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AMANDO A DEUS NO MUNDO. Mandato Cultural. 8° Encontro da Fé Reformada, Curitiba, 2023

Esse texto contém o resumo de palestra ministrada no encontro da fé reformada, Curitiba, dia 10 de novembro de 2023. PALESTRA. Amando a Deus no Engajamento Cultural. Prof Dr. Héber Campos Jr. A compreensão de uma Cosmovisão Reformada requer o conhecimento do Tríplice Mandato do Ser humano: do Relacionamento com Deus no mandato espiritual, do Relacionamento com o próximo no mandato social, e do Relacionamento com a criação no mandato cultural. Um dos primeiros autores a refletir a Cosmovisão cristã trazendo a importância do mandato cultural foi Francis Schaefer, abordando a fé cristã e sua influência e valor na vivência cultural da humanidade. Com destaque ao fato de que a Espiritualidade Cristã é uma prática também composta e desenvolvida através do mandato cultural do homem. Um aspecto introdutório básico do tema do mandato cultural cristão surge do fato que Deus criou o ser humano tanto para cultivar como também guardar a criação, sendo que estas atitudes e responsabilidades evidenciam o mandato cultural. Com a ênfase no aspecto de que o homem irá agir com criatividade no desenvolvimento do que Deus antes criou! Uma consequência dessa ordem dada por Deus ao homem para desenvolver a cultura é o princípio de que não se deve criar dicotomias separando a Igreja do Mundo, como se tudo relacionado a um fosse bom, e a outro fosse mau. Pois as satisfações, sabores e toda beleza da vida são dádivas de Deus para a alegria e prazer do homem. Neste sentido, o mandato cultural ajuda a corrigir a visão dicotomizada que temos do mundo, além de corrigir o engano iluminista que nega a existência de Hierarquia na criação, vindo a denominar os seres humanos como somente "animais racionais". Na verdade, Deus criou todos os animais segundo sua própria espécie, no entanto, Deus criou a Humanidade à sua própria imagem e semelhança. Desta forma, somos seres únicos criados por Deus, o que revela existir importante Hierarquia na criação. É preciso entender que a idéia de que somente uma "criação intocada" traduz bom cuidado com a criação é um valor de cosmovisão pagã, pois o mandato cultural cristão é um chamado para dominar, cultivando e guardando, e assim desenvolvendo a cultura. Não devemos ser "nem guardas florestais e nem pavimentadores do jardim", mas sim, que sejamos mordomos de toda a criação do Senhor. O mandato cultural cristão também corrige a visão de que há atitudes neutras diante da criação, pois a Ordem dada por Deus como um valor para conduzir o desenvolvimento da realidade indica que nossas posições serão boas ou ruins, a partir dos princípios que Deus estabeleceu no potencial e aos propósitos de toda Criação. De forma que o conhecimento da criação gera a ciência, o cultivo da criação gera a agricultura, a condição de apreciar a criação gera a arte e o governo da criação gera a política. Em todos estes aspectos e elementos, o potencial de cada área cultural da existência do homem no mundo não deverá ser considerado como algo negativo em si, mas sim quando houver o mau uso do desenvolvimento de seu potencial à luz das ordens do Criador. O mandato cultural cristão bíblico também corrige a cegueira sobre a fundamental atuação divina na percepção e descoberta dos elementos da cultura corriqueira, como lemos em Isaías 28.23 e seguintes, aonde aprendemos epistemologicamente que absolutamente todo e qualquer conhecimento que venhamos alcançar sobre a realidade deste mundo e seu potencial de realizações será sempre uma descoberta conduzida por Deus. Pois todo processo de visualização e entendimento das leis e potenciais da vida é uma experiência movida e desvelada por Deus para nós. Um aspecto bíblico fundamental que deve-se abraçar ao perceber o mandato cultural é que tal princípio existencial encontra seu valor cristão junto e integrado ao mandato Espiritual que ama a Deus, e junto ao mandato Social que ama o próximo. Desta forma, entendemos que o valor do mandato cultural somente se realiza conforme a ordem, condução e para atingir os propósitos de Deus, sendo necessário integrar a vivência dos Três Mandatos conjuntamente. Neste sentido, devemos ordenar a integração dos Três Mandatos a partir de sua hierarquia própria, em que o Mandato Espiritual é superior, com o Mandato cultural estando subordinado aos mandamentos e mandatos para Amar a Deus e Amar o próximo, e não o contrário. Sendo importante anotar que a super valorização do mandato cultural se torna um projeto existencial de valores de redenção da criação e realidade, como uma proposta idólatra movida pelo plano de progresso moderno que entende a história como um período em que o deserto será transformado em jardim. Esta cosmovisão omite que a redenção da realidade é uma realização que existe somente em Jesus Cristo. E dentro deste engano idólatra, o mandato cultural surge como um projeto pessoal que irei realizar para edificar a redenção da "cultura" em "nome de Cristo"; sendo uma proposição falsa. No entanto, a real transformação do deserto em jardim é uma obra levada somente por Jesus na história, conforme Hebreus cap. 2 e Salmo 8. Assim, observe que o mandato cultural que cabe ao cristão tem o propósito e a capacidade de somente aliviar e tratar a cultura, mas jamais irá redimir e transformar sua realidade. Nesta perspectiva, os cuidado e a guarda da cultura promovidos pelos cristãos serão tão somente sinais que apontam para Deus, jamais serão realizações de transformação redentora da criação. As nossas obras oriundas do mandato cultural irão cumprir seu papel e função assim que vierem a "apontar" para a Pessoa daquele que realmente cura e transforma, o Senhor Deus! (Palestra proferida pelo Prof Dr Héber Campos Jr, 8° Encontro da Fé Reformada, Curitiba, 10 de novembro de 2023). Resumo. Autor: Ivan Santos Rüppell Jr é ministro licenciado da Igreja Presbiteriana, professor e advogado, atuando na gestão de parcerias de ações sociais em rede.

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