas e imperfeições, desejam preservá-la e transmiti-la às futuras gerações ainda mais aperfeiçoadas do que a receberam." (p. 231/232). TÁTICAS. "Os defensores da justiça social ideológica usam cada vez mais a tática do poder para promover sua narrativa. Táticas como o politicamente correto, o assédio, a humilhação, ameaças, expulsão de plataformas, silenciamento e outras. De modo geral, essas táticas são denominadas de "cultura do cancelamento". (p. 233). QUAL DEVE SER A REAÇÃO dos cristãos? "Há duas reações a serem evitadas. A primeira delas consiste em virar a mesa na tentativa de usar a mesma tática de poder. Contudo, é provável que a maior tentação consista em intimidação, que resultará em silêncio ou submissão... Tal atitude é insustentável. Numa revolução cultural, todos serão afetados, senão agora, depois. Cabem aqui as célebras palavras do teólogo alemão Martin Niemöller: "Quando vieram buscar os comunistas, fiquei em silêncio; eu não era comunista... Quando vieram buscar os judeus, fiquei em silêncio; eu não era judeu. Quando vieram me buscar, já não havia ninguém que pudesse protestar." (p. 233/234). SEGUEM PENSAMENTOS de uma resposta apropriada nos debates e contrariedades ideológicos. - seja sempre gracioso e educado; - dê à argumentaçâo dos outros o benefício da dúvida; - ouça bastante, não tenha pressa em falar; - Ore. Peça a ajuda de Deus para interagir de maneiras que o honrem e o glorifiquem; - Não desista de interagir, de discutir e de dialogar, ainda que sejam essas as atitudes dos seus oponentes; - Não se intimide com a pressão. Fique firme em defesa da verdade. Defenda com firmeza os princípios bíblicos e as definições da Bíblia; - Amar o próximo significa trabalhar sacrificialmente pelo seu bem. Corroborar suas crenças falsas pode parecer caridoso, mas não é, porque as falsas crenças são destrutivas; - Não tema, confie na soberania e no poder de Deus... Jamais se esqueça, porém, que Deus ama lançar mão das coisas fracas do mundo para mostrar seu poder e sua glória insuperáveis." (p. 234/235). CONCLUSÃO. Ao finalizar o livro, o autor propõe uma atuação virtuosa e positiva aos cristãos evangélicos para com a sociedade, a partir do seguinte valor: "Mais do que criticar a cultura. Vamos criar cultura. O fato de que o evangelicalismo não tenha mais uma teologia de interação cultural forte talvez seja a principal razão para que estejamos em nosso dilema atual." Pois as instituições fundamentais da cultura, desde artes, educação e mídias estão debaixo dos valores da justiça social ideológica, sendo algo que, no destaque do autor, não ocorreu por acidente. Todo esse domínio social foi planejado através de uma atuação coordenada e instigante na cultura ocidental. Nesse contexto, recordamos que, "se a igreja não discipular a nação, a nãção discipulará a igreja". (Darrow Miller). (p. 237/238). "Já é tarde, mas creio que ainda há tempo. Nós, a igreja que cremos na Bíblia, precisamos reaprender rapidamente com nossos ancestrais como deve ser a missão cristã genuína. É preciso que recobremos aquela teologia antiga que liga de forma indissociável o evangelho, a evangelização e o discipulado, vivendo fielmente as implicações da cosmovisão bíblica em todas as áreas da vida e em todas as esferas da sociedade. (...) Nosso motivo deve ser impulsionado pela obediência a Cristo, que suscitou um povo para si para abençoar todas as nações, e amar nosso próximo como a nós mesmos. Somente a verdade e o amor bíblicos promovem a prosperidade e a liberdade, e não apenas para a igreja, mas para o cristão e o não cristão igualmente. (...) Portanto, lutemos pela justiça neste mundo. Lutemos pelas vítimas da injustiça. Combatamos o tráfico sexual. O infanticídio feminino. Protejamos o nascituro em perigo no útero da mãe. Os perseguidos por sua fé. O cristão e o não cristão. Sejamos a voz dos que aguardam a execução injusta... Opor-se à injustiça num mundo decaído exige, é claro, coragem moral... Revestidos de poder pelo Espírito Santo, sigamos nas pegadas do nosso Salvador em busca de justiça e de misericórdia. Conforme disse o Senhor: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos presos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos" (Lc. 4.18). Ampliar o domínio do reino de Deus é uma santa tarefa e, por vezes, solitária, mas nunca estamos realmente sós. (...) Podemos confiar no Deus que uniu perfeitamente na cruz a justiça e a misericórdia, certos de que ele está conosco à medida que promovemos a justiça para sua glória." (p. 238/246). EM COMPLEMENTO AO TEMA abordado neste resumo, destaco citações valiosas de análise do pensamento de ABRAHAM KUYPER: "Bratt, por exemplo, aponta uma vocação tríplice do cristão no mundo com base no pensamento kuyperiano: (1) testemunho e trabalho no mais alto nível de qualidade possível... (2) promover o desenvolvimento dessa esfera (em que atua)... para que atinja seu objetivo último, a plenitude de suas potencialidades. (3) agir em prol da defesa da justiça e misericórdia divinas, notadamente para os fracos e oprimidos, os que sofrem e os que são negligenciados (...) Esse trabalho vocacional produziria determinados resultados históricos pela providência divina, e por tais resultados o cristianismo produziria impacto onde atuasse. A atitude esperançosa da cultura, como aponta Niebuhr ao falar dos conversionistas (transformacionistas) não se encontra em Kuyper. (Kuyper entendia que o cristão deveria ser obediente em sua vocação cidadã como forma e ao propósito de glorificar a Deus) (...) Assim, "Bratt observa que: "No fundo, Kuyper não era um transformacionista triunfalista. Dizer que o esforço humano nunca trará o Reino de Deus significa dizer que o esforço cristão organizado também não o fará. A transformação redentora de Deus alcançará esse fim por seus próprios meios misteriosos, em seu próprio tempo oculto. Nossos esforços aqui testificam esse fim, em gratidão por seus primeiros frutos já presentes em nossas vidas como pecadores redimidos e em testemunho da glória de Deus." (p. 237-238, Moreira, 2020). REFERÊNCIAS. ALLEN, Scott David. Por que a justiça social não é a justiça bíblica: um apelo urgente aos cristãos em tempos de crise social / ; tradução de A. G. Mendes. - São Paulo: Vida Nova, 2022. STOTT, John R W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, tradução de Yolanda M. Krievin, 1981, SP. MOREIRA, Thiago. Abraham Kuyper. E as bases para uma teologia pública. Brasília DF, Edit. Monergismo, 2020. Autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor de ciências da religião e ministro da Igreja Presbiteriana, atuando na gestão de ações sociais junto às igrejas.

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