Esse texto contém o resumo de palestra ministrada no encontro da fé reformada, Curitiba, dia 11 de novembro de 2023.
PALESTRA. Amando a Deus no Socorro Social. Prof Dr. Héber Campos Jr. Esse tema apresenta o Mandato Social que traz a responsabilidade do cristão diante de nossos semelhantes. Recordando dos outros aspectos do triplo mandato do cristão, que contém o mandato espiritual de nosso relacionamento com Deus, e o mandato cultural de nosso relacionamento com a criação. Neste contexto, o Mandato Social é um tema bastante amplo que abrange as áreas e relacionamentos mais diversos de nossa vida, como o cuidado com os filhos e conjugês, e atenção com parentes e amigos, além de outros aspectos. Por isso a decisão em desenvolver nessa palestra o tema de nossa relação como cristãos diante dos que estão oprimidos, a partir da temática da Justiça Social. Sabendo que o cristão deve aprender a Amar a Deus na medida em que se dedica a cuidar do próximo conforme as suas possibilidades. Observe que a prática da justiça e do amor comunitário, bem como a atitude de ajuda e auxílio são preocupações bíblicas bastante citadas nas Escrituras para o cristão assumir em sua prática e valores. Portanto, vamos analisar o movimento de Justiça Social contemporâneo à luz das Escrituras e diante da perspectiva da Cosmovisão Reformada. Pois a justiça social se tornou um tema frequente a partir de proposições como igualdade e inclusão, seja nas perspectivas econômicas e ainda outros aspectos, como de raça, etnia, gênero e sexo. Há uma teoria crítica comum no entendimento dos estudiosos de nosso tempo para abordar esse tema, e irei desenvolve-lo nominando-o de justiça social. Veja que o impacto dessa teoria crítica na sociedade tem sido cada vez maior, com empresas criando empregos para atender novas necessidades de inclusão, enquanto no ambiente acadêmico a própria reflexão crítica tem sido limitada sobre esse tema, sendo que até artistas famosos são cancelados ao emitir opiniões contrárias ao pensamento dominante. Especialmente nos Estados Unidos da América cresce o movimento woke, que atua no estabelecimento dessa visão da teoria crítica, algo que tem influenciado inclusive os membros de igrejas cristãs. Neste sentido, vamos anotar que Cosmovisão é um conceito que trata da visão que temos da realidade, e aqui tem surgido uma nova cosmovisão, a qual requer ser conhecida e então comparada com o pensamento bíblico. Toda fragmentação social tem sido observada a partir de uma preocupação com o preconceito e desigualdade, seja por motivos de raça e limitações físicas, seja por religião e opções sexuais, de modo que nossa sociedade fragmentada tem buscado introduzir uma justiça social no propósito de reunir os afastados, como se fora um desejo de retorno do ser ao Éden, para alcançar a unidade da humanidade. Trata-se de um anseio criacional de origem, mas com ambições não bíblicas, pois especialmente o fundamental valor da moralidade tem sido desprezado, com o abandono da ética no ambiente social e religioso. Desta forma, o valor da ética moral como padrão de avaliação da realidade foi substituído pela "sensibilidade", e neste sentido o ambiente acadêmico tem apresentado áreas de estudo baseadas na sensibilização para com os oprimidos e desiguais. E o problema que surge é que está sendo negado o direito de dar opinião sobre o modo como tudo tem sido desenvolvido, caso este pensamento venha ferir as sensibilidades das pessoas, a partir do argumento de que aqueles que enxergam diferente somente revelam sua faceta social de opressores, a qual é corroborada por sua história social de facilidades diante do restante da sociedade. A partir destes fundamentos, a proposta de transformação da realidade de desigualdade e injustiças se dá pelo caminho da revolução. A sempre aberta e libertária sociedade norte americana tem visto o surgimento constante de movimentos revolucionários de sua convivência social, os quais não podem ser criticados mesmo quando agem através da violência; pois a causa legitima os meios, dentro de uma proposta de redenção revolucionária da sociedade, que se torna uma luta válida. Essa proposta de resolução de problemas envolve quebras bruscas e violentas de paradigmas, na busca da construção de uma nova sociedade. Assim, esse movimento contemporâneo de justiça social traz consigo uma nova cosmovisão, que une a redenção da sociedade a partir do princípio essencial da sensibilidade para certas pessoas e personalidades, junto da indignação para com os excluídos, sendo que o resultado que se almeja será buscado pela revolução em busca