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CARIDADE E AÇÃO SOCIAL. A Boa Obra de justiça religiosa dos Cristãos.

As Boas Obras de Justiça dos cristãos vão brilhar sobre toda a humanidade que assim vai olhar para os céus e dar graças a Deus. Mas não será simples e nem fácil. É preciso Temor e Fé para conseguir praticar as boas obras "sal e luz" junto dos homens, pois às vezes é difícil acreditar que a misericórdia e a pureza, a caridade e humildade, a fome e sede de justiça cristãs ainda sejam atitudes capazes de preservar uma terra degenerada e iluminar um mundo tenebroso. Também, as boas obras de justiça dos cristãos são produzidas inteiramente pelo Espírito Santo através do novo nascimento e na santificação do povo de Deus, então, temos aí uma segunda dificuldade. Haja arrependimento e oração. Mas, Jesus falou que o reino já estava no meio de nós e veio para ficar, explicando nos capítulos 5 a 7 de Mateus como é que Deus está promovendo esta verdade no planeta, começando direto lá na veia (coração) do povo. Portanto, mãos à "obra"! Veja que Jesus Cristo definiu no Sermão do Monte que a Justiça dos cristãos deveria ser muito superior na comparação com a justiça praticada pelos religiosos obedientes na "raça", os fariseus. A superioridade da Justiça dos cristãos - que é o jeito como eles obedecem a Lei de Deus está no fato de ser uma "justiça do coração", em espirito e em verdade, interior e sincera; movida pelo Espírito Santo. Jesus esclarece que veio ao mundo pra obedecer toda a lei, e baseado no poder divino da nova aliança sobre a natureza humana, exorta e orienta que aqueles que estiverem n'Ele serão capazes de respeitar até a menor regra dos mandamentos, e assim serão grandes no Reino dos céus. Jesus esclarece lá no Sermão que há dois tipos de boas obras de justiça da lei que os cristãos devem seguir: as obras da Justiça Social e as obras da Justiça Religiosa. As boas obras da Justiça Social são aquelas que a gente pratica ao se relacionar com as pessoas e na sociedade. E as boas obras da Justiça Religiosa são as que fazemos diante de Deus, como Jesus define em Mateus 6.1 - 18: "Tenham cuidado! Não pratiquem suas boas ações em público, para serem admirados por outros... E seu Pai, que observa em segredo, os recompensará." Agora, veja que interessante, pois a Caridade é uma boa obra de justiça religiosa cristã diante de Deus em primeiro lugar, mas que devemos praticar objetivamente para os outros seres humanos. Então, parece que a justiça religiosa da caridade é exatamente aquele mandamento que melhor exemplifica o resumo da lei, de Amar a Deus e Amar o próximo, não é mesmo? O próprio Jesus ao definir o princípio do mandamento de Amar o próximo unido ao mandamento de Amar a Deus, ensinou na Parábola do Bom Samaritano que a atitude de misericórdia perante qualquer necessitado é a boa obediência da lei; "então Jesus disse: "Vá e faça o mesmo". (Lucas 10.25-37). E depois, Jesus demonstrou a abrangência das atividades desta Boa Obra na mensagem do Dia do Juízo, que aproximam essa obra de justiça das mais diversas atitudes de ação social que os cristãos devem oferecer para a humanidade desde sempre, na sociedade: "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: `Venham, vocês que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o reino que ele lhes preparou desde a criação do mundo. Pois tive fome e vocês me deram de comer. Tive sede e me deram de beber. Era estrangeiro e me convidaram para a sua casa. Estava nu e me vestiram. Estava doente e cuidaram de mim. Estava na prisão e me visitaram." (Mateus 25.34-36). O Apóstolo Paulo cuidou de manter e promover esta boa obra de justiça religiosa na vida da Igreja de Cristo, exortando e ensinando cuidadosamente o modo em que os cristãos deveriam amar o próximo. Logo entre os anos 50 e 51, o