de uma sociedade utópica perfeita. Observe que uma cosmovisão é uma interpretação da vida que irá nortear o comportamento do ser. Neste contexto, a teoria crítica da sociedade que produz a presente justiça social em andamento é uma proposição existencial diferente e distinta da visão bíblica de Justiça Social. Algumas palavras e temas são relevantes para ambas as cosmovisões, porém o desenvolvimento de ações em busca de sua realização são contrários. Nesta aproximação de temas, vemos que a geração mais jovem tem se preocupado com a transformação social e na busca de igualdade e do amor. Seus conceitos carregam elementos valiosos e verdadeiros, como tratar do desprezo com que se enxerga os seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, remover a impiedade e dedicar-se a socorrer os necessitados em favor do estabelecimento de uma sociedade mais justa. E neste aspecto, devemos recordar o modo como desde tempos antigos os 10 mandamentos bíblicos apresentam justiça social ao proteger e resguardar valores diversos, como a família e fidelidade, a verdade e a dignidade, o trabalho e os bens dos homens. São princípios de convivência social que promovem igualdade e proteção de direitos fundamentais, todos oriundos da Lei de Deus. Observe que ao referir a lei de Deus, os cristãos entendem que o Evangelho é a mensagem que traz perdão para os que não cumprem os mandamentos. Já ao falar da justiça social proveniente dos mandamentos divinos, não se deve confundir seus benefícios com aqueles dados pelo Evangelho. Observe que a Escritura tem princípios e valores orientados ao cuidado com os necessitados, que trazem conhecimento correto sobre justiça social aos cristãos. No livro de Levíticos a partir do cap. 9, vemos nos versos 9-10 o tema da generosidade sendo implementado na orientação de que a sobra da colheita seja deixada pelo agricultor, a fim de que o necessitado seja atendido. Da mesma forma o ano da remissão das terras no Jubileu busca resolver a questão das terras perdidas em razão de dívidas, de forma que o cidadão que produziu dívidas será atendido e cuidado, mesmo que ele tenha sido o causador da situação. Ainda, vemos que pessoas em dificuldades econômicas e também os deficientes com limitações deverão ser acolhidos em suas situações particulares, na observação do fato de que se deve pagar o salário de uma funcionária diarista no mesmo dia em que trabalhou, sem atrasar o pagamento, pois ela precisa receber para se sustentar naquele mesmo dia. Especialmente ao tratar de Justiça Social, o verso 15 traz a firme orientação de que a promoção da Justiça deverá ser alcançada através de processos justos, com a ênfase de que um processo "justo" não é o que produz resultados iguais às partes distintas da ação. Hoje em dia observamos o modo em que Juízes de Direito pronunciam sentenças em favor da parte mais fraca da ação, pensando que assim promovem justiça; porém o texto bíblico afirma que somente ao se "fazer justo juízo" da situação e fatos é que iremos produzir justiça social. Assim, a mesma passagem das Escrituras que nos chama para atender os necessitados com generosidade, igualmente ensina o fundamento do justo juízo dos fatos, na observação do que é correto e verdadeiro na situação, a fim de alcançar justiça social; tendo como exemplo aqui, o modo em que para empregar trabalhadores e dar promoções e valor ao trabalho, deve-se valorar os currículos e atitudes, conhecimentos e a dedicação, ao invés da fragilidade das pessoas envolvidas. Jesus ensina no Grande Julgamento narrado no Evangelho de Mateus cap. 25, sendo este um texto bastante utilizado pelos protagonistas seculares da justiça social, que quando os homens estiverem atendendo aos "pequeninos" de Jesus, então essa atenção e cuidado será levada em conta no julgamento final. No contexto bíblico de Mateus cap. 25 e no cap. 10, verso 42, vemos que os "pequeninos irmãos" são os cristãos, sendo então, os irmãos na fé. De modo que o julgamento final acerca do cuidado e atendimento dos necessitados será uma ação de justiça proferida por Jesus a partir do modo como a sua "noiva" (povo de Deus) foi tratada na história. Ensino que corrobora a orientação bíblica de que os cristãos devem fazer o bem, especialmente aos da família da fé. Eis aqui um princípio de Justiça Social bíblico dado na cosmovisão reformada cristã, que será percebido a partir do modo como se trata o corpo de Cristo. (Nota, Bíblia de Genebra. "O julgamento das nações depende de como elas respondem aos cristãos e ao evangelho... porque Cristo se identifica com seu povo". p. 1137/38, 1999).
A utilização ampla e erronêa deste e outros textos bíblicos é fruto da má interpretação, com erro na utilização de regras da hermenêutica; sendo este o modo em que a bíblia é utilizada para dar autoridade a uma visão de justiça social anti-biblica. Inclusive, vemos o modo em que os cristãos tem aceitado análises e orientação de estudos somente humanistas e acadêmicos na hora de definir os paramêtros e valor da justiça social. Algo vigente especialmente no ensino de que somente seremos capazes de conhecer a realidade verdadeira se a obtivermos a partir do olhar dos que a vivenciam prontamente, que são os marginalizados. Daqui surge um princípio que nega aos outros seres humanos a condição de conhecer a verdade da realidade, criando uma geração de gnósticos soberanos entendedores do conhecimento, verdadeiros sacerdotes da verdade. Sendo que todo o restante da humanidade é declarada incapaz de alcançar o real conhecimento desta realidade da dimensão das dificuldades sociais. Desta forma, vemos surgir um movimento de dominação do conhecimento, pois a verdade sobre determinada realidade só é valorada se surgir pelo olhar de quem vivencia a situação que está sendo observada. Surge daí uma Antropologia distinta da bíblica, já que os seres humanos são distinguidos entre Opressores e Oprimidos, sendo que aqueles são diminuídos enquanto estes últimos são auxiliados a desenvolver o orgulho e soberba para se fortalecer enquanto se expõe diante e acima dos outros humanos. A identidade de uma pessoa oprimida é construída a partir de sua vitimização que a torna superior ao outro, sendo que no Cristianismo aprendemos que a nossa identidade será ressignificada em Cristo, pois nele não há judeu nem grego. Na antropologia da justiça social atual as pessoas são identificadas a partir do grupo a que pertencem conforme a visão da teoria crítica, enquanto que aprendemos em Cristo que nossa identidade é definida pelo que somos n´Ele, assim como Paulo, que considerou sua antiga identidade judaico-romana como refugo, para ser encontrado em Cristo. Outra questão bastante importante é o modo em que o Mal deixou de ser uma questão de moralidade pessoal, para se tornar um resultado do sistema estrutural. Observe que nas Escrituras aprendemos que o mais grave problema gerador de males na existência humana é o coração do homem, daonde surgem os maus desejos e vontades, vindos lá do interior do ser, e não do exterior e do sistema das estruturas. A única guerra que o cristão pode realizar contra o mal neste sentido é travar uma luta consigo mesmo. Portanto, na cosmovisão bíblica de justiça social não encontramos o julgamento de um sistema, mas sim de pessoas, pois o Mal não é impessoal, sendo essa uma visão que despersonaliza a culpa. Neste contexto, ao tratar de questões relacionais envoltas em um sistema social, Paulo orientou na carta a Filemon que ele viesse aprender a agir com misericórdia diante do irmão escravo, para que o sistema de escravidão pudesse ser tratado pelo princípio cristão da misericórdia nos relacionamentos. Sem desprezar que o próprio sistema e estrutura podem institucionalizar regras más, como as existentes em favor do aborto e da corrupção, no entanto, a Bíblia não oferece soluções sistêmicas para o tratamento do mal. Nas Escrituras o Mal Moral é sempre pessoal e não sistêmico. Concluindo, deixo duas orientações principais de justiça social para que as comunidades do povo de Deus venham a cuidar dos semelhantes. Primeiro, cada cristão deve se preocupar em fazer parte de uma congregação religiosa que promova socorro e acolhimento, pois estes são valores destacados como fundamentais nas Escrituras. Vemos em Atos 5, que após o tratamento da corrupção de Ananias e Safira, se percebia na sociedade uma admiração pelo alto valor moral da comunidade dos cristãos; com recordação de que na antiguidade, somente Israel tinha leis para cuidado e proteção do estrangeiro. Em segundo, os cristãos devem se preocupar mais em agir com misericórdia do que com justiça, pois assim como não recebemos tratamento justo de Deus, igualmente devemos oferecer ao próximo o que de Deus temos recebido; misericórdia. A misericórdia corrige a justiça social que deseja promover a auto estima de meus direitos pessoais. Ao seguir este princípio, iremos Amar a Deus no mundo amando os homens assim como Deus nos amou. Devemos ser uma comunidade marcada pela Misericórdia Social! (Palestra proferida pelo Prof Dr Héber Campos Jr, 8° Encontro da Fé Reformada, Curitiba, 11 de novembro de 2023). Resumo. Autor: Ivan Santos Rüppell Jr é ministro licenciado da Igreja Presbiteriana, professor e advogado, atuando na gestão de parcerias de ações sociais em rede.
APRESENTAÇÃO. Esse texto contém Seis Devocionais de Capelania Empresarial para motivar os cristãos a conversarem sobre a bênção cristã do Trabalho, em seus ambientes profissionais. O propósito é de que nossos colegas e parceiros de negócios venham a conhecer o modo bendito como Deus Pai Todo Poderoso tem abençoado e desenvolvido as atividades laborais dos seres humanos, para que toda a sociedade seja próspera e harmônica. Bom trabalho! 1. DEUS CUIDA DE SEUS AMADOS ENQUANTO DORMEM. “Se o Senhor não constrói a casa, o trabalho dos construtores é vão... É inútil trabalhar tanto desde a madrugada até tarde da noite, e se preocupar em conseguir o alimento, pois Deus cuida de seus amados enquanto dormem.” (Salmo 127. 1-2). O Senhor Deus faz prosperar a vida dos seres humanos que buscam a sua presença e confiam no seu cuidado e poder! As meditações sobre o ‘Pão Nosso’ de cada dia neste caderno trazem promessas e conselhos benditos, princípios e verdades bíblicas valiosos entregues por De...
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