Apóstolo escreve na primeira carta aos Tessalonicenses, destacando um princípio fundamental: "Cuidem que ninguém retribua o mal com o mal, mas procurem fazer o bem uns aos outros e a todos." (1Tessalonicenses 5.15). No ano de 55 Paulo enviou a segunda carta aos Coríntios, ao deixar Éfeso e em viagem até Corinto. São dois capítulos inteiros dedicados aos cristãos de Corinto e ao povo de Deus em todos os tempos, que tratam da caridade cristã movida pela generosidade da misericórdia, afirmando para o Cristianismo a essência espiritual de uma relação íntima com Deus que o cristão desenvolve diante do próximo. É incrível: "Visto que vocês se destacam em alguns aspectos - na fé, nos discursos eloquentes, no conhecimento, no entusiasmo e no amor que receberam de nós - queríamos que também se destacassem no generoso ato de contribuir... No momento, vocês tem fartura e podem ajudar os que passam por necessidades... Lembrem-se: quem lança apenas algumas sementes obtém uma colheita pequena, mas quem semeia com fartura obtém uma colheita farta... Pois é Deus quem supre a semente para o que semeia e depois o pão para seu alimento... Em tudo vocês serão enriquecidos a fim de que possam ser generosos... Como resultado do serviço de vocês, eles darão glória a Deus. Pois sua generosidade com eles e com todos os que creem mostrará que vocês são obedientes às boas-novas de Cristo." (2 Coríntios 8.7 - 9.13). Anos mais tarde, ao redor do ano 61, Paulo escreve da prisão em Roma, agradecido pelas ofertas dos cristãos filipenses, demonstrando a força da generosidade cristã nas relações mais pessoais diante das dificuldades individuais: "Como eu me alegro no Senhor por vocês terem voltado a se preocupar comigo... Posso todas as coisas por meio de Cristo, que me dá forças. Mesmo assim, vocês fizeram bem em me ajudar na dificuldade pela qual estou passando... E esse mesmo Deus que cuida de mim lhes suprirá todas as necessidades por meio das riquezas gloriosas que nos foram dadas em Cristo Jesus." (Filipenses 4. 10-19). Ainda na década de 60, entre os anos em que saiu da prisão em Roma até para lá voltar e ser martirizado em 68 d.C, o Apóstolo Paulo escreveu sobre o mandamento da caridade do povo de Deus, instruíndo a Timóteo entre os anos de 62 a 64. Paulo ensina Timóteo sobre esta boa obra de justiça, aproveitando pra exortar a família e ensinar aos ricos: "Cuide das viúvas que não tem ningúem para ajuda-las. Mas, se elas tiverem filhos ou netos, a primeira responsabilidade deles é mostrar devoção no lar e retribuir aos pais o cuidado recebido. Isso é algo que agrada a Deus... Se alguma irmã na fé tem viúvas na família, deve tomar conta delas e não sobrecarregar a igreja, que assim poderá cuidar das viúvas que estiverem verdadeiramente sozinhas... Ensine aos ricos deste mundo que não se orgulhem nem confiem em seu dinheiro, que é incerto. Sua confiança deve estar em Deus, que provê ricamente tudo de que necessitamos para nossa satisfação. Diga-lhes que usem seu dinheiro para fazer o bem. Devem ser ricos em boas obras e generosos com os necessitados, sempre prontos a repartir. Desse modo, acumularão tesouros para si como um alicerce firme para o futuro, a fim de experimentarem a verdadeira vida." (1Timóteo, 5.3 - 6.19). E para concluir esse tema, anotamos a orientação clássica do amor ao próximo para a religião cristã, retirada do texto neo testamentário mais antigo, tendo sido escrito entre os anos de 44 a 49 d.C: "A religião pura e verdadeira aos olhos de Deus, o Pai, é esta: cuidar dos orfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo." (Carta do Apóstolo Tiago, 1.27). Autor. Ivan Santos Rüppell Jr é professor, advogado e ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, atuando na gestão de ações sociais de igrejas.

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